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08h07 09/10/2008

Dupla Gre-Nal se une à Brigada Militar e aumenta cerco a vândalos

Inter e Grêmio espalham mais câmeras de monitoramento, contratam seguranças particulares, pois BM admite dificuldades nessa guerra

PORTO ALEGRE - Assistir Gre-Nal ao vivo há muito deixou de ser uma diversão para os gaúchos. A cada clássico, as brigas entre os torcedores se repetem com acentuada violência e nem todas as medidas para combatê-la parecem surtir efeito. Após mais uma grande confusão no último confronto, a Brigada Militar admitiu estar desgastada com a repetição do problema e passará a cobrar mais responsabilidade dos clubes.
Falta pouco para o maior jogo entre principais times do Rio Grande do Sul ter uma só cor nas arquibancadas. Atualmente, apenas cerca de 2,8 mil lugares são destinados à torcida visitante nos Gre-Nais, seguindo um acordo firmado entre os rivais. Mas a medida pouco tem ajudado na busca de uma solução para a grave situação.
No último dia 28 de setembro, quando o Inter venceu por 4 a 1 no Beira-Rio, pelo Campeonato Brasileiro, a torcida do Grêmio brigou entre si, ironicamente após a comemoração do gol do tricolor Tcheco. Com ânimos exaltados, os brigões ainda derrubaram as grades que os separavam dos colorados e o tumulto só não tomou maiores proporções graças a intervenção do Batalhão de Operações Especiais (BOE).
"Trataremos marginais como marginais. Estamos no limite de medidas de prevenção e vamos exigir mais rigor", salienta o coronel da BM, Paulo Mendes. Além da infra-estrutura, os clubes terão que ser mais efetivos na caça aos vândalos.
Medidas não diminuem violência Para vigiar os baderneiros, os clubes já instalaram mais de 50 câmeras internas em seus estádios. Em dia de clássico, a Brigada ocupa um espaço no local do evento para montar o Juizado Especial Criminal (Jecrim), para agilizar detenções de menor potencial ofensivo, como posse de entorpecentes, ameaça e lesão corporal.
O deslocamento dos torcedores pela cidade também é uma preocupação quando há Gre-Nal. Os visitantes sempre se reúnem em seu próprio estádio (Beira-Rio e Olímpico ficam 2km distantes um do outro) e são escoltados pela Polícia, para evitar confrontos. No último jogo, os gremistas ingressaram nas dependências do Beira-Rio através de uma espécie de corredor feito com toldos, impedindo que houvesse contato visual com os colorados.
Por fim, o aumento na contratação de seguranças particulares também pouco surte efeito no combate à violência. A origem do problema, conhecidamente, está nas torcidas organizadas, mas Grêmio e Inter afirmam que não podem impedir que os vândalos entrem no estádio. "É um caso de polícia, não de quadro social. Eles ao infiltrados, não torcedores", lamentou, no jornal Zero Hora, o assessor jurídico tricolor, Aírton Ruschel.
A possibilidade do Gre-Nal virar clássico de uma torcida só, sem visitantes, é uma possibilidade. No entanto, a questão ainda não foi debatida de forma oficial.
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