08h02 22/07/2008

Natal trabalha na esperança de revelar futuros craques

"Olheiro" das categorias de base do Cruzeiro, clube em que brilhou na década de 60, ex-atacante quer achar novos Piazza ou Tostão.

Bernardo Lucas, do Pelé.Net

BELO HORIZONTE - Ex-ponta direita do grande time montado pelo Cruzeiro na década de 60, quando surpreendeu o Santos de Pelé, na final da Taça Brasil de 1966, Natal de Carvalho Baroni, o Natal, trabalha em busca de novos craques, como os seus antigos companheiros. "Tenho a esperança de encontrar novos Dirceu Lopes, Tostão e Piazza. Sei que é difícil, mas ainda acredito que poderei ajudar o Cruzeiro", salientou.

CRAQUE CHAMADO "PLAYBOY"
Boêmio assumido, Natal ganhou fama de romântico e "playboy". Dava preferência a carros conversíveis, quase sempre ocupados por belas mulheres. Carismático, o Diabo Louro era querido pela torcida,
Apesar de não concordar com essa fama, Natal diz que nunca se importou com isso. "Sempre fui taxado por participar de noitadas, de querer andar com carrões, sempre falaram que eu era irresponsável, mas isso nunca me incomodou ou me afetou", afirmou. "Pelo menos eu pude viver isso, pior quem não pode. Eu nunca faltei a um treino, a um jogo", acrescentou.
O ex-ponta-direita sempre se deu bem nos clássicos contra o Atlético, tornando-se decisivo para o Cruzeiro e isso fez com que caísse nas graças da torcida da Raposa. Ele lembra que já provocou muito sofrimento a alguns parentes, atleticanos, incluindo a sua mãe.
"Lá em casa, a minha mãe era atleticana e meu pai cruzeirense. Ia minha mãe em um carro para ver o Atlético e outro com meu pai para ver o Cruzeiro. O engraçado é que eu sempre estava com a minha mãe", contou. "Sou torcedor do Cruzeiro acima de tudo, mas gosto e respeito o Atlético e o América, torço mesmo pelo bem do futebol mineiro, pela união dos times", complementou Natal.
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Natal trabalha como olheiro para o Cruzeiro, observando jovens jogadores em condições de atuarem nas categorias de base do clube. "Viajo para torneios fora de Belo Horizonte, vou às peneiradas de clubes menores, trabalho procurando novos jogadores", explicou o ex-atacante.

Após encerrar sua carreira no Villa Nova, em 1981, aos 34 anos, Natal aventurou-se na carreira de treinador, sem conseguir êxito, foi convidado há dois anos pelo vice-presidente de futebol cruzeirense, Zezé Perrella, para trabalhar como observador na parceria que o clube mineiro fez com o Itaúna.

"Fizemos um belo trabalho lá, tivemos os resultados esperados, mas agora, com o fim da parceria entre os clubes, nós voltamos e estamos trabalhando na Toca da Raposa", comentou Natal, que trabalha ao lado do ex-companheiro Zé Carlos.

Natal, que entre outros clubes atuou também pelo Corinthians e América-MG, embora tenha vivido seus melhores momentos no Cruzeiro, indica jovens promessas à Raposa. "Observo os garotos e depois tem uma comissão que vai analisar o jogador e decidir se ele ficará ou não. Não sou eu quem defino", explicou.

O ex-jogador se disse feliz com a função que desempenha no clube mineiro. "Sou realizado com o que eu faço, até porque é o que eu sei fazer, que é trabalhar com futebol. Eu digo que nunca deveria ter saído do Cruzeiro, aqui eu tenho estrutura, tem uma diretoria correta, que cumpre com o que promete paga em dia, é um clube diferenciado", revelou.

O ex-ponta salientou as dificuldades em se "descobrir" grandes talentos para as equipes do Brasil. "Hoje tem muito mais quantidade do que qualidade. É muito difícil encontrar grandes jogadores. Você faz uma peneirada com 100 jogadores e tira dois ou três. Esta tem sido a minha principal dificuldade para revelar jogadores", comentou.

