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Renato Augusto: simples
12h31 08/03/2007

Família e perfil torcedor 'blindam' revelação do Flamengo

Apesar de ser considerado ídolo precoce e de usar a camisa que já foi de Zico, meia mantém a postura humilde e retira ensinamentos dos tempos em que era torcedor.

Vinícius Barreto Souto, especial para o Pelé.Net

RIO DE JANEIRO - A forma sucinta como responde às perguntas dos jornalistas ilustra a simplicidade de Renato Augusto. Mesmo com apenas 19 anos de idade, a maior revelação do Flamengo na atualidade encara com muita naturalidade a titularidade absoluta do time (com a camisa 10, a mesma de Zico) e não absorve os malefícios que o sucesso pode causar num jogador tão jovem.

Aliás, com a ascensão meteórica que teve na carreira, Renato Augusto tinha tudo para se deixar levar pela soberba. Bicampeão estadual de juniores e vice-campeão mundial com a seleção brasileira sub-17 em 2005, o meia chamou a atenção dos rubro-negros nas divisões de base e rapidamente chegou aos profissionais do clube mais popular do país.

Após se destacar pela equipe de juniores e pela seleção sub-17, em junho de 2006, Renato Augusto seguiu com o time profissional para três amistosos do Flamengo no Norte e Nordeste. Aproveitou bem a oportunidade e marcou dois gols. Com isso, já foi escalado pelo técnico Ney Franco como titular (com a camisa 10) nas finais da Copa do Brasil, contra o Vasco.

Com duas grandes atuações e muita personalidade, Renato Augusto, na época com apenas 18 anos, não sentiu o peso da estréia na equipe como titular numa decisão importante, contra o maior rival do Flamengo, com o Maracanã lotado. Desde então, o jogador-torcedor - que assistiu às quartas-de-final e à semifinal da Copa do Brasil da arquibancada do estádio - não saiu mais do time.

E mesmo sendo sempre exaltado pela crítica como um craque, a revelação rubro-negra não deixa o sucesso subir à cabeça. "Blindado", Renato Augusto mantém o nível das suas atuações e a humildade. Com essas características, o camisa 10 marcou um gol na decisão da Taça Guanabara, na qual o Flamengo bateu o Madureira por 4 a 1 e ficou com a taça.

"Acho que o mais importante para mim foi a base familiar que eu tive. Isso me ajudou bastante. Além disso, meus companheiros também sempre me deixaram bem à vontade", explicou Renato Augusto, apontando a grande responsável pela manutenção da sua simplicidade: "Minha mãe, sem dúvida. Ela é a minha grande amiga e companheira. Devo muito isso a ela".

O psicólogo do Flamengo, Paulo Ribeiro, também aponta a base familiar de Renato Augusto como grande responsável pelo equilíbrio do jogador. "Ele tem uma família muito bem estabelecida. São pessoas inteligentes, que contribuíram muito para o sucesso dele. Ele tem uma mãe que está sempre presente. O apoio da família nesse momento é fundamental", comentou.

"O Renato ainda tem de amadurecer bastante. Ele sabe disso, já conversamos sobre isso. Mas, para o que se espera de um atleta que sai dos juniores e chega ao profissional, nossa, ele é nota dez", elogiou o psicólogo.

Paulo Ribeiro também atribui o equilíbrio de Renato Augusto ao trabalho realizado pelos outros psicólogos do clube. "O Renato é oriundo das nossas categorias de base. Desde o mirim, temos um psicólogo em cada categoria. Ele já passou por esse trabalho psicológico durante todos esses anos, então, já chegou aqui [no profissional] sabendo o que esperar", contou.

Perfil torcedor também ajuda
Além da base familiar, outro fator interessante ajuda Renato Augusto a manter os pés no chão no Flamengo. Torcedor de arquibancada do time, o meia conhece bem o comportamento passional dos rubro-negros.

Por isso, ele sabe que o mesmo torcedor que hoje o aplaude na boa fase, pode vaiá-lo amanhã se ele cair de rendimento. E vice-versa. "Sei disso porque também já estive muito tempo lá em cima [na arquibancada]. Da mesma forma que o pessoal xinga, eu também xingava", comentou o jogador.

Renato Augusto foi torcedor de arquibancada até pouco tempo. Mais precisamente até maio do ano passado, quando assistiu à semifinal da Copa do Brasil, contra o Ipatinga, no Maracanã.

Dois meses depois, o meia teve que dar os dois ingressos de arquibancada que já tinha comprado para assistir às finais a um amigo, já que precisava participar delas dentro de campo, com o time.

"Em qualquer clube é assim. Mas, no Flamengo, tudo tem uma dimensão muito maior. Quando você vai bem, é o Pelé, mas quando vai mal, é o Macalé. Tem que estar sempre preparado para ir bem. Sei que um dia posso levar uma vaia, mas também estou preparado para isso", continuou Renato Augusto.

Dentro de campo, simplicidade dá lugar a requinte
Se fora de campo Renato Augusto prima pela simplicidade, dentro das quatro linhas, o atleta tem comportamento inverso. Dono de grande habilidade e talento para armar as jogadas, o meia é considerado na Gávea uma jóia rara.

Tanto que, logo após a conquista do título da Copa do Brasil, a diretoria rubro-negra tratou de fazer outro contrato para Renato Augusto. O compromisso atual vai até o final de 2011 e nele consta uma multa rescisória no exorbitante valor de 30 milhões de euros (quase R$ 90 milhões).

Segundo Renato Augusto, o início da carreira no futsal foi fundamental para seu sucesso. Por isso, até hoje, ele agradece ao técnico Luiz Cláudio de Souza, conhecido como Lucas, que foi seu treinador do Grajaú, no Fluminense e no Tio Sam, antes de chegar ao Flamengo.

"Todos os treinadores tiveram importância. Mas o Lucas foi o cara com quem mais aprendi a armar as jogadas. Tudo o que sei hoje devo a ele", comentou o jogador.

Nascido em 1988, Renato Augusto não viu Zico - ídolo que imortalizou a camisa usada por ele agora - jogar. Demonstrando a humildade que lhe é peculiar, a revelação rubro-negra aponta um reserva do atual time do Flamengo como jogador que o inspirou no início da carreira, ainda no futsal. "Sempre admirei o próprio Toró na época do Fluminense", revelou Renato Augusto.




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