O Internacional surgiu dos braços do povo. Afinal, foi a impossibilidade
em atuar pelo Grêmio, tradicional clube da colônia alemã, que fez um grupo
de jovens fundar o Colorado. E a nova equipe já nasceu dando o troco: dominou
o cenário gaúcho em boa parte do início do século.
Mas o futebol do Rio Grande sempre precisou de reconhecimento nacional e
nem sempre conseguiu. Isso mudaria com uma inesquecível geração de craques,
como Paulo César Carpegiani, Falcão, Caçapava, que fizeram do Inter uma
verdadeira potência nos anos 70, com um futebol refinado, de muita técnica.
Mesmo sem o potencial daquela época, o Inter sempre manteve-se como uma
das maiores forças do futebol brasileiro. Astros que marcaram época na Seleção
Brasileira, como Dunga e Taffarel, surgiram no Beira-Rio. É verdade que
a segunda metade dos anos 90 não foi uma época de vacas gordas para o clube.
Mas quem fez nascer a magia dos passes de Falcão certamente viverá novos
tempos de glória.
Quando Henrique, José e Luís Poppe - três jovens paulistas, todos irmãos - trocaram São Paulo por Porto Alegre, em 1908, não tiveram dificuldades para se estabelecer. Abriram logo uma loja de roupas na capital gaúcha e começaram a ganhar dinheiro. Problemas, mesmo, eles encontraram na hora que quiseram jogar futebol. O Grêmio, assim como o Fussball Porto Alegre (o outro time da cidade, ambos fundados em 1903) era um clube fechado, dominado por alemães. E se recusou a aceitar os três irmãos forasteiros, praticamente obrigando-os a fundar um novo clube.
Foi para isso que os Poppe e alguns amigos se reuniram no porão de uma casa
da Rua Redenção, 141 (hoje Avenida João Pessoa, 1 025, em Porto Alegre),
no dia 4
de abril de 1909. O nome - Internacional - era uma homenagem ao Sport
Club Internacional de São Paulo (hoje extinto), do qual Henrique Poppe,
o mais entusiasmado dos irmãos, havia tomado parte. Gols, uma bola e um
apito eles tinham e eram unânimes em afirmar que isso era suficiente para
dar início ao novo clube. Só não havia unanimidade quanto às cores. Uns
queriam vermelho; outros, verde. Os colorados ganharam a votação, e em pelo
menos uma coisa todos concordaram: o Internacional seria o clube de todos,
ricos e pobres, brasileiros e estrangeiros.
O primeiro campo, capinado pelos próprios jogadores, foi o da Rua Arlindo
(atual Avenida Érico Verissimo). Nos primeiros quatro meses, apenas treinos.
Até que Antenor Lemos, fundador, jogador e futuro presidente do clube, tomou
coragem para desafiar o
Grêmio. No primeiro tempo, a equipe, inexperiente, até que agüentou
bem, perdendo só de 2 x 0. Mas, no segundo, tomou mais oito. Final: Grêmio
10 x 0,
no primeiro Gre-Nal da história.
A derrota desanimou os colorados, que ficaram sem jogar durante três meses.
Os porto-alegrenses chegaram a pensar que os meninos desistiriam da aventura.
Mas isso
não aconteceu e no ano seguinte lá estavam novamente em campo os jovens
de camisas vermelhas (na época, listradas). O Inter conquistaria o recém-criado
campeonato da cidade nada menos que cinco vezes seguidas, entre 1913 a 1917,
as quatro primeiras campanhas sem nenhuma derrota. E, a essa altura, já
havia se reabilitado no jogo à parte dos Gre-Nais, goleando o rival por
4 x 1 e 6 x 1, respectivamente em 1915 e 1916. Quando da primeira vitória,
o dirigente Antenor Lemos, sem conseguir conter a emoção, começou a gritar
ao lado do gramado: "Está quebrado o lacre, está quebrado o lacre".
Nos anos de 1920 a 22, Antenor
Lemos chegaria à presidência do clube, e sua administração passional
entusiasmaria o povo vermelho e prepararia terreno para as grandes conquistas
estaduais que estavam por vir.
