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08h09 24/06/2008

Novatos na Série B se dividem em agonia e conforto no início

Dos quatro times que caíram no ano passado, Corinthians e Juventude arrancam bem e vêem Paraná e América-RN ameaçados pela Série C

Alexandre Sinato, especial para o Pelé.Net*
SÃO PAULO - Cair para a Série B do Brasileiro é um drama para qualquer clube. Há o trauma, a redução nas rendas, a desconfiança da torcida e a gozação dos rivais. As equipes, então, se preparam para lidar com o purgatório rumo ao acesso. Mas enquanto algumas conseguem "entender" a competição logo, outras sofrem. E muito.
A edição atual da Segundona mostra bem que o caminho de volta para a elite não é fácil. Mais que isso, mostra que esse mesmo caminho pode ser traiçoeiro e levar à direção errada, rumo à Série C. Neste ano, dos quatro times rebaixados em 2007, dois tomaram a trajetória correta em suas arrancadas: Corinthians e Juventude. Por outro lado, Paraná e América-RN vêem o sofrimento só aumentar.
Terminada a sétima rodada (cerca de um quinto do total), Corinthians e Juventude aparecem entre os quatro primeiros e demonstram força para retornar à Série A. Enquanto isso, Paraná e América-RN amargam posições na parte de baixo da tabela e, hoje, estariam rebaixados para a Terceira Divisão.
Sensação e "carro-chefe" da disputa, o Corinthians até agora tem passeado. No último sábado, perdeu seus primeiros pontos ao empatar por 1 a 1 com a Ponte Preta, mas lidera com 19 pontos e seis de vantagem para o vice-líder Avaí. Reformulou bastante seu elenco e trouxe um técnico de ponta: Mano Menezes tem conduzido a equipe sem grandes sustos.
Em um semestre, o treinador já foi vice-campeão da Copa do Brasil e fez campanha satisfatória no Paulista. Assim, diminuiu bastante a desconfiança dos torcedores e o choque do descenso. "Estamos no caminho certo. Temos orgulho dos jogadores e da comissão técnica, todos fizeram um trabalho muito sério até agora e estamos satisfeitos", avaliou o vice-presidente Mário Gobbi.
No Juventude, reforços também chegaram para o técnico Zetti, no time desde a fase final do Gaúcho. A turbulência foi grande na decisão estadual devido à goleada por 8 a 1 sofrida diante do Internacional. Mas a diretoria adotou uma postura que se mostrou acertada: manteve o treinador, não crucificou seus jogadores e qualificou o elenco.
"Foi um momento que tivemos que ser hábeis em fazer a avaliação correta de tudo o que aconteceu. Mas garantimos ao nosso torcedor que o grupo de atletas seria qualificado para termos condições de alcançar nosso objetivo maior, que é voltar para a Série A", explicou o presidente Sérgio Florian.
Mas os exemplos de Corinthians e Juventude não foram seguidos pelos outros dois rebaixados em 2007. Tanto Paraná como América-RN adotaram a tática aparentemente mais fácil: trocas mais rápidas de treinadores e demissão em massa. Tal postura agora cobra um preço: o começo cambaleante na Série B.
Além de ter mudado praticamente toda a defesa e bastante do meio-campo, o Paraná já está com seu terceiro técnico do ano, Rogério Perrô. "Trocamos a comissão técnica não porque ela não tivesse bons profissionais, mas havia um desgaste natural em função dos resultados que não vinham acontecendo", argumentou o presidente Aurival Correia.
Saco de pancadas na última Série A, quando caiu com bastante antecedência, o América-RN conseguiu se destacar nesta Série B em um quesito pouco animador: Carlos Moura é o quarto treinador do time nesta temporada. Tanta mudança não ficou restrita ao comando. O mesmo aconteceu com o time, que passa por reformulação desde a fraca campanha no Estadual (não chegou à grande decisão) e já apresenta as piores defesa e ataque no Nacional.
Nesta terça-feira, a Série B chega a sua oitava rodada. Ainda restam 31 partidas para cada clube, mas ao mesmo tempo em que pode significar uma virada, esse período pode afundar ainda mais quem não deu o devido respeito à competição. E aí mudar técnico e jogadores não evitará nova queda, desta vez à Terceira Divisão.
*Colaboraram João Carlos de Santa e Nico Noronha UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)
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