Sem saudades

Antes de se realizar como observador, Natal rodou muito pelo Brasil tentando concretizar sua carreira de treinador, mas não conseguiu se firmar. "É muito difícil ser treinador de futebol em times pequenos, não cumprem com o que prometem, jogadores não querem nada com a dureza e a torcida cobra resultados imediatos, é difícil", lamentou.

Natal teve passagens no comando de clubes do Nordeste, como Sergipe, ABC e Remo, entre outros clubes. Em Minas Gerais, o ex-jogador comandou Villa Nova e o Mamoré, de Patos de Minas, mas o ex-atacante não conseguiu grande destaque como treinador.

"Aqui em Minas Gerais tem algo que é difícil de entender e de se aceitar. Os times do interior só querem vencer Atlético e Cruzeiro. Fazem o planejamento todo pensando em vencer os dois grandes. Foi assim na minha época no Mamoré, no Villa Nova. Se você consegue fazer uma boa campanha e não vence o Atlético e o Cruzeiro você não serve. Isso é muito estranho", enfatizou.

Natal garante que não pensa em retomar a antiga carreira. "De forma alguma, longe disso, não quero mais ser treinador de nada. Estou muito feliz e realizado com o que faço hoje, com o que trabalho, não tenho menor vontade de voltar a sofrer com treinador", frisou.

"Gosto de viajar, de olhar jogadores, de ver futebol, de conviver com este mundo, é isso que eu sei fazer, que me dá vontade, gosto. Trabalho muito, mas tenho gosto no que eu faço. Não penso de forma alguma em ter de treinar equipes pequenas, ter salários atrasados, não quero mais isso. O Cruzeiro me fornece tudo o que procuro", constatou.

Craque romântico

Após brilhar em um torneio entre escolinhas, quando atuava pelo Itaú, da Cidade Industrial de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o ponta-direita Natal foi convidado por Orlando Vassali para jogar no Cruzeiro. Com apenas 13 anos, já demonstrava muita habilidade e, principalmente, velocidade. Natal, chamado de "Diabo Louro" conquistou alguns títulos nas categorias de base do Cruzeiro, atuando ao lado de Dirceu Lopes e Pedro Paulo.

"Comecei no Itaú, buscando o meu espaço, para tentar virar jogador profissional. Fui convidado para um teste no Cruzeiro e consegui passar. Hoje, quando estou fazendo as peneiradas, lembro do meu momento, do número de jogadores que buscam realizar este sonho", lembrou.

Natal foi promovido para o profissional do Cruzeiro em 1965, quando venceu pela primeira vez o Campeonato Mineiro. Fazia parte de um dos maiores elencos do Cruzeiro, com Dirceu Lopes, Pedro Paulo, Neco, Procópio, Zé Carlos, William, Raul, Piazza e Tostão, estrelas que deram ao clube a Taça Brasil de 1966 e o pentacampeonato mineiro, entre 65 a 69.

O ex-atleta lembra com saudade e gratidão do grande time celeste, formado a partir de 1965. "Era um time que não tem o que contestar, o melhor da história. Tinha no grupo, 10, 11, 15 jogadores de grande qualidade. Quando um Piazza não estava bem, tinham outros seis para suprir, quando eu não estava bem, um Dirceu Lopes arrebentava. Era um grande time que formamos mesmo", recordou.



  O time era muito forte, não tinha como você não brilhar juntamente com tantos jogadores bons, que por si só já brilhavam. Você sempre sabia que poderia contar com craques, como Piazza, Dirceu Lopes, Tostão e mais uns 10 grandes jogadores que tinham. Esta época foi de grande felicidade para a torcida celeste
Natal, ex-ponta-direita, que é olheiro das divisões de base do Cruzeiro, time em que se destacou na década de 60
Natal de Carvalho Baroni

24/11/1946

Belo Horizonte-MG

Times
- Cruzeiro (65-71)
- Corinthians (71)
- Cruzeiro (72)
- Bahia (72-74)
- Vitória (75)
- América-MG (76)
- Caldense (76)
- América-MG (77)
- Valério (77)
- Villa Nova (78-81)
Títulos
- Mineiro (65, 66, 67,68 e 69, pelo Cruzeiro)
- Taça Brasil (66, pelo Cruzeiro)
- Copa Rio Branco (67, pela Seleção Brasileira)





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