1926 - 1939 Afirmação estadual
O Campeonato Gaúcho passou a ser disputado a partir de 1919, apenas pelos campeões das diversas regiões do Rio Grande do Sul. Pelo menos até meados dos anos 50, continuaria perdendo - ou, quando muito, igualando-se - em prestígio com o campeonato da cidade de Porto Alegre, que dava ao seu campeão o direito de participar da disputa estadual. Isso significava que, entre Internacional e Grêmio, apenas um disputaria o título gaúcho a cada ano.
O problema (para o Colorado) é que, entre 1919 e 1922, só deu Grêmio no campeonato de Porto Alegre. Em 1923 e 1924, não houve disputa estadual, por conta da revolução gaúcha. E quando a competição retornou, em 1925 e 1926, o Grêmio era de novo o melhor da cidade.
Por isso o Inter teve que esperar tanto por um Campeonato Gaúcho. Ele viria
somente em 1927,
com uma vitória diante do Grêmio Bagé por 3
x 1. O primeiro Inter campeão do Estado formou com: Moeller, Grant e
Meneghetti; Ribeiro, Paulo e Lampinha; Veiga, Barros, Rose, Miro e Nenê.
Desses heróis, dois foram personagens destacados na decisão: o meia Ribeiro,
natural de São Gabriel, e o zagueiro Grant, vindo de Canoas. Antes do jogo,
o grupo inteiro entrou para bater bola, mas esses dois preferiram ir para
a frente da torcida e começar a sacudir suas camisetas, em sinal de paixão
pelo clube. O gesto enlouqueceu a massa, como nunca havia se visto antes.
Afastado do Campeonato Estadual nos anos seguintes, o Inter retornaria para ficar com mais uma taça em 1934. Vitória sobre o Grêmio Atlético Regimento de Pelotas (depois batizado como Farroupilha) por 1 x 0, no dia 16 de dezembro, gol do ídolo Tupã cobrando pênalti. Tupã era um negro magro e alto, que não resistia ao apelo da bola mesmo que fosse uma simples "pelada "na várzea, e suas qualidades eram reconhecidas por todos. Mas, naquela tarde, os adversários representando o 9º Regimento de Pelotas ficaram furiosos com o gol marcado por meio de um pênalti que consideraram roubado (quando faltavam 12 minutos para o término do jogo) e chegaram a sugerir uma nova decisão. Mas a vitória colorada foi confirmada. O time da segunda conquista: Penha, Natal e Risada; Garnizé, Poroto e Levi; Chato, Tupã, Mancuso, Cavaro e Darci Encarnação.
Dois anos depois (1936), o Inter perde a final estadual por 2 x 0 para o Esporte Clube Rio Grande, clube mais antigo do Brasil. Mas, a essa altura, já havia se firmado definitivamente entre os grandes do futebol do estado.
1940 - 1945 Surge o Rolo Compressor
Ivo, Alfeu e Nena; Assis, Ávila e Abigail; Tesourinha, Rui, Villalba, Russinho e Carlitos. Com essa base, o Internacional formou o melhor time gaúcho dos anos 40. Para muitos, o melhor de toda a história do clube - superior, até, ao tricampeão brasileiro, com Falcão, nos anos 70.
Era uma equipe que passava sem dó por cima de todos os adversários e que
ficou conhecida como Rolo Compressor. "Ficávamos irados quando fazíamos
menos de quatro ou cinco gols numa partida", lembra o endiabrado ponteiro
Carlitos, um dos poucos ídolos da época ainda vivo para contar histórias.
Carlitos,
maior artilheiro da história colorada, com 485 gols, era conhecido também
como "Sujeira", pois gostava de irritar os adversários e para isso usava
de todas as artimanhas possíveis. Uma vez, durante uma cobrança de escanteio,
conseguiu prender o calção do goleiro gremista
Júlio em um prego que havia na trave. Quando a bola foi levantada para área
e Júlio quis sair, o calção rasgou.
Aquela inesquecível equipe começou a ser montada exatamente em 1938, ano
da chegada de Carlitos ao clube e quando o centroavante Sylvio Pirillo,
até então astro maior do Colorado, já preparava sua despedida, o que aconteceria
no ano seguinte. A consagração do Rolo, entretanto, deu-se a partir das
conquistas dos campeonatos da cidade e do Estado, em 1940.
No ano seguinte, 1941,
o Inter repetiu a dose. E foi ganhando tudo, campeonato de Porto Alegre
e do Rio Grande do Sul, até 1945. Um incrível hexacampeonato,
a maior seqüência de títulos alcançada no Estado até então.
