21h38 01/09/2006
Duelo da Vila testa equipes solidárias
Santos e Palmeiras distribuem gols entre o elenco para suprir carência ofensiva. Improvisação é saída de Luxemburgo e Tite. Evandro César Lopes e Bruno Thadeu, especial para o Pelé.Net
SANTOS - A importância do gol não se tornou uma questão secundária para Santos e Palmeiras. O problema é encontrar os personagens apropriados para encurtar o caminho às redes, algo que as duas equipes não oferecem para o clássico deste domingo, às 18 horas, na Vila Belmiro, pelo Campeonato Brasileiro.
O rendimento ofensivo dos dois times ficou aquém do esperado no meio de semana e ambos acumularam resultados negativos. O Peixe caiu diante do Atlético-PR, enquanto o Verdão não passou de um empate ante o Figueirense, no Parque Antarctica. Agora, as duas equipes tentam se recuperar dos tropeços e, desta vez, apostam em atletas armadores para executar a tarefa geralmente atribuída aos atacantes.
A deficiência dos homens de frente é notória entre as duas equipes paulistas. Neste Brasileirão, o time da Vila fez 35 gols, sendo 19 deles marcados por atletas do meio-campo para trás, o que corresponde a 55% dos tentos.
A contribuição ao ataque é ainda maior com a equipe alviverde. Dos 38 gols, os defensores e jogadores de meio respondem por 22, 58% dos gols do Palmeiras. Pelo Santos, a missão de fazer gol já foi cumprida por 13 atletas; no Verdão, o "rodízio de goleadores" é ainda maior: 16 atletas marcaram no Nacional-06.
Irregular no setor avançado desde o início da competição, o Palmeiras decidiu investir no sistema 3-6-1 após a chegada de Tite ao comando. A nova formação trouxe resultado e a equipe se livrou da zona de risco do Nacional, alcançando o bloco dos classificáveis à Sul-Americana.
"O importante não é quantidade de atacantes com o qual o time se posta de maneira fixa. Quando atacamos, chegamos a aparecer com até seis jogadores na frente. Esta movimentação é mais importante do que o número de atletas em cada setor", argumenta Tite.
Artilheiro da equipe, com seis gols, Enílton está suspenso para o compromisso na Baixada Santista. Sem sua principal referência ofensiva, o técnico palmeirense vislumbra a entrada do meia Marcinho na função. Improvisado, Marcinho logo aponta suas virtudes e defeitos como jogador de ataque.
"Comigo no ataque o time ganha mais velocidade. O Enílton é um atacante que joga mais dentro da área, apesar de se movimentar bastante também, no entanto ele joga mais com a força, participa de todas as divididas. Eu sou um pouco mais técnico", analisou.
Inconformado com a apatia de seus avantes, que conseguiram apenas um gol em quatro jogos, o técnico do Santos, Vanderlei Luxemburgo, não descarta improvisar o meia Rodrigo Tabata como um falso atacante. A carência de gols no setor ocorreu por "forças do destino", avaliou Luxa, que não esperava perder tantos atacantes por lesões.
"Ninguém esperava que o Reinaldo, Geílson e Fabiano se contundissem no decorrer da competição. Quando um começava a fazer gols, surgia a lesão e afastava. Isso não estava nos nossos planos. Acrescente o Jonas, que voltou de um longo tempo parado. Trouxemos atletas jovens e que não ainda podem ser cobrados como os salvadores. O Wellington Paulista, por exemplo, veio do Juventus e não está pronto para levar o time. Justamente por isso é que nós temos atletas experientes para dar suporte a esses novos jogadores", argumentou Luxa.
Nas últimas cinco partidas, o Peixe teve três formações diferentes. Detalhe: o principal goleador da equipe, Rodrigo Tiuí, com seis gols, não esteve relacionado entre os onze em nenhuma destas partidas. Embora tenha os números a seu favor, Tiuí preferiu não polemizar quanto à sua ausência entre os relacionados para os compromissos.
"Às vezes, os atacantes não marcam, mas abrem espaço para a criação de jogadas ofensivas. O ataque do Santos voltou a marcar depois de três jogos, mas o que importa é que estamos na segunda colocação e próximos do São Paulo", analisou Rodrigo Tiuí, autor do gol alvinegro na derrota para o Furacão, por 2 x 1, na quarta.
Temendo a disparada do São Paulo na liderança, que abriu quatro pontos de vantagem, o Santos enfrenta o Palmeiras sem os defensores Domingos e Heleno, que receberam o terceiro amarelo no duelo contra o Atlético-PR. Para o clássico na Vila, o Peixe deverá manter o esquema 3-5-2, com Ronaldo Guiaro de volta à zaga. Ávalos sai. Na vaga deixada por Domingos, Luiz Alberto será o substituto.
Apresentado oficialmente no início da semana, o experiente meia-esquerda André Luiz será relacionado para o jogo, porém, Luxa não definiu se o jogador estréia ou não frente ao Palmeiras. "Ele chegou numa condição física bem feia, mas melhorou bastante nesses dias. O André concentra para essa partida, mas somente horas antes do jogo que eu irei escolher os onze", comunicou o treinador.
Já o Verdão coleciona mais problemas. Suspensos, o beque Dininho e o avante Enílton estão fora, enquanto Nen, Wendel e Valdívia são dúvidas. Os três atletas sentem dores musculares e serão reavaliados neste sábado pelo departamento médico do clube.
SANTOS X PALMEIRAS
Data: 03/08/2006 (domingo) Horário: 16 horas Local: estádio Vila Belmiro, em Santos Árbitro: Leonardo Gaciba da Silva/RS Assistentes: Altemir Hausmann/RS e Paulo Ricardo Silva Conceição/RS
Santos Fábio Costa; Luiz Alberto, Ronaldo Guiaro (Ávalos) e Manzur; Denis, Maldonado, Cléber Santana, André e Kléber; Rodrigo Tabata (Rodrigo Tiuí) e Leandro Rodrigues. Técnico: Vanderlei Luxemburgo.
Palmeiras Diego, Nen (Thiago Gomes), Daniel e Alceu, Paulo Baier, Wendel (Marcinho Guerreiro), Francis, Juninho Paulista, Edmundo e Michael; Marcinho. Técnico: Tite.