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09h01 18/07/2008

Falta jogador em atividade em Minas na equipe de Dunga

Atletas de Cruzeiro e Atlético-MG têm poucas chances com o atual treinador na Seleção Brasileira, tanto na principal como na olímpica.

Luiza Oliveira, do Pelé.Net
BELO HORIZONTE - Depois de toda uma geração que fez sucesso na Seleção Brasileira nas décadas de 70 e 80, com Piazza, Tostão, Cerezo, Luizinho e Nelinho, entre muitos outros, na era Dunga os mineiros têm tido pouco prestígio. Foram raras as chances que jogadores em atividade no Atlético-MG e Cruzeiro tiveram de vestir a almejada camisa amarela, seja na equipe principal ou na olímpica. A lista de convocados para os jogos de Pequim, em agosto, na China, consolidou essa tendência. Os volantes cruzeirenses Charles e Ramires viviam a expectativa que se tornou frustrante. Também o zagueiro atleticano Leandro Almeida nutria essa esperança, o mesmo acontecendo com o meia-atacante Danilinho, que nesta semana trocou o alvinegro mineiro pelo Jaguares, do México. Desde que Dunga assumiu a Seleção Canarinho, após o fiasco da Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, apenas dois jogadores que atuam nas regiões montanhosas de Minas foram lembrados no time principal: o goleiro Fábio e o meia Wagner, ambos do Cruzeiro.
O camisa 1 celeste teve sua chance em agosto de 2006, nos amistosos contra Noruega, Argentina e País de Gales, mas nem sequer entrou em campo e assistiu às atuações do então titular Gomes, coincidentemente revelado pelo Cruzeiro, do banco de reservas. Já Wagner foi chamado também para a partida contra a Noruega, mas também não teve a chance de mostrar seu trabalho.
Na Seleção Olímpica, o contexto é um pouco melhor. Charles, Ramires e Wagner disputaram o amistoso contra os craques do Brasileirão no final do ano passado, juntamente com o zagueiro alvinegro Leandro Almeida, o único representante do Galo numa Seleção Brasileira com Dunga no comando.
Este ano, os volantes celestes voltaram a ter vez na equipe Sub-23, mas apenas para um amistoso contra o Selecionado do Rio de Janeiro, em junho último, em Volta Redonda. Fato é que a filosofia da atual comissão técnica que prioriza os jogadores que atuam no exterior tem influência direta e os "brasileiros" de um modo geral perderam espaço.
O pouco espaço que sobre para jogadores em atividade no Brasil, é ocupado principalmente com atletas de clubes do eixo Rio-São Paulo. Dos cinco convocados para os jogos de Pequim que residem no Brasil dois são jogadores do São Paulo (o zagueiro Alex Silva e o volante Hernanes) e dois do Fluminense (o zagueiro Thiago Silva e o meia Thiago Neves). O Internacional é a única equipe de outros estados a ter o seu representante, o goleiro Renan.
| GALLO E ADILSON ENTENDEM |
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| Contemporâneos de Dunga, os técnicos de Cruzeiro e Atlético-MG, Adilson Batista e Alexandre Gallo, respectivamente, preferem ficar em cima do muro e não criticar as decisões da atual comissão técnica da Seleção Brasileira. Para o treinador cruzeirense, a briga maior é com os clubes do exterior. "Não são só os mineiros, a Seleção é só de fora, são poucos os jogadores daqui", comentou. |
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| "Nos últimos anos nas Copas do Mundo só alguns atletas que foram, então acho que não é nada pessoal, é critério e tem que ser respeitado. Em outras épocas tivemos sempre mineiros dirigindo a Seleção, em duas o Telê (Santana). São épocas e precisamos buscar e conquistar em campo o nosso espaço de novo", observou Adilson Batista. |
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| Alexandre Gallo também considera natural a situação. "Cada treinador tem o seu critério para fazer a convocação, cabe a ele fazer e não temos que julgar, mas sim respeitar. Mas sempre um jogador que está na Europa tem mais visibilidade, mais fama e com isso mais possibilidades de chegar à Seleção Brasileira", analisou o treinador alvinegro. |
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| "EX-MINEIROS" SÃO CHAMADOS | LEIA NOTÍCIAS DA SELEÇÃO | Os mineiros vêem com certa injustiça e até desconfiança o critério de convocação. O experiente atacante alvinegro Marques, que esteve no grupo que disputou a Copa América de 2000 e as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2002, afirma com veemência que vê critérios diferentes.
"Um jogador do Rio ou de São Paulo tem que matar um leão para ir para a Seleção, aqui tem que matar dois ou três. Mas na minha época já era assim. Eu e Guilherme só fomos porque se não fôssemos era sacanagem até. Não sei se é privilégio, mas acho que são dois pesos e duas medidas", disse.
O volante Fabrício, que teve uma chance quando jogava no Corinthians, em 2003, também vê dessa forma e considera que qualidade os mineiros têm. "É falta de exposição maior na mídia, mas jogadores de qualidade sempre têm aqui no Cruzeiro e no outro lado também. Tem uma exposição maior na mídia, isso às vezes influencia bastante, então acho que às vezes não olham com tanto carinho para o lado de Belo Horizonte que tem também excelentes jogadores", comentou.
O veterano zagueiro alvinegro Marcos estranha que às vezes Atlético e Cruzeiro estejam muito bem e mal conseguem levar um jogador para a Seleção Brasileira. "Essa é uma coisa que os clubes mineiros têm que estar atentos e começar a meter a boca e reclamar dessa situação porque é ruim para o futebol mineiro", salientou.
Hoje na Inter, de Milão, Roma, o ex-atleticano Mancine que por diversas vezes vestiu a camisa amarela nesta década, lamenta a situação. "No futebol mineiro surgem grandes jogadores capacitados. A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) que é encarregada disso deveria olhar com outros olhos para o futebol mineiro. Eles ficam muito focados no eixo Rio-São Paulo. Eles têm mais visibilidade porque dão mais visibilidade a eles", comentou. UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)
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