08h03 06/08/2008

Excesso de contratações é apontado como problema no Galo

Falta de planejamento na busca por reforços, situação financeira e troca constante de treinadores ajudam explicar má fase atleticana.

Bernardo Lacerda, do Pelé.Net

BELO HORIZONTE - Contratações feitas para "apagar o fogo", de acordo com o técnico Marcelo Oliveira, estão entre as principais razões da má fase do Atlético-MG, que tem se tornado crônica. A falta de planejamento na busca de jogadores para compor o elenco, no entanto, não é o único fator. Outras iniciativas das diretorias atleticana, nos últimos anos, como a mudança intensa de técnicos, ajuda a explicar os constantes sustos dos torcedores, além da precária situação financeira.

Site oficial do Atlético-MG/Divulgação
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Alexandre Faria culpa a situação financeira pela má situação do Galo nos últimos anos.
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"Falando especificamente da parte técnica que é a minha função, eu acho que o Atlético nos últimos anos contratou muito, às vezes de forma emergencial e isso às vezes deu certo e outras não", analisou Marcelo Oliveira, terceiro treinador atleticano somente neste ano. Os dois primeiros foram Geninho e Alexandre Gallo.

Adepto da utilização de jovens jogadores, vindos da categoria de base do clube, Marcelo Oliveira, que está em sua sexta passagem pelo alvinegro, pretende mesclar jovens promessas com atletas experientes. "Acho que nós temos de aproveitar bem os jovens e aqueles atletas que vêm de fora com a cabeça voltada para o Atlético, para nos ajudar. Acho que aqui dentro têm alguns desses e eles vão nos ajudar muito", observou.

O diretor de futebol do Galo, Alexandre Faria, por sua vez, atribui as más colocações no Brasileiro, nos cinco últimos anos, à elevada dívida do Atlético, que supera os R$ 100 milhões. "Acho que o Atlético neste período vem tentando equacionar algumas dificuldades financeiras antigas, acho que neste ano o clube começa a ter suas contas não equilibradas, não confortáveis, mas equacionadas", comentou.

O dirigente não concorda que as contratações foram equivocadas e que agravaram a situação financeira do clube, apesar de o Atlético já ter contratado mais de dois times (22 jogadores) apenas este ano. "Mesmo fazendo várias contratações nesta temporada, conseguimos reduzir custos, pois a grande maioria destes atletas vieram para a nossa equipe sem nenhum gasto a mais do Atlético", explicou.

"Os jogadores foram repassados gratuitamente para nossa equipe, ou foram emprestados, ou então os direitos eram dos jogadores e de seus empresários, o que nos faz arcar apenas com os salários dos atletas. Fizemos isso dentro da realidade da equipe", frisou Alexandre Faria.

Apesar de considerar a situação financeira do clube mineiro equacionada, porém, ainda preocupante, Alexandre Faria acredita que com a reestruturação na parte administrativa do time feito pela diretoria atleticana nos últimos anos trará bons resultados para o Atlético no futuro. "A tendência que a partir do momento que você tenha esta parte administrativa equilibrada a briga passará a ser pela parte de cima da tabela", disse.

Companheiro de Marcelo Oliveira no time do Atlético, no final da década de 70, o ex-jogador Paulo Isidoro responsabiliza as más campanhas dos últimos anos do Atlético e o "terror" do rebaixamento às últimas diretorias. "As diretorias vêm cometendo erros graves nos últimos anos, contratam sem pensar, planejar, montam times ruins, treinadores sem qualquer perspectiva de um futuro. Isso tudo fez com que o time fosse só caindo e não brigasse apenas para não cair, o que é um absurdo e impensável pela historia e tradição do Atlético", lamentou.

O ex-meia se disse extremamente preocupado com o time atual do Atlético e, principalmente, o momento vivido no Brasileiro. "O time é fraco, foi mal formado mais uma vez. A equipe não tem condições de representar bem a camisa e a tradição do Atlético. A situação é crítica, não vejo um bom futuro para o time e o medo do rebaixamento ronda a minha cabeça", revelou.

Paulo Isidoro disse confiar e acreditar em um bom trabalho do ex-companheiro de Atlético-MG. "É uma grande pessoa, está tendo a sua grande chance como treinador, mas fico preocupado, pois este time não tem como ajudar o Marcelo a fazer um bom trabalho", salientou.



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