18h04 28/11/2004
Ponte Preta vence e mantém sonho vivo
Apesar do fraco futebol, time de Campinas bateu o Criciúma e seguiu na briga por vaga na Copa Sul-Americana 2005. MBPress
RIO DE JANEIRO - De um lado, a Ponte Preta desejava provar que poderia sonhar com uma vaga na Copa Sul-Americana. Do outro, o Criciúma nada queria provar, a não ser o gosto da permanência na Série A. A equipe campineira levou a melhor e venceu a catarinense por 1 a 0 neste domingo, no estádio Moisés Lucarelli, pela 43ª rodada do Campeonato Brasileiro. Anselmo marcou o gol único do jogo, aos 30min do segundo tempo.
Apesar da necessidade de vitória, faltou motivação aos dois times no primeiro tempo. A Ponte Preta esteve ligeiramente melhor, mas a escassez de jogadas ofensivas tornou o jogo fraco tecnicamente. No fim da etapa inicial, a equipe campineira acertou a trave adversária em uma das poucas oportunidades.
As equipes voltaram com mais disposição para o segundo tempo. No entanto, as chances reais de gol continuaram raras. A Ponte Preta foi mais eficiente. Aos 30min, Anselmo aproveitou cobrança de falta e cabeceou para o fundo das redes, garantindo os três pontos.
Com o resultado, a Ponte Preta quebrou o jejum de quatro jogos sem vitórias. Os alvinegros pularam para 61 pontos ganhos, na nona colocação do Campeonato Brasileiro. Apesar de ser dona do pior saldo de gols entre todos os participantes, a equipe campineira tem um grande trunfo ao seu favor: 18 vitórias. O número poderá ser decisivo nos critérios de desempate para a obtenção do passaporte rumo à Copa Sul-Americana.
O Criciúma não conseguiu afastar o fantasma do rebaixamento como almejava. Com 49 pontos ganhos, a equipe catarinense precisa de mais quatro para se livrar matematicamente do descenso. O time ainda voltou de Campinas trazendo na bagagem o péssimo retrospecto fora de casa: apenas duas vitórias longe de seus domínios, contra Vasco e Paraná.
No próximo sábado, o Criciúma recebe o Paraná, às 16h, no estádio Heriberto Hülse em duelo que pode livrar uma das equipes do rebaixamento. No mesmo dia e horário, a Ponte Preta enfrenta o Fluminense no Maracanã. O confronto será decisivo para manter o sonho continental dos alvinegros já que o time carioca também luta por vaga na Copa Sul-Americana.
O jogo Pressionados pelos torcedores, os treinadores de Ponte Preta e Criciúma promoveram muitas mudanças nas escalações das equipes que começaram a partida.
Na tentativa de deixar o time mais ofensivo, Nenê Santana, técnico da Ponte Preta, colocou o meia Vander no lugar do volante Ricardo Conceição. Além disso, o atacante Júlio César, destaque negativo na derrota para o Atlético-PR na última rodada, foi substituído por Roger.
As modificações na equipe alvinegra não pararam por aí. O goleiro Lauro e o lateral-direito André Cunha cumpriram suspensão e retornaram à equipe. O meia Danilo e o lateral-esquerdo Luciano Baiano substituíram Flavio e Bill, que levaram o terceiro cartão amarelo.
Pelo Criciúma, escalado no esquema 3-5-2, o ala-esquerdo Luciano Almeida não se recuperou de lesão e Gleidson foi mantido como titular. No meio, o volante Geninho ganhou a briga com Paulo César pela vaga de titular. O ataque começou formado por Marcos Denner e Paulinho. Vagner Carioca, autor do gol da vitória contra o Paysandu, ficou na reserva.
Tanto o estádio Moisés Lucarelli, da Ponte Preta, quanto o Heriberto Hülse, do Criciúma, são chamados carinhosamente pelos torcedores das duas equipes de "Majestoso". O apelido conhecido, porém, não deixou o tricolor catarinense tranqüilo no começo da partida.
A Ponte Preta, dona da casa, assustou logo aos 6min. O goleiro Roberto saiu mal e a bola sobrou para Vander, que cabeceou para fora, desperdiçando a primeira oportunidade do jogo.
O jogo passou, então, a ficar concentrado no meio, com muitas faltas cometidas por ambos os lados. A atuação isolada dos atacantes proporcionou poucas chances de perigo.
Aos 18min, a Ponte Preta teve boa oportunidade. O atacante Roger bateu cruzado da direita, mas Roberto defendeu.
Melhor na partida, a equipe campineira dava espaço para contra-ataques, mas o time de Santa Catarina não aproveitou. Com pouca penetração, os catarinenses abusavam das bolas aéreas.
Aos 26min, o meia Danilo fez boa jogada e foi a vez da Ponte Preta arriscar nos cruzamentos. Gustavo, sozinho, cabeceou à esquerda de Roberto e quase abriu o placar.
Aos 43min, o lateral André Cunha bateu cruzado e Roberto espalmou. No prosseguimento da jogada, Leonardo tirou errado e acertou a trave. Por pouco não marcou contra.
Foi o último lance de perigo do primeiro tempo. Refletindo o péssimo desempenho em campo, os jogadores das duas equipes deixaram o gramado pedindo maior poder ofensivo na etapa final.
Para procurar o gol, o técnico Nenê Santana mudou a Ponte Preta para o segundo tempo. O meia Lindomar entrou no lugar de Vander, com atuação discreta.
Pelo menos a disposição mudou. Tanto a Ponte Preta quanto o Criciúma desbloquearam o meio e passaram atacar com mais freqüência. No entanto, os constantes erros de passe dificultaram a criação de chances reais.
Perigo mesmo somente aos 27min. Anselmo, que acabara de entrar, bateu cruzado e o goleiro Roberto tirou com os pés, salvando o Criciúma.
Aos 30min, o time alvinegro foi recompensado pelo maior volume de jogo. Na falta cobrada para a área, o atacante Anselmo subiu mais que a zaga e marcou o gol da equipe campineira.
O Criciúma ainda tentou empatar, mas não teve sucesso. Em vantagem no marcador, a Ponte Preta ainda perdeu chance de ampliar com o próprio Anselmo, mas garantiu a vitória.
Ponte Preta e Criciúma haviam se enfrentado apenas quatro vezes: duas vitórias da equipe catarinense, uma do time paulista e um empate. No primeiro turno do Campeonato Brasileiro, o Criciúma derrotou a Ponte Preta por 3 a 1, no estádio Heriberto Hülse.
PONTE PRETA 1X0 CRICIÚMA
Ponte Preta Lauro; André Cunha, Alexandre, Gustavo e Luciano Baiano; Marcus Vinícius, Romeu, Vander (Lindomar) e Danilo (Ricardo Conceição); Alecsandro e Roger (Anselmo) Técnico: Nenê Santana
Local: estádio Moisés Lucarelli, em Campinas (SP) Árbitro: Luis Alberto S. Bites (GO) Assistentes: Flavio Gilberto Kanitz e Filomeno Dourado dos Santos (GO) Cartões amarelos: Roger, Romeu e André Cunha (P) Gols: Anselmo, aos 30min do segundo tempo