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Gil Baiano: o retorno
12h31 14/02/2006

Gil Baiano procura resgatar seu passado

Um dos destaques do Bragantino campeão de 1990, ex-jogador tenta, como assistente técnico da equipe, reviver seus melhores momentos.

Danilo Valentini, especial para o Pelé.Net

SÃO PAULO - O ex-lateral-direito Gil Baiano voltou ao passado. Destaque do Bragantino que foi campeão paulista de 1990 e vice brasileiro no ano seguinte, o ex-jogador convive agora com a expectativa de tentar fazer sua ex-equipe trocar a fase de abandono dos últimos anos para resgatar a fase gloriosa do início dos anos 90.

Aposentado dos gramados desde 2002, quando encerrou sua carreira com a terceira e última passagem pelo Bragantino, José Gildásio Pereira de Matos não conseguiu esquecer os melhores momentos de seu passado quando decidiu o que fazer do futuro.

Resultado: fixou residência em Bragança Paulista e, em dezembro, ganhou um cargo na comissão técnica do clube, que neste ano disputa sua primeira edição na elite do Paulistão desde 1995, quando foi rebaixado.

"Tentei ver outras coisas para fazer e investir, mas quando não se está acostumado a mudar fica difícil. Já estava no meio do futebol, fiz isso a vida inteira. Então resolvi trabalhar com futebol mesmo", revela Gil Baiano, que completará 40 anos em novembro deste ano.

Investir, porém, Gil Baiano investiu. Ao lado do amigo e ex-companheiro de Bragantino Luís Muller, montou uma quadra de futebol society na cidade, que administra com a colaboração de sua mulher enquanto está no estádio Marcelo Stefanni ajudando o técnico Marcelo Veiga, substituto de Nicanor de Carvalho, demitido nas primeiras rodadas do Paulistão e responsável por levar para a comissão técnica o ex-lateral-direito.

E nem a situação difícil do clube faz Gil esmorecer. O objetivo é claro: tentar ajudar no que puder a fazer o Bragantino viver os momentos que conquistou títulos ao lado de jogadores como o goleiro Marcelo, o lateral-esquerdo Biro-Biro, o zagueiro Nei e o veterano volante Ivair.

"Todo mundo que ficou daquela época é visto ainda na cidade como ídolo, por tudo que representamos naquela época. Adquiri um respeito muito grande. Mas hoje não é mais assim, os jogadores jogam uma competição e saem três meses depois. Assim o time não se entrosa e ninguém se identifica com a torcida", afirma Gil Baiano.

Confortável com o prestígio que ainda alimenta na cidade, localizada a 83 km da capital paulista, Gil Baiano curte a fama até hoje -"ainda dá para tomar um café de graça, o pessoal gosta de fazer um agrado"-. Mas não esquece que sua missão é árdua para tentar fazer o Bragantino voltar ao que já foi, mesmo sabendo que é praticamente impossível.

Com dois rebaixamentos no Campeonato Brasileiro -em 1998, caiu para a Série B, e em 2002, para a Série C-, o Bragantino ainda patina no seu retorno à série A-1 do estadual, marcado por jogar de forma viril com adversários como Corinthians e Palmeiras e flertar perigosamente com a zona de rebaixamento.

"O primeiro passo para voltar aos melhores momentos é se manter na primeira divisão. Aí no ano que vem dá para fazer um trabalho melhor, já que chegamos aqui com tudo danificado. Estão reformando o estádio e gastando muito", diz Gil Baiano, que tem duas funções principais na comissão técnica do Bragantino.

Lateral que marcava com muito apetite, apoiava com força e, principalmente, tinha um chute venenoso de média e longa distância, Gil Baiano orienta os jogadores de defesa da atual equipe do Bragantino e aproveita sua experiência para aprimorar a finalização dos atacantes. "Dou umas dicas para o pessoal".

Experiência, aliás, é o que não falta para Gil Baiano, que começou a carreira em 1988, no Guarani, antes de saborear o auge de sua carreira, com títulos pelo Bragantino e sete convocações para a seleção brasileira, na qual participou do elenco convocado por Carlos Alberto Parreira para a Copa América de 1993, no Equador.

E com a carteirinha de treinador na mão, tirada após fazer o curso profissionalizante no período entre o fim da carreira de jogador e sua nova fase, Gil Baiano não foge à regra: quer dirigir uma equipe de expressão do futebol brasileiro. Mas sem pressa.

"Tenho um conhecimento grande do futebol, e quando surgir uma oportunidade boa vou conseguir seguir meu caminho tranqüilo", acredita o baiano, nascido na cidade de Tucano.




  Tentei ver outras coisas para fazer e investir, mas quando não se está acostumado a mudar fica difícil. Já estava no meio do futebol, fiz isso a vida inteira. Então resolvi trabalhar com futebol mesmo
Gil Baiano, ex-jogador e agora membro da comissão técnica do Bragantino
José Gildásio Pereira de Matos

03/11/1966

Tucano - BA

Times
- Guarani (1987-1988)
- Bragantino (1998-93, 99 e 2002)
- Palmeiras (1993-94)
- Vitória (1994)
- Paraná (1995-96 e 98)
- Sporting (POR) (1996-97)
- Ituano (1998)
- Comercial-SP (2000)
- 15 de Piracicaba (2001)

Títulos
- Série B (89)
- Paulista (90, pelo Bragantino, e 94, pelo Palmeiras)
- Paranaense (95-96)







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