09h10 07/04/2008

"Inimigo da altitude", Fla vai a Cusco sem medo de pressão extracampo

Líder de movimento contra jogos de futebol em alturas elevadas, Márcio Braga, presidente rubro-negro, diz não temer represálias no Peru e provoca: "eles que precisam ter medo do Flamengo"

Bernardo Coimbra, do Pelé.Net

RIO DE JANEIRO -
Durante cerca de três meses o Flamengo lutou para não enfrentar o Cienciano-PER na altitude de Cusco. Os seus dirigentes ameaçaram até perder o jogo de WO, caso a Conmebol não mudasse o local da partida. Como já era esperado, isso não aconteceu e o Rubro-Negro vai ter que entrar em campo nesta quarta-feira.

FLA x FUTEBOL NA ALTITUDE
EFE
Revolta do Fla contra condições de jogo na altura começou com experiência em Potosí
Divulgação
Márcio Braga defende posição do Fla
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AFP
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Diante de tanta confusão e reclamação, o Flamengo, leia-se o presidente do clube, Márcio Braga, acabou virando persona non grata para o Cienciano. O clima hostil pode provocar reações ruins na chegada da delegação rubro-negra a Cusco.

Apesar do temor, Márcio Braga, em tom provocador, mandou o seu recado: "Eu que vou ficar com medo de ir para lá? Eles que precisam ter medo do Flamengo", alfinetou o dirigente, que deverá ficar no Rio de Janeiro, assim como o vice de futebol Kleber Leite.

Tentando amenizar os ânimos, os jogadores do Flamengo e o técnico Joel Santana acenaram com a bandeira da paz na última quarta-feira, dia 2 de abril, antes mesmo da decisão da Conmebol, tomada no dia seguinte.

"Devemos jogar em qualquer lugar. No Aterro do Flamengo (tradicional campo de peladas no Rio de Janeiro) ou na altitude. Não podemos aumentar esse clima hostil", salientou o comandante rubro-negro.

Com a confirmação da partida em Cusco, restou a Márcio Braga, apenas, lamentar a decisão da Conmebol. Segundo o dirigente, é um absurdo o que está permitindo a Confederação Sul-Americana de Futebol.

"É uma decisão estapafúrdia. Tudo aquilo que estávamos brigando há um ano, parece que só será cumprido a partir de 2009. Mas sigo preocupado com os nossos atletas. A Conmebol tinha que cumprir a resolução da Fifa, que é a entidade máxima do futebol mundial. Ela avisou que existe risco de morte. Volto a dizer que é uma decisão estapafúrdia", reclamou.

O Flamengo resolveu entrar nesta briga após os problemas na Libertadores de 2007, quando o Rubro-Negro enfrentou o Real Potosí-BOL, na Bolívia, com cerca de 4.000m de altitude acima do nível do mar. O jogo terminou 2 a 2, mas os jogadores enfrentaram muitos problemas.

O caso mais grave foi do meia Renato Augusto, que precisou ser atendido ainda no campo com balão de oxigênio. O goleiro Bruno, após bater um tiro de meta, caiu no gramado e foi socorrido pelo departamento médico rubro-negro.



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