Quarta - 01/11

Brasileiro

21h45 - Fortaleza x Corinthians


00h35 23/06/2005

Paulista investe na base para aparecer

Time campeão da Copa do Brasil conta com sete jogadores formados nas categorias inferiores do clube de Jundiaí.

MBPress

SÃO PAULO - Juninho veio do Atlético-MG, Preto Casagrande foi contratado do Santos, Leandro estava no Lokomotiv Moscou e Tuta defendia o Coritiba. O Fluminense investiu muito para formar a equipe desta temporada. E na decisão da Copa do Brasil, tudo isso foi ofuscado pelos garotos do Paulista.

Ao contrário dos cariocas, a equipe de Jundiaí não foi formada a partir de grandes contratações. Pelo contrário. Dos 11 titulares que o técnico Vagner Mancini utilizou na final da Copa do Brasil, sete iniciaram a carreira no estádio Jaime Cintra (as exceções são os zagueiros Dema e Anderson, o meia Juliano e o atacante André Leonel).

O curioso é que no ano passado, quando o Paulista chegou à decisão do Campeonato Paulista (foi superado pelo São Caetano e ficou com o vice-campeonato), a equipe de Jundiaí também contava com sete jogadores formados em casa entre os titulares da decisão.

Estes dados mostram a eficiência das categorias de base do clube de Jundiaí. E tudo baseado na política de compensar o trabalho dos atletas. "Aqui no Paulista, o jogador conquista as coisas de acordo com o que apresenta em campo. A bola é o maior advogado dos atletas", contou o vice-presidente Roberto Rappa.

As palavras do dirigente podem ser traduzidas em números. Um jogador dos juniores do Paulista recebe R$ 360. Quando sobe para os profissionais, este valor sobe para R$ 600. E se o atleta for relacionado para uma partida, recebe novo aumento para R$ 1 mil.

E o maior exemplo do sucesso desta política é o meia Márcio Mossoró, grande destaque da edição 2005 da Copa do Brasil. Formado nas categorias de base do clube de Jundiaí, o jogador despertou interesse de algumas das principais equipes do futebol brasileiro.

Se sair do Paulista, contudo, Mossoró precisará superar um estigma. Os jogadores negociados pelo clube de Jundiaí não costumam se dar bem em outras equipes.

No atual elenco, Lucas, Julinho, Fábio Gomes e Amaral já viveram experiências longe de Jundiaí. Nenhum deles, contudo, conseguiu fazer sucesso sem a camisa do Paulista e todos retornaram para o Jaime Cintra.

O único que conseguiu se dar bem longe do Paulista foi o volante Amaral. Ele se transferiu para o Ituano em 2003 e ajudou o time do interior a conquistar a Série C do Campeonato Brasileiro.

Outro que fez sucesso longe do Paulista foi o meia Marcinho. Só que o jogador não se destacou assim que deixou a equipe de Jundiaí e se transferiu para o Corinthians. Ele só brilhou depois do término de sua passagem pelo Parque São Jorge, quando foi para o São Caetano.

Até no banco

O investimento nas categorias de base do Paulista não acontece somente na equipe titular. O técnico da equipe campeã da Copa do Brasil, Vagner Mancini, também começou sua carreira no Galo.

Ele foi contratado para ser jogador do Paulista e assumiu o comando da equipe no dia 17 de maio de 2004, quando Zetti deixou a equipe e foi para o Guarani.

A Copa do Brasil ainda é o primeiro título da carreira do treinador Mancini. Como atleta, o comandante vencedor do torneio nacional havia faturado o Campeonato Gaúcho e a Copa Libertadores de 1995 (pelo Grêmio) e Campeonato Cearense de 2002 (pelo Ceará).

"Eu não tive um período de transição. Não fiz estágio, não fui auxiliar e precisei aprender com o tempo. Lidei com muitas situações que eu não estava preparado e achei que eu demoraria muito tempo para me firmar. Mas felizmente, me surpreendi de maneira positiva", contou Mancini.




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