


|



08h00 31/03/2008

Por auto-suficiência 'técnica', São Paulo turbina Cotia

Clube usa verba da Lei de Incentivo ao Esporte no Centro de Treinamento das categorias de base para, em dois anos, não depender do mercado externo para formar seu plantel principal.

Julyana Travaglia, especial para o Pelé.Net
SÃO PAULO - Aclamado auto-suficiente no quesito financeiro, o São Paulo busca agora um outro tipo de independência para diferenciá-lo dos outros clubes brasileiros: a auto-suficiência técnica. E nas palavras do presidente Juvenal Juvêncio ao Pelé.Net, essa meta não está distante.
"Quando falo em auto-suficiência técnica, me refiro a capacidade do clube de manter um bom plantel, sem precisar recorrer ao mercado externo, aproveitando os jogadores de Cotia", explica o mandatário são-paulino. "Penso que o São Paulo deva alcançar isso em até dois anos."
O presidente são-paulino espera conseguir ter um time profissional com uma base de jogadores oriundos das categorias de base do clube, o Centro de Formação de Atletas de Cotia, local onde trabalham as jovens promessas do time do Morumbi.
Desta forma, o elenco profissional que hoje conta com somente sete jogadores formados na base são-paulina, dois deles titulares do time -o goleiro Rogério Ceni e o volante Hernanes--, teria, no futuro, apenas alguns jogadores considerados de talentos extremos vindos de fora.
"É claro que não deixaríamos de trazer jogadores de fora, mas esse número seria bem menor que o atual", explica Juvenal.
Pensando nesse futuro próximo, o São Paulo tem investido no local que é o berço dos seus jovens talentos. Desde que foi criado em 2005, o CT de Cotia já consumiu algo em torno de US$ 8 milhões, usados na construção de alojamentos, campos de treinamento e em um pequeno Reffis para os atletas que freqüentam o local.
Com a verba da Lei de Incentivo ao Esporte que recebeu em dezembro de 2007, o plano é melhorar as instalações. Os R$ 18 milhões provenientes da lei serão gastos em três projetos elaborados pelo clube: a construção de uma arquibancada para as partidas das equipes inferiores, um hotel para abrigar jogadores e clubes convidados, e a ampliação do pequeno Reffis já existente.
A contrapartida para receber a verba federal é a abertura do Reffis para a comunidade local. Lá, o São Paulo pretende cuidar das crianças e adolescentes de baixa renda de Cotia.
"Para nós, formar jogadores é uma tradição, assim como o destino deles é o mercado externo", comentou João Paulo de Jesus Lopes, assessor especial da presidência do clube.
O cuidado com as pratas da casa tem gerado uma boa receita para o clube. No fim do ano passado, o zagueiro Breno, com menos de seis meses na equipe profissional, foi vendido aos alemães do Bayern de Munique por US$ 18 milhões (cerca de R$ 32 milhões).
Segundo levantamento do clube, nos últimos 13 anos, o São Paulo já lucrou US$122 milhões com a venda de jogadores para clubes estrangeiros. "Temos essa característica de sermos um clube exportador. Por isso a necessidade de investimento permanente em Cotia", justifica João Paulo, para acrescentar: "Não é exagero pensar que, assim, conseguiremos a auto-suficiência técnica em dois anos." UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)
|
 |
|

|