18h10 17/09/2006
Palmeiras pára na trave e no Cruzeiro
Alviverde pressionou a equipe mineira, especialmente no 2º tempo, porém não conseguiu evitar derrota por 1x0 em BH. Do Pelé.Net
BELO HORIZONTE - O Cruzeiro, que entrou em campo com o peso da pior campanha do Brasileiro, após o Mundial da Alemanha, venceu o Palmeiras, que ao contrário ostentava a melhor performance no período, por 1 x 0, neste domingo, no Mineirão, em jogo bem disputado. Embora sem os craques de antigamente, a Raposa e o Verdão não arranharam a tradição dos dois clubes, que já foram chamados de Palestra e que sempre fizeram jogos emocionantes.
Torcedores de Cruzeiro e Palmeiras se envolveram em uma briga na tarde deste domingo, do lado de fora do Mineirão, antes do jogo entre os dois clubes, pela 24ª rodada do Brasileiro.
Pelo menos dois ônibus de torcedores do time paulista foram apedrejados, tendo vidros quebrados, de acordo com a Polícia Militar de Minas Gerais.Dez pessoas foram atendidas no posto médico do Estádio e os dois casos mais graves foram encaminhados para o Hospital Municipal Odilon Behrens.
De acordo com repórteres que chegavam ao Estádio para a cobertura da partida, o conflito envolveu integrantes da Máfia Azul e da Mancha Verde e aconteceu próximo ao estacionamento do Mineirinho, ginásio que faz parte do complexo do Mineirão. Há uma rivalidade histórica entre as torcidas dos dois clubes, que um dia já foram Palestra.
Alguns torcedores dos dois times, com cortes e feridas provocadas por pedradas foram atendidos no departamento médico do Mineirão. De acordo com o major da PM, Leandro Bethônico, o caso mais grave registrado foi de uma torcedora cruzeirense, não identificada, que teve de receber atendimento médico. Leia mais
BRIGA ANTES DO JOGO
A partida foi muito ofensiva, especialmente no primeiro tempo, com chances de gols criadas de lado a lado. Não por acaso, os goleiros Diego e Fábio brilharam com grandes intervenções e foram personagens fundamentais no jogo.
Com o resultado, o Cruzeiro voltou a vencer no Brasileiro, após três jogos, e quebrou também um outro jejum, o de não vencer no Mineirão. Isso não acontecia desde 12 de julho, quando a Raposa havia batido o Corinthians. A vitória celeste foi importante também para evitar que o time fosse ultrapassado pelo Palmeiras, que, em função da boa campanha após o Mundial da Alemanha, entrou em campo neste domingo a apenas um ponto dos donos da casa.
A derrota para o Cruzeiro, evitou que o Verdão conseguisse a sua segunda vitória no returno do Brasileiro. A única em cinco jogos, foi sobre o São Caetano, por 3 x 1. Antes disso, o time palmeirense havia sido goleado pelo Santos, por 5 x 1, e empatado duas vezes, contra Ponte Preta e Figueirense, ambas por 1 x 1. Dessa forma, o Verdão, que continua com 30 pontos, segue sem conseguir entrar no grupo dos nove melhores do torneio, o que seria um feito inédito.
O atacante Edmundo, que durante a semana deu entrevista em São Paulo, dizendo que ainda guarda mágoas do Cruzeiro, por causa de sua passagem pela equipe mineira em 2001, teve pelo menos duas chances para mudar a história do jogo. Foram dois gols, daqueles chamados de feitos, desperdiçados por ele, um em cada tempo. Além disso, mandou duas bolas na trave, em cobranças de faltas.
Pelo lado celeste, Wagner, que atuou como atacante, formando dupla com Geovanni, já que Élber estava contundido, também desperdiçou oportunidades para ampliar o marcador, o que ajudou a tornar dramático o final da partida para a equipe cruzeirense, especialmente pelo fato de ter jogado, desde os 21 min do segundo tempo, com um jogador a menos, por causa da expulsão de Martinez.
O Cruzeiro, que chegou a 34 pontos, volta a jogar na próxima quinta-feira, contra o Flamengo, no Maracanã, quando tentará uma seqüência de triunfos, o que ainda não aconteceu depois da Copa do Mundo. No mesmo dia, e também como visitante, o Palmeiras busca a sua recuperação diante do Santa Cruz, no Arruda, em Recife.
O jogo
Duas equipes, que fizeram história, por causa dos seus grandes times que jogavam um futebol bonito e eficiente, Cruzeiro e Palmeiras mostraram, no início do jogo deste domingo, pelo menos a mesma vocação ofensiva de outros tempos. Sem a mesma qualidade técnica do passado, os jogadores da Raposa e do Verdão entraram em campo determinados a atacar, o que tornou o jogo interessante.
Prova disso é que nos oito minutos iniciais, cada time teve uma grande oportunidade de gol. O palmeiras ameaçou primeiro, aos 6min, quando Paulo Baier entrou na diagonal e encobriu, com um toque, o goleiro Fábio. A bola ia entrando, mas o zagueiro Thiago Heleno tirou em cima da linha. Dois minutos depois, foi a vez de Wagner quase marcar. Jogando como atacante, por causa da ausência de Élber, contundido, ele aproveitou um passe errado de Dininho, desviou do goleiro Diego, mas a bola foi colocada para escanteio.
