07h59 19/06/2008

Menos de dois anos depois, pouco resta do Inter campeão da América e do mundo

Com a saída do capitão e ídolo Fernandão, clube gaúcho fecha um ciclo na sua história, e são apenas seis os remanescentes da recente época de glórias

Vinicius Simas,
Do Pelé.Net


PORTO ALEGRE - Há quase dois anos, o Internacional alcançou as maiores glórias dos seus quase cem anos de história. Os títulos da América e do mundo ainda são lembranças recentes na memória do torcedor, mas no Beira-Rio são poucos os remanescentes daquele vitorioso elenco. A saída do capitão Fernandão, na última semana, foi o principal marco para o fim de uma Era inesquecível.

A ERA FERNANDÃO - 2004/2008
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Fernandão (beijando a taça do Mundial) foi para o Qatar mas promete voltar ao Inter, nem que seja apenas como torcedor
Em exatos quatro anos no Beira-Rio, Fernandão se tornou um dos maiores ídolos do Inter, e entrou para história logo na sua estréia, quando marcou o milésimo gol em Gre-Nais.

Capitão e principal referência em campo, ele marcou 77 gols em 190 jogos com a camisa alvirrubra. Ergueu as taças da Libertadores, do Mundial, da Recopa, da Dubai Cup e de dois Estaduais.

Fernandão oficializou seu contrato com o Inter dia 14 de junho de 2004, e sua rescisão foi assinada precisamente dia 14 de junho de 2008.
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Chegando ao final do primeiro semestre de 2008, o clube colorado vive momento de transição. A começar pelo desmembramento dos principais comandantes dentro do vestiário. Após a quarta rodada do Campeonato Brasileiro o técnico Abel Braga se transferiu para o Al Jazira, dos Emirados Árabes.

Em seguida foram embora os atacantes Iarley, que acertou com o Goiás, e Fernandão, maior ídolo colorado da atualidade, que não resistiu à milionária proposta do Al-Gharafa, do Qatar. Ambas as despedidas foram acompanhadas de lágrimas, tanto dos atletas como da torcida.

"Decidi com minha família que moraremos em Porto Alegre. Se eu não voltar como jogador, será como dirigente ou simplesmente torcedor", prometeu o capitão Fernandão.

Dos 23 jogadores que foram ao Japão em dezembro de 2006 para serem campeões do Mundial de Clubes da Fifa, apenas sete ainda trabalham no Beira-Rio, sendo que um deles, Michel, treina em separado, aguardando por propostas de outros times.

ONDE ESTÃO OS JOGADORES CAMPEÕES MUNDIAIS:
1 - Clemer - Segue no Inter
2 - Ceará - PSG, França
3 - Índio - Segue no Inter
4 - Fabiano Eller - Atlético de Madri, Espanha
5 - Wellington Monteiro - Segue no Inter
6 - Hidalgo - Grêmio
7 - Alex - Segue no Inter
8 - Edinho - Segue no Inter
9 - Fernandão - Al-Gharafa, Qatar
10 - Iarley - Goiás
11 - Alexandre Pato - Milan, Itália
12 - Renan - Segue no Inter
13 - Ediglê - Marítimo, Portugal
14 - Fabinho - Fluminense
15 - Rubens Cardoso - Coritiba
16 - Adriano Gabiru - Goiás
17 - Vargas - Boca Juniors, Argentina
18 - Luiz Adriano - Shaktar Donetsk, Ucrânia
19 - Léo - Coritiba
20 - Perdigão - Corinthians
21 - Elder Granja - Palmeiras
22 - Marcelo Boeck - Marítimo, Portugal
23 - Michel - Segue no Inter, mas não é aproveitado
Desmanche começou logo após a Libertadores
Para manter as contas em dia a diretoria acredita que só mais um atleta do elenco ainda irá embora neste ano, e o zagueiro Sidnei é quem está mais próximo de ser vendido. "Temos conseguido vender e repor peças para fazer o time crescer, e será assim novamente", analisa o ex-presidente e assessor de futebol, Fernando Carvalho.

O bom momento financeiro do clube - alcançado graças às recentes conquistas e ao quadro social, que já ultrapassou os 78 mil vinculados - não é suficiente para evitar as baixas. Além da rotatividade natural do futebol, a cada boa fase surgem novas ofertas por jogadores, e não há como segurá-los.

No dia 16 de agosto de 2006 o time gaúcho superou o São Paulo na decisão da Libertadores da América e conquistou o continente. Quatro destaques daquela campanha foram imediatamente negociados. O atacante Rafael Sobis e o lateral-esquerdo Jorge Wagner foram para o Bétis, da Espanha; o zagueiro Bolívar acertou com o Mônaco, da França; e o volante Tinga se transferiu para o Borussia Dortmund, da Alemanha.

As reposições, naquela ocasião, vieram através do volante Vargas, do lateral Hidalgo e de um jovem que surgia das categorias de base, Alexandre Pato. Os três foram campeões mundiais e não estão mais no Inter.

Edinho, o capitão do centenário?
Nas últimas três temporadas o Inter conquistou Libertadores, Mundial, Recopa Sul-Americana (2007), Dubai Cup (2008) e Gauchão (2008), sempre com o trio Fernandão, Iarley e Clemer à frente no pódio levantando as taças.

Dos três grandes líderes do elenco, apenas o goleiro Clemer permanece no clube gaúcho, e na reserva e Renan. Dessa forma o novo técnico, Tite, entregou a braçadeira de capitão ao volante Edinho que, desde 2003, já disputou 252 partidas com a camisa colorada.

"É muito boa a sensação, a gente fica grandão", brinca. "Mas isso é o de menos. Se o treinador optar por outro, vou me empenhar da mesma forma", frisou.

Na última rodada do Brasileirão (8/6), Edinho deu início à nova Era marcando um golaço na vitória de 2 a 1 sobre o Botafogo. Resta saber se ele, assim como a boa largada, continuarão até 2009, ano do aguardado centenário.



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