17h59 02/05/2004
Palmeiras goleia e complica rival
Alviverde aproveita erros do rival, marca 4 a 0, encerra tabu de quatro anos e aumenta crise no Corinthians. MBPress
SÃO PAULO - Quatro anos, uma amarga experiência na segunda divisão e muitas gozações depois, o Palmeiras finalmente deu a festa que a torcida esperava e simplesmente atolou o Corinthians na crise, ao golear o rival por 4 a 0, na tarde deste domingo, pela quarta rodada do Campeonato Brasileiro.
Com isso, o alviverde deixa a zona de rebaixamento do Nacional e ainda afunda o arquirival na crise, às vésperas de o time definir o destino na Copa do Brasil. Alvo de críticas da torcida, o técnico Oswaldo de Oliveira começará a ser o centro de muitos boatos nos próximos dias sobre seu futuro na equipe.
No comando do Corinthians, o treinador teve a sexta derrota em dez jogos, com apenas três vitórias e um empate. O revés deste domingo deixa o alvinegro com apenas três pontos e ameaçado de terminar a rodada na zona de rebaixamento. Na última quarta-feira, o time também foi massacrado pelo Grêmio por 4 a 0, fora de casa.
Já o Palmeiras vai a cinco pontos na classificação e comemora o primeiro triunfo no Nacional. Ao mesmo tempo, o time ainda teve o recém-contratado Jardel assistindo ao clássico nas tribunas do Morumbi. A festa não podia ser melhor para o torcedor.
Ironicamente, o início da derrota deste domingo foi propiciado justamente pelo jogador mais respeitado pelo treinador no elenco. Símbolo da única vitória do time na competição, o volante Rincón experimentou o outro lado da moeda e marcou o gol contra, que abriu o placar, aos 22min.
Até o momento, o time estava melhor na partida e perdeu, pelo menos, cinco boas chances de marcar. Após o gol contra de Rincón, em cobrança de escanteio, o Corinthians ficou perdido em campo e o Palmeiras não teve problemas para marcar o segundo, quatro minutos depois, com Pedrinho.
Na etapa final, o alviverde só precisou de mais dois ataques para enterrar os sonhos do Corinthians. Aos 7min, Muñoz recebeu de Vágner Love e marcou o terceiro. Depois, aos 31min, foi a vez de Vágner Love receber o passe do colombiano, para enfiar de vez o arquirival em uma crise sem precedentes.
Após o clássico, o Palmeiras volta a campo neste sábado para enfrentar a animada Ponte Preta, e o Corinthians terá pela frente o Atlético-MG, fora de casa, no próximo domingo.
Antes disso, as duas equipes jogam na quarta-feira pela Copa do Brasil. O alviverde recebe o Goiás, depois do empate por 1 a 1 no jogo de ida, enquanto o alvinegro visita o Fortaleza, com a primeira partida empatada sem gols.
O jogo O clássico começou quente e, logo em três minutos, Daniel Martins e Rodrigo receberam cartões amarelos. Com o árbitro controlando os ânimos, o Corinthians passou a ter um maior domínio no meio e criava suas chances, mas Wendell e Rodrigo trataram de finalizar muito mal.
Aos 9min, Coelho cobrou falta com perigo pela linha de fundo no bico da área. No minuto seguinte, foi a vez de Gil receber passe de Wendell, invadir a área, mas mandar para fora. Mesmo com o domínio, o alvinegro mostrou instabilidade e, em uma jogada na área, Renato empurrou Ânderson, reclamando do posicionamento do companheiro.
A partir daí, o Palmeiras equilibrou as ações e o time teve boa chance aos 19min, em cruzamento de Pedrinho, que a zaga afastou. Três minutos depois, em nova bola alçada à área, o alviverde abriu o placar. Corrêa cobrou escanteio, o meia Rincón desviou contra seu próprio gol e matou o goleiro Fábio Costa.
Em péssima fase, o Corinthians sentiu o golpe e ficou cheio de espaços na zaga. Em um rápido contra-ataque, o Palmeiras não teve dificuldades para ampliar. O meia Pedrinho foi lançado em profundidade, invadiu a área e, livre, tocou na saída de Fábio Costa, para atordoar ainda mais o arquirival.
Com o adversário perdido, o Palmeiras poderia ter matado a partida aos 30min, quando Lúcio fez jogada pela lateral e cruzou para Vágner Love, mas o artilheiro chutou mais a grama e perdeu uma grande oportunidade.
Abalado, o alvinegro recuou e conseguiu se acalmar. O time voltou a arriscar em chutes de fora da área com Wendell, Gil e Renato, mas os três erraram. Na saída para os vestiários, Rincón e Fábio Costa discutiram com os repórteres, que estavam na beira do gramado, mas a confusão foi abafada.
Confuso, o Corinthians continuou dando muitos espaços no segundo tempo e o Palmeiras só precisou encaixar o contra-ataque para chegar ao terceiro gol. Logo aos sete minutos, Vágner Love recebeu na entrada da área e apenas rolou para Muñoz, que bateu na saída de Fábio Costa.
Outra vez, o Palmeiras recuou e aguardou o ineficaz ataque do arquirival. Aos 11min, Gil recebeu na entrada da área e chutou nas mãos de Marcos. Seis minutos depois, o alviverde ameaçou em jogada de Muñoz pela direita, que cruzou e Vágner Love finalizou fraco, facilitando a defesa do goleiro.
Mesmo tendo espaços, o Corinthians foi completamente incapaz de pressionar o rival. Errando passes de forma demasiada e sem mostrar qualquer jogada ensaiada, o time só chegava em jogadas de bola parada, mas que tiveram pouco sucesso.
Com o rival acéfalo, o Palmeiras só precisou de mais uma jogada para encerrar a goleada. Aos 31min, Muñoz puxou contra-ataque e tocou para Vágner Love, que bateu de primeira e finalizou o tabu de quase quatro anos sem vitórias do Palmeiras no maior clássico paulista. O time não vencia desde 8 de junho de 2000, quando eliminou o Corinthians na Copa Libertadores.
CORINTHIANS 0X4 PALMEIRAS
Corinthians Fábio Costa; Coelho, Ânderson, Váldson e Renato; Wendell, Rincón (Wilson), Piá e Rodrigo (Rosinei); Jô (Marcelo Ramos) e Gil Técnico: Oswaldo de Oliveira
Palmeiras Marcos; Daniel Martins (Baiano), Nen, Glauber e Lúcio; Marcinho, Magrão (Diego Souza), Corrêa e Pedrinho (Alceu); Muñoz e Vágner Love Técnico: Jair Picerni
Local: estádio Morumbi, em São Paulo (SP) Árbitro: Paulo César de Oliveira (Fifa-SP) Auxiliares: Ednílson Corona (SP) e Márcio Luís Augusto (SP) Cartões amarelos: Rodrigo e Wilson (C); Daniel Martins (P) Gols: Rincón (contra), aos 22min, e Pedrinho, aos 26min, do primeiro tempo; Muñoz, aos 7min, e Vágner Love, aos 31min do segundo tempo