Aos poucos, o Cruzeiro foi assumindo mais a iniciativa do ataque, empurrando o Palmeiras para o seu campo. Nesse momento do jogo, o Verdão tinha dificuldades para sair jogando, enquanto o Cruzeiro seguia construindo boas jogadas ofensivas. Aos 16min, o "centroavante" Wagner cabeceou uma bola no travessão e, no rebote, o zagueiro Thiago Heleno bateu e um defensor palmeirense evitou o gol.
Aos 25min, a falta de um atacante de área prejudicou a Raposa. Geovanni fez boa jogada pela esquerda e tocou certo para o meio, mas não tinha nenhum jogador celeste para empurrar a bola para o gol. As chances celestes continuavam a ser criadas e, aos 27min, o árbitro Giulliano Bozzano marcou pênalti de Wendell em Élson. Na cobrança, um minuto depois, Geovanni converteu, com a bola passando sob o corpo de Diego.
O gol celeste esquentou novamente o jogo. O Cruzeiro seguia atacante e o Palmeiras voltou também a ameaçar o gol do time mineiro. Aos 31min, Fábio Santos arriscou de longe e Diego defendeu. No minuto seguinte, Edmundo chutou e foi a vez de Fábio pegar. Aos 35min, o atacante palmeirense desperdiçou a chance do empate. Após falha do estreante zagueiro André Luís, Edmundo ficou livre na cara de Fábio, mas demorou a chutar e quando o fez, o goleiro defendeu.
Por causa desse lance, Juninho, que estava livre, reclamou com gestos e o "Animal" não fez por menos, respondendo na mesma moeda. Na semana passada, os dois jogadores já tinham se desentendido. A resposta cruzeirense aconteceu, aos 37min, quando Wagner deixou Gabriel livre e ele bateu bem, mas Diego pegou.
No primeiro tempo, os dois goleiros se destacaram com um verdadeiro show de defesas, sendo que Fábio fez cinco intervenções difíceis, contra quatro de Diego. No quesito finalizações, o Cruzeiro finalizou 14 vezes, contra oito do Palmeiras. "Erramos na finalização e isso não pode acontecer, pois os caras começaram a ameaçar", afirmou Fábio Santos. "Faltou o gol", reagiu Edmundo, com poucas palavras.
Os dois times voltaram com as mesmas formações para o segundo tempo, mas o ritmo caiu um pouco. Tanto Cruzeiro como Palmeiras continuavam tentando chegar ao ataque, só que já não encontravam tantas facilidades. Os sistemas defensivos dos dois lados aperfeiçoaram a sua marcação, impedindo as seguidas oportunidades de finalizações para os atacantes e aliviando um pouco a tarefa dos goleiros Fábio e Diego.
Aos 10min, Edmundo desperdiçou uma grande chance de gol. Ele recebeu a bola livre, na área celeste, e tocou por cima do goleiro Fábio, mas encobriu também o travessão. Pouco depois foi a vez de Wendell, aos 18min, desperdiçar outra grande oportunidade para empatar. Antes desse lance, o Cruzeiro já havia perdido o zagueiro Gladstone, passando mal, obrigando a improvisação do lateral Júlio César como terceiro defensor.
Leandro, que voltou a jogar após quatro meses por causa de uma contusão muscular, cansou e foi substituído por Sandro. Dois minutos depois, o Cruzeiro ficou com um jogador a menos, por causa da expulsão de Martinez, por uma falta cometida sobre Edmundo. Ele deixou o campo sem esconder sua irritação. "O Edmundo como sempre ele grita, quando eu relei na bola ele gritou. Eu não relei nele, ele expulsou errado", protestou.
Para aproveitar o fato de estar com um jogador a mais, o técnico Tite tirou Dininho, aos 25min, e colocou o atacante Roger, para buscar o empate. Aos 28min, em cobrança de falta de Edmundo, a trave salvou o Cruzeiro do empate. Aos 39min, Marcinho, de cabeça, colocou a bola na trave de novo e aos 42, novamente com Edmundo, em outra cobrança de falta. No final do jogo, o Cruzeiro se defendia de qualquer jeito e o Verdão tentava pressionar, em busca do empate.
CRUZEIRO 1 X 0 PALMEIRAS
Cruzeiro Fábio; André Luis, Gladstone (Júlio César) e Thiago Heleno; Gabriel, Fábio Santos, Martinez, Élson (Léo Silva) e Leandro (Sandro); Wagner e Geovanni. Técnico: Oswaldo de Oliveira
Palmeiras Diego; Dininho (Roger), Nen e Alceu; Paulo Baier, Roger Bernardo, Wendell, Juninho (Valdívia) e Chiquinho (Amaral); Edmundo e Marcinho Técnico: Tite
Data: 17/9/2006 (domingo) Local: Mineirão, em Belo Horizonte Público: 11.844 pagantes Renda: R$ 127.806 Árbitro:Giulliano Bozzano Assistentes: Marrubson Melo Freitas e Ênio Ferreira de Carvalho Cartões amarelos: Nen, Alceu, Dininho (Palmeiras); Élson, Gladstone, Martinez, Fábio Santos (Cruzeiro) Cartões vermelhos: Martinez (Cruzeiro) Cartões Gols: Geovanni, aos 28min do primeiro tempo