Craques não faltavam àquele time mágico. Na defesa, havia Alfeu e Nena.
Na linha à frente da zaga, os "três ases", Assis, Ávila e Abigail. Ávila,
um centromédio genial, buscado sifilítico em Pelotas e recuperado no Hospital
da Brigada, para se tornar um dos maiores jogadores do Rolo (e que, depois,
trocou o Inter pelo Botafogo-RJ). E, no ataque, Tesourinha, para muitos
um ponta-direita melhor até que Garrincha; Russinho, um médico de família
abastada que jogava por amor ao futebol e ao Inter; Rui, um baixinho de
Alegrete que corria incansavelmente, tanto que ganhou o apelido de Motorzinho;
e Vilalba, um argentino igualmente de baixa estatura (1,66m), mas dono de
habilidade e velocidade incomuns.
1946 - 1960 Em busca de um novo Rolo
Na segunda metade dos anos 40, o Grêmio volta a equilibrar as disputas. Ganha os campeonatos da cidade e do Estado em 1946 e 1949. O Inter ganharia mais um bicampeonato (1948 e 1949), fechando a Era do Rolo Compressor com chave de ouro: 7 x 0 em um Gre-Nal, no dia 17 de outubro de 1948. A renovação, no entanto, era mais do que necessária. E para comandá-la o clube foi buscar no Regimento de Pelotas um misto de técnico, militar, psicólogo e até macumbeiro: Francisco Duarte Júnior, o Teté.
À sua imagem e semelhança, Teté moldou para o Inter uma nova geração de campeões: o lateral-direito Paulinho (que depois foi para o Vasco e como técnico passou a ser conhecido como Paulinho de Almeida); Florindo (que foi jogar no Botafogo, ao lado de Garrincha, Didi e Nílton Santos); Oreco (zagueiro e lateral-esquerdo, campeão mundial em 1958, como reserva de Nílton Santos, quando já estava no Corinthians); Odorico (craque também na Portuguesa); Salvador (futuro ídolo do Peñarol e do River Plate). E a dupla das tabelinhas, Larry e Bodinho.
Com eles, o Inter ganha mais um tetracampeonato gaúcho, entre 1950 e 1953,
e o título de 1955. Nessa última conquista, Larry e Bodinho marcaram nada
menos do que 48 gols. Larry fez 23, Bodinho 25, um recorde que só foi superado
em 1980, pelo centroavante Baltazar, do Grêmio. Com uma diferença: Bodinho
fez 25 gols em 18 jogos. Baltazar fez 26 em mais de 30 jogos. O time-base
dessa última conquista era: La Paz, Florindo e Oreco; Mossoró, Odorico e
Lindoberto; Luizinho, Bodinho, Larry, Jerônimo e Chinesinho. No ano seguinte,
1956,
o Inter serve de base para a Seleção Brasileira campeã do Pan-Americano
de futebol no México. Teté permaneceria no comando da equipe até 1957. Mas
estava para se iniciar mais um longo período de hegemonia gremista.
1956 - 1968 Um óasis no deserto de títulos
Dos 13 Campeonatos Gaúchos disputados entre 1956 e 1968, o Grêmio faturou doze. Foi penta de 1956 a 1960 (último ano da divisão do Campeonato Estadual por regiões) e hepta entre 1962 e 1968, batendo, assim, o recorde do legendário Rolo Compressor colorado.
Ao Inter, nesses tempos de vacas magras, restou a alegria de um único título
estadual, conquistado em 1961. Foi o ano da Campanha da Legalidade, comandada
pelo governador gaúcho Leonel Brizola para garantir a posse do vice-presidente
João Goulart, logo após a renúncia de Jânio Quadros. Mas também o ano do
ponta-direita Sapiranga,
artilheiro do primeiro Campeonato Gaúcho nos moldes em que conhecemos hoje,
com 16 gols. Sapiranga não era um primor no que se refere à técnica futebolística.
Mas seus dribles, embora simples, resultavam sempre em jogadas perigosas
e, mais do que isso, corria como um diabo. Daí o apelido com o qual se tornou
conhecido dos gaúchos: "Diabo Loiro". Fez duelos que marcaram a história
dos Gre-Nais, contra o lateral gremista Ortunho, e deixou o Inter em 1964
para jogar em outros clubes do Estado, um deles o Floriano, de Novo Hamburgo,
quando foi outra vez goleador do Gauchão, com 13 gols. Mas foi pelo desempenho
em 1961 que Sapiranga marcou sua presença no Inter. Depois daquele ano,
o sufoco voltou. Principalmente porque, àquela altura, o Inter estava mais
interessado na construção
de um estádio - o
Beira-Rio - do que em montar um grande time de futebol.
