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13h39 02/02/2009

"Pai" de Uruguai-2030 vê Copa de 2014 como essencial para o continente

Projeto no Uruguai começa a colher seus primeiros frutos e a materializar o sonho de celebrar o centenário das Copas em sua sede original

Marcos Jorge, especial para o Pelé.net
SÃO PAULO - Na última sexta-feira, o presidente da Fifa Joseph Blatter iniciou sua peregrinação Brasil afora para vistoriar as 17 cidades e estádios que se candidataram a sediar partidas na Copa do Mundo de 2014. Enquanto isso, um projeto um tanto precoce de levar o Mundial de 2030 para o Uruguai começa a colher seus primeiros frutos e a materializar o sonho de celebrar o centenário das Copas em sua sede original.
Curiosamente, a história de Uruguai-2030 começa bem longe do país sul-americano, mais precisamente em Israel, onde vive Abel Fialko, idealizador da campanha que começou em 1997, com uma simples e despretensiosa página na internet. Hoje, uma década depois, e com seu projeto caindo nas graças da sociedade uruguaia, da Associação Uruguaia de Futebol (AUF), da presidência da república e da Conmebol, este uruguaio de 46 anos de idade vê com bons olhos a escolha do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014.
"Partido da idéia que o Brasil vai organizar um bom mundial, acho que isso ajuda o projeto uruguaio porque acredito que uma parte do mundo precisa ver a América do Sul como uma região do planeta capaz de organizar eventos deste estilo", falou o uruguaio em entrevista ao UOL Esporte. "Porque se você parar para pensar esta não é uma ideia tão louca. Para mim me parece até lógica. Alguém precisa receber a Copa em 2030, então por que não fazê-la no lugar onde tudo começou e no país que foi campeão do mundo pela primeira vez", questiona este torcedor do Peñarol nascido em Montevidéu.
Fialko conta que a ideia surgiu depois de ver a experiência grega para sediar as Olimpíadas de 1996, ano do centenário daquele evento esportivo, que teve sua primeira edição realizada em Atenas. "Aos 100 anos das Olimpíadas, os gregos, pelas mesmas razões que eu penso que a Copa deva ser no Uruguai, estavam convencidos que deviam sediar o evento, mas não fizeram muitos esforços para isso", lembra Fialko, que temia que o filme se repetisse com o Uruguai em 2030.
"Sabemos que as coisas não funcionam assim. Para fazer um mundial é preciso programá-lo e organizá-lo bem para as coisas saírem direito", explica, em referência não só aos estádios, mas à rede hoteleira, aeroportos, estradas e toda a infra-estrutura que o manda-chuva do futebol mundial está examinando neste momento no Brasil.
Mas se o Brasil vive hoje o momento decisivo das escolhas das sedes, que serão anunciadas no dia 20 de março, no Uruguai este período não passa de um sonho. Um sonho que já foi um delírio de um uruguaio radicado em Israel e que aos 33 anos criou uma página simples, em HTML, e viu seu desvario crescer na velocidade com que cresceu a própria internet. Filako tem noção de que sem a rede de computadores, o projeto dificilmente seguiria adiante.
"Sem a internet a o projeto não teria um alcance tão global. Claro que é preciso que o site esteja bem colocado nos sites de busca, é preciso promovê-lo para que as pessoas o encontrem, mas ela dá a opção de chegar a qualquer indivíduo no planeta", explica o idealizador que já tem o tópico Uruguay-2030 na Wikipedia, vídeo promocional no YouTube, e uma comunidade no Facebook que envolve quase 14 mil membros, entre outras iniciativas virtuais.
Em outubro de 2005, até mesmo o presidente do Uruguai Tabaré Vázquez, em encontro com Blatter, mencionou o desejo em sediar o centenário do Mundial, ao que o presidente da Fifa, politicamente, respondeu que "hoje trata-se de um sonho, que pode tornar-se uma visão, depois uma iniciativa e então um projeto". Além de ser um indicativo de que a entidade maior do futebol mundial tem conhecimento do desejo uruguaio, hoje cresce a idéia junto à Conmebol de que a Copa de 2030 seja realizada juntamente com a Argentina, a exemplo de Japão e Coréia do Sul em 2002.
Sensato nas palavras e imparcial nas opiniões, Fialko fala como um verdadeiro porta-voz oficial da causa, e acredita que o Brasil, "por ser um país maior, com mais gente e com mais estádios, está mais bem preparado que o Uruguai" para receber o Mundial. Ele lembra, porém, dos esforços de 1930 quando os uruguaios construíram o estádio Centenário em apenas seis meses e ele continua em funcionamento até os dias de hoje.
"Acredito que o Brasil, assim como Uruguai, ainda precisa melhorar sua infra-estrutura e principalmente colocar o país todo mobilizado por esta causa", declarou Fialko, que, sem falsa modéstia, afirmou que gostaria de ser reconhecido como o "pai" de Uruguai-2030, mas que o Mundial seria ainda mais importante para o país, que ganharia com estrutura e exposição no exterior, algo que ele acredita ser essencial para o desenvolvimento do país.
Mais que nada, Abel Fialko pede o apoio dos brasileiros para a causa uruguaia, se não pela celebração do centenário das Copas do Mundo, pelo menos para terem a chance de dar um esperado troco na celeste. "Eu acho que vocês precisam nos apoiar muito para quem sabe terem a chance de se vingar do Maracanazzo de 1950 em pleno estádio Centenário", ironizou. UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)
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