09h01 09/07/2008

Rivais mineiros reformulam elencos durante o Brasileirão

Em situações distintas na temporada, Galo e Raposa mudam a cara dos seus grupos de jogadores com a competição em andamento.

Luiza Oliveira, do Pelé.Net

BELO HORIZONTE - Os rivais Atlético e Cruzeiro, que no próximo domingo disputarão o tradicional clássico mineiro, válido pelo Campeonato Brasileiro, por motivos diferentes, estão promovendo reformulações profundas em seus elencos. Em um curto espaço de tempo, entre o final do Estadual, conquistado pela Raposa, e a 9ª rodada do Nacional, as mudanças nos dois grupos de jogadores são bastante perceptíveis.

AP
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Moreno foi negociado pelo Cruzeiro, que já reformulou bastante o elenco do clube.
Site oficial do Atlético-MG/Divulgação
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Zagueiro Nen é um dos reforços contratados pelo Atlético-MG após a chegada de Gallo.
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A transformação do elenco alvinegro visa melhorar o rendimento da equipe, que perdeu o título estadual, foi eliminado da Copa do Brasil e ocupa apenas a 15ª colocação no Brasileirão, após a disputa de nove jogos. Por isso, o técnico Geninho deixou o comando atleticano após a eliminação para o Botafogo, na Copa do Brasil, substituído por Alexandre Gallo, e muitos jogadores saíram por desempenho insatisfatório e outros chegaram para mudar o quadro de instabilidade gerado no ano do centenário.

Já no Cruzeiro, campeão mineiro, mas que ficou no meio do caminho na Libertadores, desclassificado pelo Boca Juniors, o técnico Adilson Batista continua no comando de um time titular, que tem mantido uma base, mas em relação ao elenco também foi bastante modificado. Muitos atletas foram negociados pelo clube celeste, ou cedidos por empréstimo a outras equipes, para o grupo não ficar muito inchado, enquanto outros atletas ainda estão sendo contratados para fortalecer o plantel.

Com resultados que deixam a desejar no ano de seu centenário, o Atlético, por sua vez, mudou muito não só o elenco, mas o time titular. Da equipe que estreou no Campeonato Mineiro, na derrota para o Democrata-SL, por 1 a 0, em Sete Lagoas, apenas o zagueiro Leandro Almeida, o volante Márcio Araújo e o meia-atacante Danilinho são considerados titulares hoje.

Na tentativa de formar o grupo ideal, neste período o clube abriu mão de atletas que não renderam o esperado. Alguns foram emprestados, outros simplesmente afastados e há ainda os que tiveram contratados rescindidos. Já deixaram o elenco atleticano, entre outros, o goleiro Sérvulo, os laterais Claudio, Nêgo, Bruno Barros, Agustín Viana; o zagueiro Ricardo Martinez, o volante Xaves, os meias Gérson, Sidnei, Thiago Silva e os atacantes Vanderlei, Amilton, Marcelo Nicácio e Marinho.

Apenas a negociação do atacante Éder Luis, emprestado ao São Paulo por R$ 1,5 milhões, foi considerada realmente lucrativa. Já o lateral Coelho, cujos direitos econômicos pertencem ao Corinthians, teve que ser liberado para atuar no Bologna, da Itália.

Se muitos saíram, vários também chegaram. Ainda sob o comando de Geninho, foram contratados os meias Petkovic e Almir e o atacante boliviano Castillo, que chegaram a atuar pela Copa do Brasil. Depois chegou o lateral-esquerdo Calisto e, na Era Gallo, já são sete reforços: o zagueiro Nem, o volante Francis e o lateral Amaral, todos ex-Palmeiras, os laterais César Prates, que estava no Figueirense, e Mariano, vindo do Ipatinga, o meia Elton, também do Figueira, além do atacante Beto, ex-Criciúma.

ADAPTAÇÃO É DESAFIO
Os jogadores de Atlético-MG e Cruzeiro têm opiniões diversas sobre o assunto, mas concordam que é preciso se adaptar tanto à saída dos colegas quanto à chegada de novos companheiros, situações cada vez mais corriqueiras no futebol brasileiro.
No momento do Atlético, o goleiro Edson vê como prejudicial. "Quando está mudando é sinal que os resultados não estão acontecendo. Mas se o professor Gallo está fazendo isso é porque está tentando encontrar o melhor para o Atlético", comentou o camisa 1, que foi titular nos dois últimos jogos do time, barrando Juninho.
Do lado celeste, o volante Ramires acredita que a reestruturação pode ser até benéfica. "Prejudicial não pode ser, a equipe está vencendo, está em segundo lugar no Brasileiro, então não vejo prejuízo nenhum. Todo time passa por reformulação, chega jogador, sai jogador e no Cruzeiro não é diferente", analisou.
Assim também pensa o lateral-esquerdo Jadílson, que avalia a mudança como algo positivo. "A saída do Marcelo já era esperada porque quando um jogador se destaca numa competição como a Libertadores desperta muito interesse nas equipes da Europa e para o Marcelo foi bom, para o Cruzeiro também. O Cruzeiro contratou também, quem chegou está entrando e se enquadrando no grupo e a tendência no Cruzeiro é crescer com isso", avaliou.
MOTIVOS SÃO DIFERENTES
No lado celeste, a situação está melhor, mas as mudanças também são freqüentes. A máxima que time que está ganhando não se mexe é contrariada no Cruzeiro. Com uma boa campanha neste ano já que sagrou-se campeão mineiro de forma incontestável e ocupa a vice-liderança do Campeonato Brasileiro, o time titular pouco mudou, ao contrário do elenco.

Mas os motivos são bem diferentes do rival. Tradicionalmente bom vendedor, o clube celeste aumentou sua arrecadação com a transferência internacional de atletas como o atacante Marcelo Moreno para o Shakthar Donetsk, da Ucrânia, o meia Marcinho, emprestado ao Kashima Antlers, do Japão; o atacante Nenê e os zagueiros Eliézio e Maicon, emprestados ao Nacional de Portugal, além de Maicosuel, negociado com a Traffic.

Ainda deixaram o clube, o meia Leandro Domingues, afastado dor indisciplina e em seguida emprestado ao Vitória, o lateral Apodi, trocado com Carlinhos, do Santos, o atacante Marcel, que teve o contrato rescindido e voltou para o Grêmio, além do volante Leo Silva e do meia Sandro, que vão defender o Ipatinga no restante do Campeonato Brasileiro.

Mesmo sem muitas mudanças no time principal, outros jogadores chegaram recentemente e vêm sendo utilizados pelo técnico Adilson Batista. O atacante Weldon, por exemplo, que retornou de empréstimo do Belenenses, de Portugal, se tornou titular no ataque ao lado de Guilherme.

Recém-chegados como os meias Camilo, ex-Marília, e Bruno, que estava no Santa Cruz-RS, os atacantes Reinaldo, que defendeu o Corinthians-AL, e Jajá, que voltou de empréstimo, são alguns dos que deram nova cara ao grupo do Cruzeiro que disputou o estadual. O meia colombiano, que só ganha condições de jogo em agosto, ainda não estreou oficialmente, e o também meia Gérson Magrão, que será apresentado na tarde desta 4ª feira.



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