1967 - 1969 Esperando o Beira-Rio
Nos últimos anos antes da inauguração do Beira-Rio, que se daria em 1969,
as coisas começaram a melhorar para os lados do Colorado. Em 1967, surge
um ídolo: Claudiomiro,
o Bigorna, um centroavante brigador. Naquele mesmo ano, o Torneio Roberto
Gomes Pedrosa vira uma espécie de Rio-São Paulo ampliado, com a presença
de clubes gaúchos, mineiros, baianos e paranaenses. E em sua primeira participação,
o Inter fica em um honroso segundo lugar, somente atrás do campeão, o Palmeiras.
Mais: com um gol de Lambari, o time vence o Corinthians por 1 x 0, tornando-se
a primeira equipe gaúcha a derrotar uma paulista dentro do Pacaembu.
O Santos de Pelé ainda mandava no futebol brasileiro, tanto que conquista
o Robertão de 1968. Mas o Internacional mantém sua regularidade, chegando
novamente em segundo e começando a se firmar no cenário nacional. No ano
seguinte, o clube inaugura
o seu novo estádio, o Beira-Rio. E quebra a série de sete campeonatos seguidos
do Grêmio, conquistando o título estadual com um 0 x 0 no Gre-Nal decisivo.
Um resultado que poderia ter sido melhor naquele 17 de dezembro, pois o
juiz Zeno Escobar Barbosa anulou um gol de Valdomiro. Inconformado com a
anulação daquele gol, o diretor colorado, jornalista e político Ibsen Pinheiro
invadiu o gramado e ameaçou abrir os portões para que a torcida invadisse
o gramado, caso o árbitro errasse outra vez contra o Inter.
1969 - 1973 Aliando força e técnica
Com o estádio pronto e a hegemonia
em casa reconquistada, era hora de o Colorado pensar mais alto. Pensar na
conquista de um título brasileiro, por exemplo. Esse foi o principal objetivo
do clube entre 1969 e 1973. Para isso, o antigo futebol de toques de bola
praticado pela equipe passou a dar lugar a um estilo menos vistoso, porém
vencedor. Jogadores como o clássico Bráulio foram substituídos por outros,
como o ponta-direita Valdomiro, expressão máxima desse estilo de força.
A valorização dessa nova filosofia passou a ser mais sentida a partir de
1971, quando o técnico Dino Sani substituiu o bicampeão Daltro Menezes.
Foi naquele ano que chegou a Porto Alegre, contratado junto ao Penharol
do Uruguai por US$ 100 mil, o zagueiro chileno Elias Figueroa, considerado
até hoje um dos maiores símbolos da história do clube. Nos anos seguintes,
para facilitar a elaboração de um grande time, surgiram nas categorias de
base craques como Falcão e Batista. E Paulo César Carpegiani parecia, enfim,
maduro para colocar a serviço do clube todo o seu belo futebol.
1974 - 1976 A conquista do Brasil
Em 1972, 1973 e 1974, o Internacional (a essas alturas já tetra, penta e hexa campeão gaúcho) sempre esteve entre os quatro melhores colocados do Campeonato Brasileiro. Porém, para a consagração nacional definitiva, ainda faltava alguma coisa. Como um técnico e um goleiro ideais.
Entre 1974 e 1975, Rubens Minelli substitui Dino Sani no comando da equipe.
E o veterano Manga, 37 anos, chega do Nacional do Uruguai para tomar conta
do gol colorado. O ponta-esquerda Lula, ex-Fluminense, completou a base
daquele time, um dos melhores do futebol brasileiro em todos os tempos,
enfim campeão em 1975, ao bater o Cruzeiro, na final, por 1 x 0. Aquele
Inter, para a maioria dos colorados o melhor de toda a história, tinha:
Manga; Cláudio, Figueroa,
Hermínio e Vacaria; Caçapava, Falcão e Paulo César Carpegiani; Valdomiro,
Flávio e Lula. Era um time tão poderoso que na final contra o Cruzeiro atuou
com os dois laterais reservas, Valdir na direita e Chico Fraga na esquerda.
