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09h01 06/11/2007

Ex-meia Amaury se realiza como administrador de empresas

Revelado pelo América-MG e ídolo do Atlético-MG, ex-jogador prova que o estudo ajuda na adaptação à vida após o término da carreira.

Bernardo Lucas, do Pelé.Net

BELO HORIZONTE - Ex-armador de América-MG e Atlético-MG nas décadas de 60 e 70, Amaury Alves Horta, trabalha há 32 anos como administrador de empresas. Desde 1999, o ex-jogador ocupa o cargo de superintendente administrativo do Pampulha Iate Clube, o PIC, tradicional clube recreativo localizado às margens da Lagoa da Pampulha, cartão postal da capital mineira.

Revelado pelo América-MG, time de seu coração e onde atuou desde as categorias de base, em 1960, Amaury Horta se destacou mesmo foi no Atlético-MG, onde participou da conquista do título de primeiro campeão nacional, em 1971. Ele não atuou até o final da campanha, já que defendeu o América de Ribeirão Preto, no segundo semestre daquele ano, onde se aposentou.

"Acho que eu peguei todas as grandes gerações do futebol brasileiro. Joguei ao lado de feras, como Nilton Santos, Didi, Garrincha, Pelé, entre outros monstros do futebol. Nesta época, o futebol era diferente, a técnica era apurada, os jogadores desfilavam em campo, era muito diferente de hoje, em que a força domina o futebol Mundial", lembrou Amaury Horta, que tinha boa qualidade e, apesar de baixo, marcava muitos gols de cabeça.

Pela Seleção Brasileira, o ex-jogador atuou no sul-americano em 1963, disputado na Bolívia, e em algumas outras partidas, como diante da Iugoslávia e a Romênia, foi quando teve a oportunidade e a emoção de marcar dois gols. "Quando eu estava no Atlético, nós jogamos contra a Iugoslávia, vestindo a camisa da seleção. Nós vencemos por 2 a 1, e eu marquei o gol da vitória", lembrou.

"Marcar um gol com a camisa da seleção, é algo que emociona e faz qualquer jogador guardar na sua memória. Nunca esqueci esses momentos. Antigamente, os jogadores tinham a felicidade e a vontade de vestir a camisa amarela. Hoje não. Hoje tem gente que abdica de atuar na seleção pensando em seus clubes. Não da para entender", lamentou. Amaury considera que o futebol lhe proporcionou mais momentos de alegria do que de tristeza.
MEIA DE TÉCNICA APURADA
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Amaury Horta, abandonou a carreira de jogador, em 1971, ano em que participou da conquista do Campeonato Brasileiro, pelo Atlético-MG. Após "deixar de lado" o futebol, o ex-jogador começou a se dedicar aos estudos. Formou-se em administração, pela Fumec, em 1975, quatro anos depois de dependurar as chuteiras, e ao longo desse período tem se dedicado integralmente a essa profissão.

"Sou administrador. Quando parei de jogar futebol em 1971, foi de caso pensado. Eu já queria voltar a estudar, então para eu poder parar não foi uma coisa complicada. Logo depois que eu abandonei a carreira, já prestei vestibular, fui aprovado e comecei a me dedicar exclusivamente à administração. Sempre quis poder estudar e ter um curso", lembra Amaury, que deixou o gramado aos 29 anos.

Seu primeiro emprego como administrador de empresas foi na Construtora Mendes Júnior, onde permaneceu por pouco tempo. Depois disso, diferentemente de sua época como jogador, quando atuou em poucos clubes, Amaury rodou por outras empresas, atuando também em órgãos públicos, como a Secretaria de Estado da Fazenda, antes de se fixar na Companhia Vale do Rio Doce, onde atuou por 16 anos.

Depois de deixar a CVRD, o ex-jogador abriu uma empresa de administração, Horta Assessoria, até que há oito anos foi convidado a trabalhar no PIC, sendo que como superintendente está há cinco. "Estou trabalhando no PIC, desde 1999, quando ainda tinha a minha empresa de Administração. Mas depois que o meu contrato acabou e foi criado este cargo de superintendente, em 2002, recebi um convite do presidente para que pudesse participar ainda mais ativamente daqui", revelou.

Há 10 anos, Amaury viveu uma experiência no futebol, como dirigente, quando se tornou diretor executivo do América-MG, clube que o revelou para o futebol brasileiro. Ele permaneceu um ano no cargo e ajudou o time mineiro a conquistar o Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão, em 1997, e o Campeonato Mineiro no ano seguinte.

"Foi uma experiência muito boa. Tivemos várias felicidades na época em que estive no clube", afirmou. "Mas, devido à falta de organização e de continuidade do trabalho, além de ter sofrido muito com o rebaixamento de novo à Segunda Divisão, fizeram com que eu desistisse de continuar a comandar o clube", acrescentou.

Apesar de se manter afastado, profissionalmente do futebol, o ex-atleta, natural de Sabará, mas que mora em Belo Horizonte desde os nove anos, considera essa modalidade esportiva como a sua grande paixão e, aos 65 anos, continua "jogando bola" até hoje. "Tenho mais tempo com o futebol do que com a administração. O esporte é a minha diversão, e a administração a minha profissão. Mas acho mesmo que amo o futebol", revelou Amaury.

Polivalente, dentro e fora de campo, ele chegou a comandar o América à beira do banco de reservas em um jogo. "Foi apenas uma partida, contra o Valério, no Campeonato Mineiro de 1997. Aconteceu logo na transição do Givanildo, que assumiu logo depois da partida. Foi apenas uma situação de emergência. Mas foi bom, porque nós vencemos. Estou invicto como treinador, e pretendo manter esta invencibilidade", brincou o ex-jogador, que descarta qualquer possibilidade de se tornar treinador.

Torcedor do América e conselheiro não participativo, principalmente por falta de tempo, Amaury Horta se preocupa com o momento atual e com o futuro do time, que foi rebaixado para o Módulo II do Campeonato Mineiro, além disso não disputará Série C ou Copa do Brasil. "A situação está muito difícil. Ano que vem, vai ser algo de pouquíssimas participações, todos os americanos têm de se juntar para salvar o time deste momento", analisou.



  Acho que eu peguei todas as grandes gerações do futebol brasileiro. Joguei ao lado de feras, como Nilton Santos, Didi, Garrincha, Pelé, entre outros monstros do futebol. Nesta época, o futebol era diferente, a técnica era apurada, os jogadores desfilavam em campo, era muito diferente de hoje, em que a força domina o futebol Mundial
Ex-meia Amaury Horta, americano de coração, formado em administração de empresas e que é superintendente do Pampulha Iate Clube
Amaury Alves Horta
21/8/1942
Sabará-MG

Times
- América-MG (60-63)
- Comercial-SP (63-66)
- Atlético-MG (67-71)
- América-SP (71)
Títulos
- Brasileiro (71, pelo Atlético-MG)
- Mineiro (70 e 71 pelo Atlético-MG)
- Taça Minas Gerais (1969 e 1970 pelo Atlético-MG)





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