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08h00 15/07/2008
Joãozinho, velho herói gremista, sofre com o fim da "Era Olímpico"
Meia, que foi heptacampeão regional consecutivo nos anos 60, morou a vida toda próximo ao estádio que será demolido.
Nico Noronha, do Pelé.Net
PORTO ALEGRE - A iminente mudança de endereço do Grêmio, clube que nos próximos meses começará a construir uma imponente arena na zona norte de Porto Alegre, tem causado reações contrárias e tristezas junto a bom numero de gremistas. Entre esses, se inclui um dos incontestáveis heróis da história do clube, o meia-atacante João Severiano, o Joãozinho, heptacampeão regional consecutivo - de 1962 a 1968 -, que passou sua vida morando na vizinhança do estádio, e agora vê se aproximar o dia do inevitável afastamento. A "Era Olímpico" está acabando.
 Joãozinho é o 11º na lista dos que mais defenderam o Grêmio em toda a história | No início dos anos 60, depois de um curto período emprestado ao Independiente da Argentina, Joãozinho retornou a Porto Alegre e fez seu primeiro bom contrato com o Grêmio. A conseqüência imediata daquele salto de qualidade em sua vida, foi adquirir a residência própria, uma casa de madeira com a qual vizinhava e que estava à venda no bairro Partenon, a pouco mais de um quilômetro do estádio Olímpico. Para lá se mudou com Terezinha, sua eterna paixão e com a qual gerou Flávio, Rafael, Marcos Vinicius e Juliana.
Nesta segunda-feira, no mesmo local, onde hoje está construída uma bela casa de material, de dois andares, Joãozinho recebeu a reportagem do Pelé.Net e externou seu lamento: "O Olímpico sempre foi a minha segunda casa, e fico triste por que ela vai ficar distante de mim".
Mas o pequeno e valente João Severiano, próximo de completar 67 anos, e com a experiência de quem no passado já exerceu dois mandatos como vereador da capital gaúcha e outros dois como deputado estadual, sabe que o progresso torna obrigatórios certos passos.
"Se fosse deixar a decisão para o coração, o Olímpico não sairia daqui, mas não adianta, já está bem claro que a troca de endereço é necessária e inevitável", comentou Joãozinho.
O futebol também mudou muito nessas últimas décadas e, já concluiu o velho craque tricolor, "feliz de quem é jogador de futebol de um grande clube nos dias de hoje". Os atletas não são mais escravos, destaca ele, e as estrelas têm sido pagas com salários dignos de sua importância.
 Casa onde mora foi adquirida com primeiro bom contrato com o Grêmio | "É de lamentar o fato de os jogadores não terem mais amor à camiseta, defenderem até três clubes numa mesma temporada, mas ao menos hoje o tratamento que recebem é digno e conseguem a estabilidade financeira numa carreira que é curta"., acrescentou João Severiano.
A sua carreira foi curtíssinma. Largou o futebol aos 28 anos, em 1970, quando "muitos já me consideravam velho"; Mas o tempo foi suficiente para vestir a camisa nº 8 do Grêmio por 417 vezes - só outros 10 jogaram mais que ele pelo clube -, fazer 131 gols e ser fundamental para aquela que até hoje é a maior seqüência de títulos gaúchos da história do clube.
Na despedida, enquanto João Severiano - com aquele mesmo porte físico da época de atleta, 1,63m e apenas um pouquinho acima do peso ideal de 62kg - abre o portão da casa, uma última pergunta lhe é direcionada: Qual o jogador do futebol brasileiro, hoje, se assemelha mais ao estilo de jogo que praticava. E sorridente Joãozinho respondeu: "O Diego, aquele do Santos que hoje joga na Alemanha, só que eu era um pouco mais solidário com os companheiros que ele".
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O Olímpico sempre foi minha segunda casa, e fico triste porque ela vai ficar distante de mim
João Severiano, um dos maiores meias da história do Grêmio, lamentando a mudança de endereço do estádio que vem por aí.
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João Carlos da Silva Severiano
26/9/1941
Porto Alegre (RS)
Times
- Grêmio - 1959 a 1970
- Independiente (ARG) - 1960
Títulos
- Gaúcho - Grêmio (1962, 1963, 1964, 1965, 1966, 1967 e 1968)
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