23h58 25/10/2006
Verdão ratifica fase e ressuscita o Timão
Antes ameaçado pela queda no Brasileirão, Corinthians supera Palmeiras e amplia a agonia do rival, que está perto da degola.
Danilo Valentini e Evandro César Lopes, especial para o Pelé.Net
SÃO PAULO - Antes do início da rodada passada, o Corinthians estava na zona de rebaixamento e o Palmeiras pensava em obter uma vaga na Copa Sul-Americana de 2007. Na noite desta quarta-feira, contudo, o desespero mudou de lado. Com um triunfo por 1 a 0 no Morumbi, a equipe alvinegra obteve seu primeiro êxito em um clássico nesta temporada e ganhou uma folga para a faixa da degola. De quebra, intensificou a crise do rival, que não vence há três rodadas e vê crescer a ameaça de queda.
IMAGENS DO CLÁSSICO
Luz acabou no Morumbi antes da partida
Amoroso chuta em cima de Diego Cavalieri
Edmundo toma bronca de Sálvio Spinola
Marcelo Mattos marcou o único gol do jogo
"Foi um resultado muito importante para nós. Continuamos nossa caminhada para tentar escapar do rebaixamento e ganhamos não apenas três, mas seis pontos. O Palmeiras é um adversário direto e, além da injeção de motivação, conquistamos uma posição na tabela", lembrou Emerson Leão, treinador do Corinthians. O time do Parque São Jorge assumiu o 14º posto do Campeonato Brasileiro e ultrapassou justamente o Palmeiras (que caiu para a 15ª colocação).
Até o início da rodada passada, o Corinthians se via pressionado. O time alvinegro ficou sete jogos sem triunfar e foi eliminado da Copa Sul-Americana pelo Lanús (da Argentina). Contudo, um triunfo por 1 a 0 sobre o Cruzeiro amenizou a situação e tirou a equipe paulista da zona de rebaixamento.
A confirmação da mudança que o triunfo sobre o Cruzeiro causou veio nesta quarta-feira, com a vitória sobre o Palmeiras. A equipe do Parque São Jorge ainda não havia triunfado em um clássico nesta temporada. E assim como confirmou seu bom momento, o Corinthians intensificou o período negativo atravessado pelo rival alviverde.
O Palmeiras havia sido lanterna do Campeonato Brasileiro no primeiro turno, mas cresceu e chegou a brigar por um lugar no pelotão de elite. Agora, estaciona nos 37 pontos (com quatro pontos de vantagem sobre a Ponte Preta, melhor campanha entre os que estão na zona de risco, que tem um jogo a menos).
"Nossa situação ficou complicada. Estávamos bem na tabela, mas passamos três rodadas sem vencer e o rebaixamento já é uma possibilidade mais próxima. Precisamos admitir isso e trabalhar para melhorar com urgência", estipulou o goleiro Diego Cavalieri.
O Palmeiras voltará a campo na próxima quarta-feira, quando receberá o Goiás em São Paulo (no estádio Parque Antarctica), às 19h30. No mesmo dia, mas às 21h45, o Corinthians visitará o Fortaleza no Castelão, em Fortaleza.
O jogo A pressão gerada pelas campanhas instáveis de Corinthians e Palmeiras no Campeonato Brasileiro ficou evidente desde o início do clássico desta quarta-feira. Mais do que tática ou técnica, chamou atenção no início do confronto o alto índice de passes errados e de faltas. Prova disso é que o árbitro Sálvio Spinola Fagundes Filho distribuiu quatro cartões amarelos (Paulo Almeida, Alceu, Michael e Rosinei) antes dos 20min da primeira etapa.
TORCIDAS DÃO EXEMPLO
A cena pode parecer inusitada, mas serve como exemplo para os torcedores comuns. Nesta quarta-feira, os líderes das principais torcidas organizadas de Corinthians e Palmeiras assistiram juntos à vitória da equipe alvinegra por 1 a 0 sobre o rival paulista, no Morumbi.
A iniciativa de juntar os dirigentes das organizadas partiu do Ministério do Esporte e faz parte da série de medidas que está sendo tomada para tentar diminuir a violência nos estádios do Brasil.