Mas ainda assim conseguiu superar o poderoso Cruzeiro de Minas.
No ano seguinte, 1976, viria o bi, com um 2 x 0 sobre o Corinthians na final. Nessa campanha, o time titular contou com dois novos jogadores a substituir antigos titulares incontestáveis. Marinho Perez voltou da Espanha para a vaga antes ocupada por Hermínio, enquanto no comando do ataque Dario, o "Dadá Peito de Aço", assumia o lugar do veterano Flávio. Foi o ano do surgimento de Batista, que inclusive ocupou a posição de Paulo César Carpegiani na decisão, pois esse, contundido, não disputou a final (e em seguida foi negociado para o Flamengo). E ano, também, da confirmação do reserva Escurinho como o "pé-quente", que sempre entrava em campo nos momentos difíceis, para resolver os problemas da equipe. Era um time de muitos craques, em uma época de ouro.
1977 - 1980 Os anos Falcão
Sem Rubens Minelli (que trocou o Inter pelo São Paulo, onde foi tricampeão brasileiro em 1977), Paulo César Carpegiani (vendido ao Flamengo) e Figueroa (de volta ao Chile), o Inter começa o ano de 1977 lutando contra a decadência que se avizinhava. E apostando todas as suas fichas em um único nome: Falcão.
O time dá adeus ao sonho do tri nacional e, depois, ao Campeonato Gaúcho, enfim vencido pelo Grêmio, após oito anos de hegemonia colorada. Recupera-se no ano seguinte, ganhando o Gauchão em pleno Olímpico, em uma final na qual toda a defesa era formada por reservas. O zagueiro Beliato inclusive já havia sido dispensado pelo clube e teve de ser buscado às pressas no aeroporto para jogar a decisão. Pois ainda assim o Inter venceu, 2 x 1, comandado por Falcão no meio e contando com o oportunismo e objetividade do veterano Valdomiro na frente. Foi ele o autor dos dois gols que, mais do que o título, decretaram o fim da carreira do goleiro Corbo no Grêmio.
No ano seguinte, 1979, ainda com Falcão (e também com o ponta-esquerda Mário Sérgio em grande forma), o Inter levanta seu terceiro Campeonato Brasileiro, e invicto, depois de um memorável duelo contra o excelente Palmeiras de Telê Santana nas semifinais e duas vitórias sobre o Vasco na decisão. Até hoje o clube permanece como o único a ter conseguido vencer um Brasileiro sem uma derrota sequer. O primeiro semestre marca a despedida de Falcão, vendido à Roma, da Itália. E de uma maneira amarga: o time perde o título da Libertadores para o Nacional do Uruguai, empatando em casa (0 x 0) e perdendo fora (0 x 1).
1981 - 1984 Rei em casa
No período entre 1981 e 1984, o Grêmio conquista os títulos mais importantes de sua história: brasileiro (1981), da Libertadores e Mundial (1983). Mas, para desespero dos tricolores, em casa, quem continua mandando é o Inter.
O Colorado fatura os quatro primeiros Campeonatos Gaúchos da década, cada
um de uma maneira diferente. No de 1981, que tirou o tri do Grêmio, o herói
foi Silvinho, que passou por Paulo Roberto, encobriu Leão e fez 1 x 0 em
pleno Olímpico, quando só o empate bastava. O Grêmio chegou à igualdade
- 1 x 1, com Baltazar -, mas não ao título. 1982 foi ano de Geraldão, o
veterano artilheiro que castigou o tricolor marcando todos os gols colorados
nas finais. No ano seguinte (1983), o título veio por antecipação, com vitória
(2 x 0) sobre o São Borja na penúltima rodada e empate (2 x 2) no Gre-Nal
da última. Por fim, em 1984,
bastou empatar novamente (1 x 1, no Olímpico) para ficar com a taça. O time
do tetra (também base da Seleção Brasileira medalha de prata nas Olimpíadas
de Los Angeles, naquele mesmo ano) foi o seguinte: Gilmar, Luiz Carlos Winck,
Aloísio, Mauro Galvão (Pinga) e André Luís; Ademir, Luís Freire e Luís Fernando;
Jussiê, Kita e Silvinho. Na campanha olímpica, destaque para um ex-júnior
colorado que, se em casa não conseguia mostrar um futebol suficiente para
tornar-se titular, quando vestia a camisa amarela da seleção se transformava
num jogador indispensável: Dunga. Mas, cansado de ser reserva no Beira-Rio,
e sem convencer aos dirigentes que poderia ser volante do Inter, acabou
negociado naquele mesmo ano com o Corinthians.
