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11h18 20/03/2007

Tradição de revelar atletas teve início inusitado no Coritiba

Time paranaense começou a apostar em pratas da casa quando um problema no Couto Pereira impediu contratações de peso, no início da década de 80.

Arnaldo Gonçalves, especial para o Pelé.Net
SÃO PAULO - Grande aposta do Coritiba no atual momento, a revelação de garotos nas categorias de base não é nenhuma novidade no clube paranaense. A presença maciça de pratas da casa no elenco principal da equipe alviverde faz parte de uma tradição iniciada em 1982.
Mas se agora em 2007 a diretoria do Coritiba afirma que já havia planejado anteriormente um projeto de lançar os chamados pratas da casa, em 1982 a equipe alviverde esteve preenchida em grande parte por atletas formados no clube coxa-branca por um motivo totalmente circunstancial e, mais do que isso, inusitado.
De 1967 a 1982, o principal mandatário do Coritiba era Evangelino da Costa Neves, que preferia contratar jogadores de outros clubes em detrimento dos atletas formados nas categorias de base. No fim de sua gestão, quando o presidente tentou reforçar o elenco coxa-branca com a dupla Washigton e Assis, que na época tinha o passe preso ao Internacional-RS, uma notícia inesperada mudou o rumo do time alviverde nos anos seguintes.
Ao chegar a Porto Alegre para consolidar a negociação com o clube colorado, Evangelino foi informado de que a marquise do Estádio Couto Pereira corria risco de cair. Para destinar verbas para a recuperação da casa alviverde, o presidente então teve de cancelar a contratação de Washington e Assis e também as outras que pensava em fazer. Teve início aí uma tradição de aposta em pratas da casa no Coritiba.
No Campeonato Paranaense de 1982, o Coritiba não conquistou o título, mas com um time no qual predominavam pratas da casa, revelou uma série de jogadores. Dentre eles, André, Vavá e Toby, titulares da maior glória da história do clube do Couto Pereira: a conquista do Campeonato Brasileiro de 1985.
Além dos três, Gil e Elizeu, revelados em 1982, estiveram no grupo campeão brasileiro. E Leomir e Reinaldo Xavier foram vendidos para clubes do eixo Rio-São Paulo. O primeiro participou do título nacional do Fluminense em 1984, e o segundo defendeu o Palmeiras.
Segundo o grupo de torcedores "Helênicos", que edita o site História do Coritiba, contudo, os dois maiores nomes formados no Couto Pereira não surgiram na década de 80. Os principais nomes criados no clube paranaense foram os meias Dirceu e Alex.
Falecido em 1995, Dirceu foi formado pelo Coritiba no início da década de 70 e se destacou no futebol do Rio de Janeiro. O atleta foi convocado para quatro Copas do Mundo e atuou em três: 1974, 1978, na que teve melhor participação, e 1982.
Alex também ficou pouco tempo entre os profissionais do clube do Couto Pereira e ganhou projeção nacional no Palmeiras, onde foi campeão da Libertadores de 1999. Em 2003, viveu talvez o melhor momento de sua carreira no Cruzeiro, conquistando três títulos pela equipe celeste (Estadual, Copa do Brasil e Brasileiro) e o posto de melhor jogador do país.
Nos últimos anos, o Coritiba vai mantendo a tradição e revelando atletas que, na maioria dos casos, deixam o clube cedo para jogar na Europa ou em um time de um grande centro do futebol no país. São os casos do atacante Marcel, do zagueiro Miranda e dos laterais Rafinha e Adriano.
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