22h10 24/10/2006
Caos extracampo e fuga ditam clássico
Desorganização administrativa e a ameaça de rebaixamento são as marcas atuais dos rivais Corinthians e Palmeiras. Danilo Valentini e Evandro César Lopes, especial para o Pelé.Net
SÃO PAULO - O desconforto de viver na corda-bamba e sob freqüente ameaça de rebaixamento durante maior parte da atual edição do Brasileirão não é o único ponto que une Corinthians e Palmeiras. A desorganização, os problemas administrativos e o futuro incerto no comando de ambos os clubes também levam um ar de incerteza para o confronto desta quarta, às 22h, no Morumbi.
Posicionados atualmente na única faixa da tabela da competição que não garante vaga em nenhuma competição nem os coloca no bloco da degola dos últimos quatro colocados, os arqui-rivais vão para o duelo sob uma pressão que extrapola suas campanhas pífias em 2006.
AS EQUIPES
As dificuldades na administração dos problemas não deixarão de ser refletidas na escalação das duas equipes, apesar do Corinthians ter um número maior de desfalques e dúvidas do que o Palmeiras, que não poderá contar com o meia Juninho Paulista, suspenso.
Sua substituição, porém, será simples, com a entrada do chileno Valdívia (foto), que começará como titular do Palmeiras pela primeira vez desde sua apresentação. O jogador será responsável pela armação das jogadas do setor ofensivo, que ganhará o reforço de Enílton, já recuperado de lesão muscular na coxa e que retorna ao time, assim como o lateral-esquerdo Michael.
Em compensação, Emerson Leão ainda titubeia para divulgar a formação do Corinthians, já que na última segunda perdeu o volante Magrão, punido por mais um jogo de suspensão em razão da expulsão contra o Santos. A vaga ficará entre Rafael Fefo e Paulo Almeida, com Carlão como opção.
No ataque, Amoroso deve jogar, mas sua confirmação só será tomada se o jogador apresentar condições de suportar as dores no pé direito, atingido durante a partida contra o Cruzeiro. Caso não jogue, Rafael Moura e Nadson disputarão posição para formar dupla com Ramón.
Enquanto o Corinthians, 15º colocado, vivencia o momento mais dramático com sua parceira de investimentos, a MSI, e uma crise de relacionamentos que foi coroada com o afastamento do meia Carlos Alberto, o Palmeiras, 14º, jura ter resolvido todos os problemas de pagamentos atrasados que incomodaram seus jogadores e tenta aplacar qualquer possibilidade de suas eleições, no início de 2007, 'contaminarem' a equipe.
Como pano de fundo, as duas equipes entraram em litígio com a imprensa às vésperas do encontro e ampliaram o clima de tensão e o papel de alívio que uma vitória poderá representar.
"É claro que não é o único ponto que vai definir o clássico, mas a situação das equipes gera um nervosismo e quem souber controlar este problema leva vantagem na disputa", diz o técnico do Palmeiras, Marcelo Vilar, consciente dos problemas políticos que vem envolvendo a administração de Afonso della Monica, mas que se nega a abordar o assunto publicamente.
Do outro lado, mesmo depois do presidente Alberto Dualib ter passado mais de um mês viajando por Londres para exigir a saída de Kia Joorabchian do comando da MSI e ter a sua missão frustrada, o técnico Emerson Leão segue como porta-voz da diretoria do clube e vê no apoio da cúpula um trunfo fundamental para a recuperação da equipe no Brasileirão.
"Nossa diretoria tem ajudado muito e aqui tem unidade de trabalho", defende Leão, que relativiza a importância que uma vitória terá para o futuro imediato do Corinthians. "Se conseguirmos, pode representar um aumento de tranqüilidade, mas acredito que do outro lado estejam falando a mesma coisa", aposta o técnico corintiano, prevendo o objetivo do Palmeiras para o duelo.
O próprio Leão, no entanto, sabe que, além de não afastar definitivamente o risco de rebaixamento, uma vitória também não será suficiente para encerrar de vez toda a confusão política que envolve o Corinthians, que vem sendo alvo de investigação da Polícia Federal.
A PF analisa um suposto esquema de lavagem de dinheiro desenvolvido pela MSI, empresa capitaneada por Kia e que, assim como é tratada como atual inimiga do presidente Dualib, também vem sendo atacada sistematicamente pelo técnico do clube. "Desde que cheguei aqui ainda não vi (Kia), então não os reconheço (a MSI) e entendo que seja o Corinthians que pague o meu salário".
Mas não é, já que a MSI ainda continua responsável pelas despesas do departamento de futebol do Corinthians, apesar do clube reclamar do atraso de parcelas. Situação que não difere muita da vivida atualmente pelo Palmeiras.
O clube teve de contrair empréstimo bancário há duas semanas para quitar dívidas de direito de imagens com os jogadores. A dificuldade financeira, aliás, foi a senha para que a diretoria instruísse a sua assessoria de imprensa a impedir que os atletas comentem sobre os atrasos.
CORINTHIANS x PALMEIRAS
Data: 25/10/2006 Horário: 22h Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo Árbitro: Sálvio Spínola Fagundes Filho-SP Transmissão: Globo e Record
Corinthians Marcelo; Rosinei, Marinho, Betão e César; Marcelo Mattos, Paulo Almeida (Rafael Fefo), Roger e Renato; Amoroso (Nadson) e Ramón. Técnico: Emerson Leão
Palmeiras Diego, Paulo Baier, Nen, Alceu e Michael; Wendel, Francis, Marcinho Guerreiro e Valdívia, Edmundo e Enílton. Técnico: Marcelo Vilar