1985 - 1989 Melhor fora do que no Rio Grande
A segunda metade dos anos 80 é, para os colorados, exatamente o inverso do que aconteceu na primeira. Quem pensava que a torcida colorada já havia pagado todos os seus pecados no período de construção do Beira-Rio se enganou. A partir de 1985, o Grêmio-Show do meia Valdo e do técnico Rubens Minelli reassume a hegemonia também em nível estadual, ganhando os dois turnos e negando ao Colorado até a chance de uma decisão. Era só o começo de uma nova fase ruim que estava por vir, na qual o time assistiria ao maior rival chegar ao hexacampeonato.
Mas, se em casa as coisas não andavam tão bem, pelo menos no âmbito nacional o velho Colorado voltou a dar sinais de vida. Em 1987, renovada com a presença do goleiro Taffarel, a equipe chega ao vice-campeonato da Copa União, perdida para o Flamengo de Zico com uma derrota (0 x 1) no Maracanã. No ano seguinte (1989), repete a dose, desta vez como vice do surpreendente Bahia. Mas bom, mesmo, foi ter eliminado o Grêmio nas semifinais, ganhando por 2 x 1, e de virada, naquele jogo que ficou conhecido como o "Gre-Nal do Século". Esse é considerado, pelos colorados, o mais emocionante de todos os clássicos. O vencedor não apenas teria vaga na decisão, contra o Bahia, mas já naquele jogo asseguraria presença na Libertadores. Pois o Inter saiu perdendo por 1 x 0, teve um jogador expulso (Casemiro) ainda no primeiro tempo, mas no segundo virou de forma heróica para 2 x 1, mesmo com um jogador a menos. Nílson, autor dos dois gols, foi o herói da tarde.
A quase-consagração nacional carimba o passaporte para uma nova Libertadores,
em 1989. O time chega bem até as semifinais da competição sul-americana,
em que vence o Olimpia em Assunção por 1 x 0. Com o resultado, podia empatar
em casa que, mesmo assim, estaria classificado para a final contra o Nacional
de Medellín. Mas perdeu - 3 x 2 -, desperdiçou um pênalti no tempo normal
com Nílson e, nos
pênaltis, os paraguaios ficaram com a vaga.
1991 - 2000 Os anos da redenção
A última década do século traz mais quatro Campeonatos Gaúchos para o Internacional:
1991, 1992, 1994 e 1997. No Brasileiro, poucas boas lembranças, como a goleada
sobre o
Grêmio na partida de abertura de 1997 (5 x 2, com direito a show de
Fabiano). Na Copa do Brasil, mais uma conquista (a quarta nacional da história
do clube), com vitória sobre o Fluminense na final, 1 x 0, gol de pênalti
de Célio Silva.
Mas no paraíso, mesmo, os colorados estiveram em 1991. O ano começa com
o rebaixamento do Grêmio à segunda divisão nacional. E termina com o título
gaúcho, impedindo o hepta tricolor, na base dos gols do veterano Lima e
do meia Cuca, dois ex-gremistas. O bi vem como conseqüência da vitória na
Copa do Brasil, com o mesmo time, em que se destacavam o volante Márcio
(ex-Corinthians) e o atacante Gérson, morto em conseqüência da Aids. O time
bobeia em 1993, mas já no ano
seguinte recupera o título gaúcho, tendo como destaques o zagueiro Argel
e o atacante Leandro. No último Gre-Nal, 4 x 1 para o Colorado.
Títulos, novamente, só o de 1997, evitando que o Grêmio igualasse o número
de troféus. Os anos seguintes são de vexame estadual (ao perder o título
de 1998 para o Juventude, o Inter joga fora uma tradição de 44 anos de domínio
da dupla Gre-Nal) e nacional (no Brasileiro de 1999, o time só escapa do
rebaixamento na última rodada). O Dream Team montado para o Brasileiro de
1998 - com Gonçalves, Elivélton e a volta do capitão Dunga
- também não passou de ilusão. E hoje, mais do que grandes nomes, a torcida
colorada aguarda avidamente por uma parceria, que reconduza o Inter às conquistas.