09h04 23/05/2008

Romerito: o patinho feio que virou ídolo no Sport

Meia de 34 anos volta às manchetes após boas atuações em 2008 e tenta permanência na equipe rubro-negra

Lucas Fitipaldi, especial para o Pelé.Net

RECIFE - Os três gols contra o Palmeiras, na Ilha do Retiro, chamaram a atenção. Naquela noite do último dia 30 de abril, o meio-campista Romerito apresentou o seu cartão de visitas ao Brasil. Uma atuação de gala na incontestável vitória que levou o Sport às quartas-de-final da Copa do Brasil. Espanto geral para Luxemburgo e os seus comandados.

Em Pernambuco, porém, a exibição do jogador de 34 anos não foi vista com tanta surpresa. Eleito o craque do Campeonato Pernambucano 2008, Romerito foi o principal comandante do time rubro-negro na conquista do tricampeonato estadual. Sua versatilidade e eficiência o transformaram no principal nome do Sport na atual temporada. Não por acaso, esse goiano de jeito desengonçado com a bola nos pés, é hoje ídolo da torcida rubro-negra.

Aos 34 anos, Romerito Mendonça Sobrinho vive o melhor momento da carreira. Autor de 15 gols este ano, 10 pelo Pernambucano e 5 pela Copa do Brasil, a imagem do "caipira", como é carinhosamente chamado por alguns, ilustra bem o sucesso do Sport em 2008. Jogador de muita raça, ele é considerado um verdadeiro 'leão', assim como o mascote do clube pernambucano. Mas se engana quem pensa que a relação com os torcedores do Rubro-negro sempre foi um mar de rosas.

Contratado durante a disputa do Campeonato Brasileiro de 2007, Romerito chegou do Goiás com a dura missão de substituir o ídolo Fumagalli, que havia se transferido para o Oriente Médio. Depois de uma boa atuação na estréia contra o Atlético/MG, no dia 14 de julho, ele não teve uma boa seqüência. Choveram críticas por parte da torcida e da imprensa. Questionado, foi muitas vezes vaiado. A ponto de ter que pedir um pouco de paciência aos torcedores.

Blindado pelo técnico Geninho, o responsável pela sua contratação, Romerito terminou o Brasileiro sem conseguir conquistar os rubro-negros. A volta por cima, entretanto, não demoraria a acontecer. Mas hoje, mesmo diante de todo o prestígio, o meio-campista não esquece os momentos difíceis do início. "Me abati muito. Evitava sair de casa, procurava ficar mais isolado. Era ruim demais. Tentava me reservar e focar nos treinamentos para reverter a situação. Mas apesar de toda experiência, foi complicado passar por momentos como aqueles", revela.

O jogador, por sinal, acredita ter sido injustiçado. Para ele, as comparações com Fumagalli acabaram pesando contra si. "Tinha consciência de que estava fazendo as coisas certas dentro e fora de campo. Quando cheguei aqui todos achavam que eu seria o substituto do Fumagalli. Mas somos jogadores de características diferentes. Ele é um cara mais técnico e habilidoso. Eu tenho outro estilo", diz.

De fato, os dois chegaram a jogar juntos no interior de São Paulo, pelo Santo André, em posições extremamente distintas. "Lá eu jogava de ala esquerdo ou segundo volante, enquanto ele era atacante", relembra. Diferenças minimizadas com o tempo por uma única semelhança: o lugar cativos que ambos possuem no coração do torcedor do Sport. Antes dos jogos, o grito de "Ah, é Fumagalli!", renasceu na versão "Ah, é Romerito!". E hoje, o "substituto" espera reeditar a dupla que a torcida rubro-negra tanto sonha ver em ação. "Sempre nos demos muito bem. Nossa Senhora, seria bom demais jogar com ele aqui no Sport", afirma.

O primeiro passo já foi dado. Fumagalli acertou seu retorno e brevemente estará se apresentando na Ilha do Retiro. Resta saber se Romerito vai conseguir a liberação com o Goiás, clube que detém seus direitos federativos até o final de 2008. O contrato com o Sport se encerra no próximo dia 31 e os dirigentes goianos já disseram que não abrem mão do seu futebol para a disputa do Brasileiro.

Na defensiva, o Sport despista e garante ter firmado um acordo para tê-lo de volta no início de 2009, quando o mesmo terá o passe livre. Enquanto isso, a negociação entre os dois clubes se arrasta. Mas uma coisa, porém, é certa: se o clube pernambucano passar pelo Vasco e for à final da Copa do Brasil, o mais novo xodó está liberado para entrar em campo nos dois jogos decisivos. Seria a grande chance, de definitivamente, Romerito cravar o seu nome na história do Sport.



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