07h04 12/03/2009

Raposa já abrigou polêmicos Edmundo, Rincón e Renato Gaúcho

Apesar da passagem de alguns bad boys, futebol mineiro não se caracteriza pelo grande número.

Gustavo Andrade e Bernardo Lacerda, do Pelé.Net
BELO HORIZONTE - Jogadores polêmicos dentro e fora das quatro linhas não são novidade para o Cruzeiro. Assim como acontece com Kléber em 2009, a passagem de outros atletas que se destacam pelo perfil bad boy, nesta década, é lembrada pela torcida celeste.
Em 2001, na tentativa de formar uma equipe recheada de estrelas, o Cruzeiro acertou a contratação do volante colombiano Rincón e do atacante Edmundo. Logo na estreia, os dois jogadores deram indícios que teriam passagens conturbadas pelo clube.
Rincón e Edmundo estrearam com a camisa da Raposa pela Copa Mercosul, diante do Independiente, em Avellaneda, na Argentina. O time mineiro foi derrotado por 2 a 0 e Edmundo e Rincón foram expulsos. O colombiano recebeu o cartão vermelho ainda no primeiro tempo, enquanto o polêmico atacante deixou a equipe com nove jogadores aos 20 minutos do segundo tempo.
Companheiro de Rincón e Edmundo em 2001, o lateral-esquerdo argentino Sorín demonstra satisfação por ter convivido com o volante colombiano. "Tenho uma lembrança muito boa do Fred (Rincón) como pessoa, também por falar espanhol estivemos muito tempo juntos", afirmou.
Sorín acredita que o fracasso das passagens de Rincón e Edmundo pelo Cruzeiro foi consequência dos maus resultados de toda a equipe. "Ninguém pode colocar em dúvida a qualidade do Edmundo. Naquele time, em 2001, eram grandes nomes, mas não deu certo e temos avaliar a razão: trabalho, aspecto físico. No caso do Alex, naquele ano não foi bem, mas depois se tornou um dos maiores ídolos da história do Cruzeiro", salientou.
A passagem de Edmundo pelo Cruzeiro ficou marcada negativamente pela perda de um pênalti contra o Vasco, em São Januário, pelo Campeonato Brasileiro. Na ocasião, o Cruzeiro saiu de campo derrotado por 3 a 0, e o jogador foi dispensado acusado de ter desperdiçado propositalmente a cobrança.
"O futebol mineiro não tem espaço, historicamente, para este tipo de jogador. Poucos conseguiram dar certo, vingar aqui em Minas Gerais. O Edmundo, Rincón, Renato Gaúcho, entre outros ficaram pouco tempo, não tiveram tanto destaque e acabaram saindo. Acho que pela cultura do estado eles acabam não dando certo", observou Evaldo, ex-jogador do Cruzeiro.
Apesar de citado pelo ex-companheiro de Tostão, nos anos 60, Renato Gaúcho teve sucesso em campo quando defendeu o Cruzeiro no início da década de 90. O atacante ajudou a equipe nas conquistas do Campeonato Mineiro e da Supercopa, ambos em 1992. Pela competição sul-americana, Renato conquistou a artilharia com sete gols.
"O Renato Gaúcho até que deu certo, conseguiu mostrar um bom futebol, mas estava sempre envolvido em polêmicas, em confusões. Já no Atlético, teve uma passagem apagada, que a torcida gostaria de esquecer", disse Evaldo, referindo-se à "Selegalo", em 94, quando o alvinegro formou um time recheado de medalhões, mas que fracassou. Renato Gaúcho atuou ao lado de Gaúcho, Neto e Éder Aleixo, tradicional exemplo de bad boy do futebol mineiro.
Mudança de vida
Em 2009, no arquirrival cruzeirense, o atacante Diego Tardelli tenta deixar no passado a fama de jogador indisciplinado do início de sua carreira. O treinador do Atlético-MG, Emerson Leão acompanha de perto a evolução do atacante, hoje casado e com filhos.
"Quando ele surgiu no São Paulo, se iludiu, não teve apoio, orientação. Acho eu, não posso falar isso pois não estava lá. Quando cheguei no São Paulo conheci, o coloquei para jogar, me relaciono profissionalmente com ele. Aqui dentro a gente dita as normas como achamos melhor para o clube, para o atleta", comentou.
Leão garante não ter reclamação a fazer sobre o comportamento de Diego Tardelli, artilheiro do Galo, na temporada, com 14 gols. "De vez em quando é normal, ele solicita uma coisa, solicita outra, e para mim o som do sim e do não está muito próximo. Quando eu posso é sim, quando não posso é não, acabou", afirmou Leão.
Já para o ex-jogador do Atlético, Paulo Isidoro, o futebol mineiro além de não ter espaço para jogadores problemáticos, que gostam das "noitadas", é propício para colocar os bad boys na linha, como está acontecendo com o atacante Diego Tardelli. "Alguns jogadores que chegaram em Minas Gerais como garotos problemas, deram a volta por cima, mostraram o seu valor e conseguiram se firmar. Acho que em São Paulo e no Rio de Janeiro há mais espaço para este tipo de jogador", observou o ex-atacante atleticano. UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)
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