21h32 09/09/2006
Polêmicas ofuscam vitória do Palmeiras
Edmundo e Juninho reclamaram por terem sido substituídos neste sábado e o camisa 7 ainda reclamou abertamente de seus companheiros por não terem tocado a bola. Do Pelé.Net
SÃO PAULO - O Palmeiras venceu o São Caetano por 3 a 1 neste sábado e encerrou uma série de três rodadas sem triunfar no Campeonato Brasileiro (a última delas, uma goleada por 5 a 1 sofrida para o Santos). A reação e a festa do Parque Antarctica lotado, porém, foram ofuscados por reações polêmicas de dois jogadores alviverdes. Substituídos durante o período complementar, os meias Juninho Paulista e Edmundo mostraram insatisfação por terem saído. E o camisa 7 ainda reclamou da falta de coletividade de seus companheiros.
"Fiz um gol no primeiro tempo, mas a inveja não me deixou marcar o segundo", disparou Edmundo, ainda no gramado do Parque Antarctica. A declaração transformou o atacante, escolhido para fazer o exame antidoping depois da partida, no centro das atenções dos jornalistas nos vestiários. Depois de muita espera por uma explicação do camisa 7, contudo, o meia alviverde deixou o local sem conversar com a imprensa e evitou aumentar a polêmica.
A postura sisuda e contida de Edmundo depois do exame antidoping, entretanto, não foi suficiente para esconder a instabilidade que vive o atual elenco do Palmeiras. O atacante teria reclamado depois da partida porque Juninho Paulista prendeu demais a bola.
"São dois caras experientes, com grande valor e grande influência no elenco do Palmeiras. Por tudo que eles já viveram no futebol, é normal um cobrar o outro em campo. Afinal, todo mundo aqui quer vencer e todo mundo que fazer o melhor para ajudar o Palmeiras. Mas o importante é que são coisas do jogo, não uma crise que saia de lá", garantiu, visivelmente incomodado, o goleiro Diego Cavalieri.
Assim como o goleiro, o técnico Tite se apressou em negar um possível racha no elenco do Palmeiras: "Às vezes, no calor da partida, num processo de recuperação e com necessidade de vitória, é compreensível que a busca pelos resultados faça esse tipo de coisa acontecer".
A preocupação de Tite foi não deixar o comportamento político de seus atletas subjugar a vitória do Palmeiras neste sábado. "Não vou ofuscar uma grande partida com esse assunto. Foi um jogo muito difícil, muito disputado, ainda mais porque tínhamos perdido para o Santos [5 a 1] na rodada anterior. Sabemos que essa reação seria complicada e nós conquistamos. Não temos por que falar de outra coisa", desviou o treinador alviverde.
Porém, nem o discurso apaziguador de Tite foi suficiente para esconder as reações de Juninho Paulista e Edmundo quando foram substituídos neste sábado. O camisa 10 do Palmeiras deu lugar ao volante Marcelo Costa aos 28min do segundo tempo, saiu visivelmente irritado e jogou uma garrafa d'água no gramado. Mais tarde, aos 43min, Edmundo demonstrou insatisfação ao ser trocado pelo atacante Roger.
"Ninguém gosta de ser substituído e isso é normal. Todo mundo quer ficar em campo e cada um tem uma reação diferente quando sai. O mais importante é que o grupo todo está focado e todo mundo quer ajudar o Palmeiras a subir na tabela. O fato de eles quererem continuar em campo mostra isso", ponderou o lateral-esquerdo Chiquinho.
Esta foi a segunda vez em que uma substituição motivou reação contundente de Edmundo nesta temporada. O atacante do Palmeiras havia reclamado muito ao sair de campo para a entrada de Reinaldo, na derrota por 2 a 1 para o Flamengo, no dia 31 de maio. Por conta disso, foi até afastado pelo técnico Tite e não encarou o Atlético-PR na rodada seguinte.
Neste sábado, Tite evitou comentários sobre a nova reação intempestiva de Edmundo: "Não vou falar especificamente sobre nenhum atleta. A situação do Palmeiras está acima de qualquer coisa e as coisas serão resolvidas internamente. Não quero aprovações, e sim resultados".
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