00h01 19/10/2006
Verdão perde no Rio e soma frustrações
Time paulista tinha chance de chegar mais perto da zona da Sul-Americana e se afastar da degola, mas não atingiu metas. Do Pelé.Net
SÃO PAULO - O jogo desta quarta-feira, na abertura da 30ª rodada do Campeonato Brasileiro, era determinante para a situação de Vasco e Palmeiras na tabela de classificação da competição nacional. E nesse contexto, a equipe carioca tem muitos motivos para comemorar o resultado. Em São Januário, o time da casa superou os paulistas por 3 a 0 e diminuiu a desvantagem para a zona de classificação para a Copa Libertadores de 2007. Além disso, impôs uma grande frustração ao clube alviverde.
"Muita gente duvidou da nossa qualidade, mas o nosso potencial está aí. Fizemos um jogo contra uma grande equipe e tivemos uma atuação convincente. Isso mostra que temos condições de chegar à Libertadores", comemorou o treinador Renato Gaúcho. O time carioca manteve a sexta posição do Campeonato Brasileiro, agora com 47 pontos (dois a menos que o Santos, último entre os que conseguiriam vaga no torneio continental do ano que vem).
O atual momento é realmente o principal argumento do Vasco em busca de uma vaga na Libertadores. O time carioca acumulou nesta quarta a terceira vitória consecutiva no Campeonato Brasileiro e não sofreu um gol sequer nesses jogos.
A ascensão que o Vasco teve nesta quarta-feira foi exatamente o oposto da situação do atacante palmeirense Edmundo. O atacante chegou a São Januário precisando de um gol para se igualar ao ex-flamenguista Zico na condição de terceiro maior artilheiro da história do Campeonato Brasileiro. Porém, o camisa 7 do time paulista desperdiçou uma penalidade e sepultou - além da possibilidade de recorde pessoal - a reação da equipe alviverde.
O erro de Edmundo é a representação perfeita para a frustração que a derrota impôs ao Palmeiras. A equipe do Parque Antarctica ratificou seu momento amplamente negativo como visitante e acumulou o sétimo jogo consecutivo sem triunfar longe de seus domínios (desde a vitória por 3 a 1 sobre o Botafogo, no dia 13 de agosto).
Mal longe de seus domínios, o Palmeiras não conseguiu aumentar sua distância para a zona de rebaixamento (o time do Parque Antarctica tem 37 pontos, cinco a mais que o rival Corinthians, que tem a melhor campanha entre os que estão na zona de descenso). Além disso, a equipe alviverde continua na 14ª colocação da tabela do Brasileiro e perdeu a oportunidade de ingressar (ainda que momentaneamente) na faixa de classificação para a Copa Sul-Americana.
"As coisas não funcionaram como a gente tinha planejado, principalmente no segundo tempo. O Palmeiras até criou, principalmente antes do intervalo, mas tomou um gol logo que voltou e não conseguiu reagir", analisou o ala-direito Paulo Baier.
Por terem se enfrentado nesta quarta-feira, Vasco e Palmeiras não entrarão em campo no próximo fim de semana. O time paulista só volta a atuar na quarta-feira (dia 25 de outubro), quando disputará o clássico local contra o Corinthians no Morumbi. Com um dia a mais de descanso, os cariocas também terão um clássico pela frente e duelarão contra o Flamengo na quinta, no Maracanã.
O jogo Com a presença de Dininho ao lado de Nen e Alceu, o técnico Marcelo Vilar reeditou nesta quarta-feira o esquema 3-5-2 no Palmeiras (formação que ele só havia utilizado em seu primeiro jogo, na vitória por 3 a 1 sobre o líder São Paulo). Em vez de aumentar a liberdade dos alas e a mobilidade da equipe paulista, contudo, o desenho do time alviverde ofereceu domínio ao Vasco no primeiro tempo.
"Nós ficamos com um homem a menos no meio-campo. Eles entraram em campo num 4-4-2 e a nossa equipe acabou perdendo terreno. Assim ficou complicado para conseguirmos armar o jogo", reconheceu o atacante palmeirense Edmundo.
