 |

Galo, no atual Brasileiro |
09h01 04/10/2007

Galo descobre que era feliz no mata-mata e não sabia

Atlético, que chegou 14 vezes às semifinais do Brasileiro, mas só foi campeão uma vez, piorou rendimento por na era dos pontos corridos.

Luiza Oliveira, em Belo Horizonte
BELO HORIZONTE - Apesar de ser considerada a fórmula mais justa, por premiar o clube de melhor campanha, o campeonato por pontos corridos não tem sido bem aproveitado pelo Atlético-MG. O Galo, que chegou 14 vezes entre os quatro primeiros colocados do Brasileiro, uma a mais que Inter e São Paulo, não repete a dose desde 2003, quando o regulamento foi mudado. O fantasma do rebaixamento virou rotina.
O presidente do Atlético-MG, Ziza Valadares, não esconde sua preferência pelo sistema com fases eliminatórias, mas a sua justificativa é mais financeira do que técnica. "Não gosto do campeonato de pontos corridos. Não é rentável. Pode até ser o mais correto porque o Atlético teria sido campeão em anos passados, mas entendo que no caso da rentabilidade do futebol profissional, com maior participação de torcida, o mata-mata é melhor", explicou.
Para o dirigente atleticano, os pontos corridos aumentam a disparidade entre os clubes com maior e menor poder financeiro, não dando oportunidade igual a todos, o que, segundo ele, prejudica o Atlético. "Nós estamos ainda arrumando a casa, estamos com dificuldades", comentou. "Infelizmente já disseram que em 10 campeonatos os times que têm maior condição vão ganhar nove e vamos tentar beliscar um", acrescentou Ziza. |
|---|
| MATA-MATA É MAIS RENTÁVEL |
| SÉRIE B FOI EXCEÇÃO À REGRA | LEIA NOTÍCIAS DO ATLÉTICO-MG |
No primeiro ano da disputa por pontos corridos, o Galo obteve sua melhor colocação no sistema de pontos corridos na Série A, mas ainda assim, ficou longe da disputa do título, conquistado pelo rival Cruzeiro. O Atlético ficou em 7º lugar, a apenas um ponto do Coritiba, último a conquistar vaga para a Libertadores. Mas nos outros anos a história não se repetiu.
Em 2004, a massa atleticana se assustou pela primeira vez com a chance concreta de disputar a Série B, mas conseguiu escapar, a três rodadas do fim, quando Procópio Cardoso assumiu o Galo livrando-o do descenso apenas na última rodada com uma vitória sobre o São Caetano. No ano seguinte, o pior aconteceu. Com uma campanha pífia, a queda foi inevitável. No retorno à elite do futebol brasileiro em 2007, após uma campanha vitoriosa na Série B, curiosamente por pontos corridos, a lição parecia ter sido aprendida, mas os resultados não confirmam isso. O início foi até animador, quando entrou no G-4, mas, mais uma vez o fantasma do rebaixamento voltou a assombrar a Cidade do Galo. Após perder para o Flamengo, no último sábado, o Atlético chegou a 17ª posição, primeiro candidato ao descenso.
"No sistema com pontos corridos o mais importante é a regularidade, o que acontece com a gente é aquele ganha e perde e isso leva lá embaixo. No mata-mata você começa a vencer, consegue uma seqüência de três quatro vitórias e já está embalado", analisou o lateral-direito Cláudio. "Acho que pontos corridos tem que ter um bom planejamento e de preferência a mesma performance desde o começo da competição", acrescentou.
| ATLÉTICO-MG ANTES DE 2003 |
|---|
| POSIÇÃO | Nº DE VEZES |
|---|
| Campeão | uma (71) |
|---|
| Vice-campeão | três (77, 80, 99) |
|---|
| Semifinalista | 10 vezes |
|---|
|
Acostumados a verem seu time sempre nas retas finais e brigando pelas primeiras posições do Brasileirão, os atleticanos vivem uma situação muito incômoda. Primeiro campeão nacional, em 1971, o Atlético chegou a mais três finais quando deixou escapar o título em todas elas. Em 1977, o Galo terminou a competição invicto e a 10 pontos do São Paulo, que foi o campeão nos pênaltis. Em 1980, Flamengo e Corinthians foram campeões. O técnico Emerson Leão defende o sistema de pontos corridos que premia, de fato, o melhor e o mais regular do Campeonato. "O São Paulo está disparado na frente, merece. Não é só no Atlético, mas falta consciência que o grupo tem que ser mais forte, que tem que ter planejamento mais forte, tentar segurar os bons jogadores. Mas só consegue isso quem tem lastro, quem recebe valor de propaganda maior, da CBF, televisão, o que não é o nosso caso", avaliou.
|