09h01 10/06/2008

Poucos jogadores de Galo e Raposa nunca jogaram no exterior

Com exceção dos jovens formados na base, os dois rivais mineiros têm um grande número de atletas com experiência internacional.

Luiza Oliveira, do Pelé.Net

BELO HORIZONTE - A cada ano aumenta o número de jogadores brasileiros que têm pelo menos uma passagem pelo futebol internacional. Nos dois principais clubes de Minas Gerais essa tendência pode ser cada vez mais observada. Dentre os jogadores de Atlético-MG e Cruzeiro que mais tem entrado em campo, no momento, com exceção dos revelados pela base ao profissional, apenas cinco nunca atuaram no exterior.

Divulgação/Cruzeiro
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Wagner não teve boa experiência fora do país, mas não se arrepende por ter ido.
Divulgação/Atlético-MG
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Lateral-direito Coelho foi para a Escócia, não ficou, mas ainda sonha com a Europa.
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JOVENS PROMESSAS AGUARDAM VEZ
No alvinegro, dos 13 jogadores que mais vezes atuam no time titular, apenas o goleiro Juninho e o lateral-direito Coelho nunca estiveram em terras estrangeiras. Revelado pelo Corinthians, Coelho engordaria a lista este ano e só ficou no país porque o Celtic, da Escócia, não honrou o compromisso com o clube paulista, que possui seus direitos econômicos.

Do lado celeste, dos 14 mais atletas utilizados pelo técnico Adilson Batista, desconsiderando também os formados nas categorias de base, apenas o goleiro Fábio, o volante Ramires e o zagueiro Thiago Martinelli jamais atuaram fora do Brasil. Esse número pode mudar já que o camisa um e o meio-campista estão entre os mais cobiçados para uma transferência internacional.

A saída de jogadores do Brasil para o exterior é geral. De acordo com o site da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), apenas no ano passado 1085 jogadores deixaram o país do futebol para tentar a sorte em gramados internacionais.

No Atlético-MG, a grande maioria já teve pelo menos uma experiência no exterior, mesmo que curta. O capitão Marcos passou por Portugal e Holanda e o zagueiro Vinícius passou pelo país lusitano, mas também por Bélgica e Coréia do Sul. Ainda na defesa, o lateral-esquerdo Calisto esteve no Rubin Kazan, da Rússia, entre 2003 e 2007.

No meio-campo, o volante Márcio Araújo foi emprestado ao Kashiwa Reysol, do Japão, em 2007, enquanto o meia Petkovic é sérvio e já rodou por Iugoslávia, Espanha, Itália, Arábia Saudita e até China. No ataque, Marques esteve no Japão e Marinho teve uma passagem pelo Hammarby, da Suécia, em 2004. Até Danilinho, apesar da pouca idade, passou pelo Schalke 04, da Alemanha, com apenas 16 anos de idade.

EXTERIOR SEDUZ ATLETAS
O jogador que já viveu a experiência de atuar no exterior garante que ela é enriquecedora, além da vantagem de ganhar em euros e dólares. Wagner não se adaptou aos costumes árabes, desde a cultura, ao clima e a alimentação, bem diferentes dos brasileiros, mas não nega que a experiência foi válida.
"Minha primeira experiência fora foi boa, mas também teve outras coisas difíceis e vamos tirar tudo de bom que aprendemos lá. Teve até homem beijando homem na comemoração de um gol. Ainda bem que aqui é só aperto de mão. Mas acho importante passar por isso e hoje é cada vez mais difícil um jogador nunca ter ido", avaliou.
Quem ainda não teve a chance de jogar no futebol internacional não esconde a vontade de ter pelo menos uma passagem por lá e o gosto de ganhar muito dinheiro. O lateral Coelho admite que o aspecto financeiro ainda é o que prevalece.
"Se o Galo colocar 4 milhões de euros na minha mão eu fico aqui e não vou embora não. Hoje em dia é muito difícil você fazer uma vida no futebol sem passar pelo exterior", afirmou o lateral. Segundo ele, ir para o exterior é fundamental na vida de um atleta que quer ter maior tranqüilidade depois que encerrar a carreira. "Realmente é difícil você ter um nível de vida elevado só jogando no Brasil depois que você parar. É complicado, tem que ir para o exterior", complementou.
TRANSFERÊNCIA RONDA A TOCA
No rival Cruzeiro, vários jogadores chegaram na Toca da Raposa este ano a pedido do técnico Adilson Batista com quem estiveram no Jubilo Iwata, do Japão, casos do meia Marquinhos Paraná e dos volantes Henrique e Fabrício. Quem também passou pela terra do sol nascente foi o lateral Jadílson, em 2002, ao defender o Consodale Sapporo.

O zagueiro equatoriano Espinoza atuou em seu país, no México e na Holanda. O meia Wagner teve uma pequena passagem pelo Al-Ittihad da Arábia no primeiro semestre do ano passado, enquanto o atacante Weldon está de volta do futebol português, mas também se aventurou em terras árabes e francesas.

O técnico Adilson Batista considera, hoje, praticamente inevitável um atleta ter sua chance em outro país. "Do jeito que está o futebol todo mundo vai ter a oportunidade lá fora, saem do país mais de mil atletas por ano e cabe aos clubes se organizarem, terem atenção e trabalhar da melhor forma", disse.

Mesmo com chances de perder atletas importantes, Adilson, que como jogador atuou no Jubilo Iwata, do Japão, de 1997 a 1999, é um incentivador e considera uma experiência fundamental na vida de um profissional passar por um tempo fora.

"Eu acho que é importante. Acho não, tenho certeza que contribui para o aspecto cultural, para a vivência, o conhecimento, uma nova metodologia de trabalho, adaptação. Até para valorizar o próprio país, a volta, as dificuldades que enfrentam lá fora. Só tende a acrescentar na carreira de qualquer profissional", analisou.

Com ampla rotatividade, constantes saídas e chegadas de atletas do mercado internacional, o presidente do Atlético Ziza Valadares considera normal as idas e vindas, o que é induzido pelos próprios clubes envoltos em dificuldades financeiras. Segundo ele, os atletas saem cada vez mais cedo e até por isso acabam voltando.

"Acho natural porque hoje no futebol brasileiro uma grande preocupação que a gente tem é disponibilizar jogadores para o exterior. Eu preciso vender para ter recursos, então às vezes o jogador não vai tão preparado como deveria ir. Chega lá, não tem sucesso e acaba voltando, às vezes nem se adapta lá. São culturas e povos totalmente diferentes", comentou.



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