Superior taticamente e com mais iniciativa, o Vasco também contou com a falta de mobilidade do Palmeiras para dominar o confronto desta quarta. "Nós até conseguimos marcar com qualidade, mas aí faltou movimentação para encaixar os contra-ataques. A transição da bola da defesa para o ataque foi muito lenta e deu tempo para eles se recuperarem", avaliou o treinador do time visitante, Marcelo Vilar.
O Vasco ainda criou as duas melhores oportunidades para abrir o placar antes do intervalo. Aos 19min, Ramón tabelou com Jean, invadiu a área com a bola dominada e chutou forte. Diego Cavalieri caiu no canto direito e defendeu parcialmente, mas Jean não conseguiu aproveitar o rebote. Três minutos depois, Ramón cobrou falta da intermediária e acertou a trave esquerda de Diego. Na sobra, Leandro Amaral bateu de primeira e mandou novamente no mesmo poste.
"Não foi um excelente jogo no primeiro tempo, mas nós tivemos mais iniciativa e as melhores oportunidades. Acho que o empate sem gols não foi um resultado justo, porque nós deveríamos ter terminado em vantagem", analisou o treinador vascaíno Renato Gaúcho.
E se o placar da etapa inicial não fez justiça à expectativa de Renato Gaúcho, os primeiros minutos do período complementar corrigiram isso. O Vasco abriu o marcador logo aos 8min, em falta que o volante Amaral bateu com muita força da intermediária. A bola desviou no peito de Leandro Amaral no meio do trajeto e enganou Diego Cavalieri.
Aos 13min, Jean levou a bola à linha de fundo pela direita e cruzou para a área. O ala Diego, que entrou em diagonal para tentar concluir de cabeça, foi deslocado no meio do caminho pelo palmeirense Paulo Baier. Na cobrança da penalidade, Morais tocou no meio do gol e ampliou a vantagem do Vasco.
O curioso é que a reação do técnico Marcelo Vilar à ascensão do Vasco foi tirar o único homem de área do Palmeiras. De uma só vez, ele trocou o centroavante Neto Baiano e o ala Chiquinho pelos meias Willian e Valdivia.
As duas mudanças deram mais mobilidade ao meio-campo do Palmeiras, que assumiu o controle territorial da partida. O domínio propiciou à equipe paulista uma excelente oportunidade para descontar aos 28min, quando Edmundo lançou rasteiro para Paulo Baier dentro da área e o lateral foi empurrado por Diego. Na cobrança, o próprio Edmundo bateu à direita de Cássio e desperdiçou a chance de marcar o primeiro gol dos visitantes.
Depois do pênalti perdido, o Palmeiras esmoreceu. Tanto que ofereceu ao Vasco a chance de tornar a vantagem ainda mais confortável. Madson arrancou com a bola pela direita, driblou para o meio e foi derrubado por Marcinho Guerreiro. Na cobrança, aos 45min, Leandro Amaral bateu duas vezes (a primeira foi invalidada por invasão dos jogadores da equipe carioca na área alviverde ) e definiu o triunfo dos mandantes.
VASCO 3 X 0 PALMEIRAS
Vasco Cássio; Thiago Maciel, Fábio Braz, Dudar e Diego; Ygor, Amaral, Ramón (Abedi) e Morais (Madson); Jean (Fábio Júnior) e Leandro Amaral Técnico: Renato Gaúcho
Palmeiras Diego Cavalieri; Dininho, Nen (Wendel) e Alceu; Paulo Baier, Marcinho Guerreiro, Francis, Juninho Paulista e Chiquinho (Willian); Edmundo e Neto Baiano (Valdivia) Técnico: Marcelo Vilar
Local: estádio São Januário, no Rio de Janeiro (RJ) Árbitro: Leonardo Gaciba da Silva (Fifa-RS) Auxiliares: José Javel Silveira e Paulo Ricardo Silva Conceição (ambos do RJ) Cartões amarelos: Dininho (P), Nen (P), Leandro Amaral (V), Juninho Paulista (P) Gols: Amaral, aos 8min; Morais, aos 13min; Leandro Amaral, aos 45min do segundo tempo