08h54 24/10/2006
'Bronca' e 'silêncio' unem os arqui-rivais
Irritados com a imprensa em plena má fase de seus clubes, jogadores fazem a preparação para o jogo de bocas fechadas. Danilo Valentini e Evandro César Lopes, especial para o Pelé.Net
SÃO PAULO - A ameaça de rebaixamento é apenas um dos pontos de semelhança que unem Corinthians e Palmeiras antes do clássico desta quarta, às 22h, no Morumbi. Pressionados com o risco, os jogadores das duas equipes decidiram, por razões diferentes, apontar a imprensa como a causadora de seus problemas, sejam de relacionamentos internos ou de ordem puramente esportiva, como as colocações ruins na tabela do Brasileirão.
Em greve, atacante Edmundo já avisou: só volta a dar entrevista no ano que vem
Zagueiro Betão foi um dos corintianos que assinou a carta contra a imprensa
Atual 14º colocado, o Palmeiras, com 37 pontos, pode respirar mais aliviado caso derrote o Corinthians, que está uma posição atrás, com dois pontos a menos. Independente do sucesso que qualquer um dos arqui-rivais consiga, porém, deverá ser indiferente para mudar de maneira consistente o astral dos dois elencos.
Apesar da decisão, alguns jogadores do Palmeiras aceitaram dar entrevistas nos últimos dias, como o goleiro Diego, o zagueiro Nen, o volante Wendel e o atacante Enílton. Já os corintianos saíram do Pacaembu sem comentar a vitória por 1 a 0 contra o Cruzeiro, procedimento que ficou limitado ao técnico Emerson Leão.
Os motivos para a bronca dos dois clubes com a imprensa esportiva paulista são distintos. No Palmeiras, a ordem da diretoria para os jogadores é que não seja tocado em hipótese alguma um assunto específico: o atraso de pagamento e direitos de imagem. Já os jogadores do Corinthians reclamam de informações divulgadas que deram conta que um suposto boicote estava sendo colocado em prática para forçar a demissão de Leão.
O silêncio das duas equipes também foi definido de maneiras diferentes. Enquanto no Palmeiras o estopim foi o fato do atacante Neto Baiano ter sido questionado a respeito dos atrasos de pagamento, o que levou os jogadores a se calarem. Ídolos como o atacante Edmundo, por exemplo, já avisaram que só voltarão a conceder entrevistas em 2007.
No Corinthians, a decisão foi oficializada em uma carta assinada por todos os jogadores, que se disseram irritados com "notícias falsas, inventadas e que colocam em dúvida nosso caráter, condição profissional e respeito ao clube e à sua torcida, além de pôr em risco nossa integridade física e trazer risco às nossas famílias".
A prática de se calar em momento de crise, porém, não é novidade nem para Corinthians e nem para Palmeiras em 2006.
Neste ano, os jogadores do Palmeiras boicotaram a imprensa na Academia de Futebol, após os treinamentos, em dez dias. Já alguns jogadores corintianos, como os laterais Coelho e Gustavo Nery e os meias Roger e Carlos Alberto se calaram em momentos negativos que passaram pelo clube, como na época da eliminação da Libertadores.
Mas o silêncio não foi a única forma das duas equipes manifestarem descontentamento. Tanto Corinthians quanto Palmeiras limitaram acesso de jornalistas aos treinos dos últimos dias.
O técnico Emerson Leão, por exemplo, restringiu o acesso à imprensa nos treinos realizados na Estância Santa Filomena, no município paulista de Jarinu. Já o técnico palmeirense Marcelo Vilar liberou apenas parte dos treinos coletivos que vem realizando para a disputa do clássico.
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