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Feijão: não pode faltar
08h48 28/11/2006

Feijão faz nutricionista colorada chegar antes ao Japão

Lenice Carvalho viaja quase dois dias antes da delegação para evitar surpresas com a alimentação dos colorados no Japão.

Evandro César Lopes, especial para o Pelé.Net

PORTO ALEGRE - Disposto a garantir o título do Mundial de Clubes no Japão, o Internacional não descuidará de nenhum detalhe. Responsável pela alimentação do grupo antes e durante o torneio, a nutricionista Lenice Carvalho será a primeira integrante da comissão técnica a desembarcar no Oriente.

Lenice, que já desenvolveu um completo cardápio que será servido durante o vôo até Tóquio, para amenizar os efeitos do fuso-horário, vai instruir e supervisionar os chefes de cozinha dos hotéis incumbidos de preparar as refeições dos jogadores no torneio.

"Tivemos problemas com a alimentação em algumas partidas da Libertadores neste ano. Os responsáveis tinham dificuldade em interpretar aquilo que nós queríamos de verdade", lembrou a nutricionista.

ARTE/UOL 
"Em nossas viagens eles [chefes] dificilmente acertam e o feijão fica duro", lembra Cíntia Carvalho, que trabalha ao lado de Lenice e também faz parte do projeto que vai levar os jogadores ao outro lado do mundo.

A alimentação dos atletas colorados em solo japonês é uma preocupação da comissão técnica desde a conquista da Copa Libertadores. O cardápio dos jogadores durante o Mundial de Clubes da Fifa já está definido, e foi elaborado a partir de estudos e dicas de torcedores que moram do outro lado do mundo.

"No início não sabíamos o que fazer, mas recebemos um auxílio muito importante de torcedores que moram no Japão e nos enviaram sites de supermercados que trabalham com artigos brasileiros. Para falar a verdade, achei que as coisas seriam muito mais complicadas", lembrou Lenice, que chega ao Japão no dia cinco, dois dias antes da delegação gaúcha.

Cientes do processo de adaptação ao fuso horário no Japão, os integrantes da comissão técnica devem usar o cardápio como tática para manter os jogadores acordados durante a primeira parte da viagem ao Japão e depois ajudar os mesmos jogadores a dormirem no segundo trecho da "maratona".

"O vôo fará uma parada em Paris, e quando decolarmos de novo, a coisa se inverte e é preciso que eles durmam. Na primeira parte a alimentação será feita à base de muito chocolate, refrigerantes de cola e o chimarrão. No segundo trecho eles devem beber sucos de fruta, como maracujá, e comer massa", explicou Lenice.

Inicialmente vetado, o chimarrão está liberado para a viagem do time. A erva mate será o único alimento a ser levado do Brasil para consumo no Japão. "A embalagem do chimarrão pode ser facilmente adulterada, e por isso eles não estavam deixando, mas pelo que me falaram está tudo certo", comentou a nutricionista.

Apesar de não ver problemas com os produtos, que em sua maioria já foram encontrados no Japão, a diretoria colorada vai precisar gastar até dez vezes mais com a compra de alimentos. A principal diferença de valor está na carne bovina, com preço bastante "salgado" no Oriente. Um quilo de alcatra, por exemplo, que pode ser encontrado por até R$ 10 no Brasil, é quase sete vezes mais caro na Ásia.



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