"Nosso foco é trazer a família de volta aos estádios e estamos trabalhando para isso. Conversamos com os membros das torcidas organizadas e eles nos deram muito apoio. Eles estão envolvidos no nosso projeto", disse Marco Aurélio Klein, presidente da Comissão Paz no Esporte (que foi formada pelo ministério para buscar soluções para o problema da violência).
Nesta quarta-feira, os líderes das torcidas chegaram ao Morumbi em uma mesma van, acompanhados por Marco Aurélio Klein e o ministro dos Esportes, Orlando Silva Júnior. Depois, os representantes das organizadas assistiram ao jogo das arquibancadas, que receberam 16.593 pagantes para o clássico entre Corinthians e Palmeiras.
"Buscamos passar um exemplo para os outros torcedores. Como em qualquer outro setor da sociedade, as pessoas seguem as lideranças. Por isso, procuramos passar um modelo para que todos possam tomar como exemplo", disse o Major Botelho, chefe do policiamento do Morumbi.
Apesar do bom exemplo, torcedores do Palmeiras se desentenderam com policiais na saída do estádio e houve um pequeno tumulto. Os corintianos ficaram presos pela polícia no interior do estádio e só foram liberados posteriormente.
"Os dois times começaram um pouco nervosos, com uma marcação muito forte. Levou um tempo até começarem aparecer os espaços para a gente atacar", contou o volante palmeirense Marcinho Guerreiro.
Quando os espaços começaram a aparecer, porém, o Corinthians foi superior. Com jogadas individuais de Ramón e aproveitando o fato de a defesa alviverde ser muito pesada, o time do Parque São Jorge criou oportunidades para marcar e esbarrou na grande atuação do goleiro Diego Cavalieri. Foi ele que conteve o chute de Amoroso (cara a cara, aos 12min) e a conclusão de Renato (cruzada, da direita, aos 20min).
Do outro lado, o Palmeiras viu uma marcação muito eficiente da defesa do Corinthians. Com botes perfeitos, o time alvinegro soube conter os armadores do rival (sobretudo Edmundo, que foi acompanhado de perto por Paulo Almeida) e protegeu bem o gol defendido por Marcelo.
Aos poucos, porém, o ímpeto ofensivo das duas equipes foi sendo substituído por nervosismo. Com medo da derrota, Corinthians e Palmeiras foram se retraindo, sobretudo no segundo tempo, e diminuíram o ritmo do confronto.
Para tentar solucionar isso, o técnico Emerson Leão mudou o setor ofensivo do Corinthians e trocou Renato e Ramón por Nadson e Rafael Moura, que quase marcou aos 26min. O centroavante invadiu a área pela esquerda, deixou Nen caído, driblou um defensor para a direita e chutou forte. Diego espalmou no meio do gol.
Com um pouco mais de iniciativa, o Corinthians foi premiado aos 31min. César cobrou escanteio da direita e Marcelo Mattos, completamente livre, completou de cabeça para mandar a bola no canto direito de Diego e abrir o placar.
O gol fez o Palmeiras, mesmo desordenadamente, se lançar ao ataque. Com o centroavante Roger no lugar de Paulo Baier, o time do Parque Antarctica pressionou a saída de bola do rival alvinegro e conseguiu manter a bola em seu campo de ataque. Entretanto, esbarrou na forte marcação que o Corinthians impôs desde o início do clássico e não conseguiu alcançar o empate.
CORINTHIANS 1 X 0 PALMEIRAS
Corinthians Marcelo; Rosinei, Marinho, Betão e César; Marcelo Mattos, Magrão, Roger (Nadson) e Renato, Amoroso (Rafael Fefo) e Ramón (Rafael Moura) Técnico: Emerson Leão
Palmeiras Diego Cavalieri; Paulo Baier (Roger), Nen, Alceu e Michael; Marcinho Guerreiro, Francis, Wendel e Valdívia (William); Edmundo e Enílton Técnico: Marcelo Vilar
Local: estádio do Morumbi, em São Paulo (SP) Árbitro: Sálvio Spinola Fagundes Filho (Fifa-SP) Auxiliares: Ednilson Corona (Fifa-SP) e Ana Paula da Silva Oliveira (Fifa-SP) Cartões amarelos: Paulo Almeida (C), Alceu (P), Michael (P), Rosinei (C), Marcelo (C) Gol: Marcelo Mattos, aos 31min do segundo tempo