


|



07h01 12/03/2009

Cruzeiro não vê "Projeto Libertadores" ameaçado por Kléber

Diretoria celeste minimiza expulsões pelo torneio internacional e atrito com diretor de futebol, para não reforçar fama de indisciplinado.

Gustavo Andrade e Bernardo Lacerda, do Pelé.Net
BELO HORIZONTE - Tratado pela diretoria do Cruzeiro como principal reforço para a temporada e como jogador capaz de aumentar suas chances de conquista da Libertadores, o atacante Kléber está permanentemente em evidência, desde que foi apresentado oficialmente em 3 de fevereiro. Envolvido em uma negociação que levou Guilherme ao Dynamo de Kiev, o atacante atuou cinco vezes com a camisa celeste e marcou cinco gols. O aspecto disciplinar, no entanto, tem repercutido mais que as bolas nas redes.
Kléber foi expulso nos dois jogos que disputou pela Libertadores. Em sua estreia, na vitória sobre o Estudiantes, por 3 a 0, no Mineirão, com dois gols seus, foi expulso, ficando em campo apenas 14 minutos. No triunfo sobre o Universitario de Sucre, por 1 a 0, semana passada, recebeu de novo o vermelho, que lhe custou uma multa e uma polêmica com o diretor de futebol da Raposa, Eduardo Maluf.
Na avaliação da diretoria celeste, no entanto, as atitudes de Kléber, dentro e fora de campo, estão longe de colocar em risco o chamado "Projeto Libertadores". O presidente do Cruzeiro, Zezé Perrella, considera que a busca pelo tricampeonato da Libertadores, principal objetivo da Raposa na temporada, não pode ser uma responsabilidade depositada apenas sobre os ombros do atacante.
"Não é justo colocar em cima dele toda a explicação pelos êxitos ou fracassos. Quando contratamos o jogador nós sabíamos muito bem que estávamos trazendo um goleador que era pretendido por vários clubes, um atacante de forte personalidade e que pode ajudar o Cruzeiro a chegar a grandes conquistas", observou o presidente cruzeirense.
Quando Kléber foi contratado, pelo equivalente a 5 milhões de euros, na negociação que levou Guilherme ao Dynamo de Kiev, Zezé Perrella comemorou a contratação, chegando a dizer na ocasião, que além de contar com um jogador importante, evitava fortalecer um rival direto, o Palmeiras, que tinha interesse na permanência do atacante, que o defendeu em 2008.
Para o presidente Zezé Perrella, as expulsões de Kléber estão ligadas a uma marcação desleal que o atacante estaria recebendo. "Em todos os nossos jogos é visível a perseguição ao atacante por parte dos marcadores. O Kléber é um jogador diferenciado, guerreiro, que não se esconde e não tem medo das intimidações dos zagueiros. A determinação e valentia dele em campo leva a situações nem sempre favoráveis. Mas estamos satisfeitos com o desempenho do jogador decidindo partidas importantes", afirmou.
Embora Kléber possa ser considerado o mais importante reforço celeste, não foi o único. O Projeto Libertadores do Cruzeiro passou pela contratação dos também atacantes Wellington Paulista e Soares, do lateral-direito Jancarlos, dos zagueiros Leonardo Silva, Anderson e Gustavo. Outros dois atacantes chegaram em janeiro, mas já saíram da Toca da Raposa II: Alessandro e Jael, que rescindiram seus contratos.
O argentino Sorín, que voltou a jogar, após seis meses em recuperação no clube celeste, também é considerado no Cruzeiro como reforço, embora ainda não esteja 100% e não tenha atuado pela Libertadores. Mas não são apenas os reforços que são destacados pela diretoria celeste. A manutenção do técnico Adilson Batista e da base do ano passado, com destaque para os volantes Ramires, Fabrício e Marquinhos Paraná, o goleiro Fábio, o meia Wagner e o atacante Thiago Ribeiro.
De acordo com Zezé Perrella, o planejamento celeste foi feito para tentar, se possível repetir o feito de 2003, quando o Cruzeiro, sob o comando de Vanderlei Luxemburgo, conquistou a chamada Tríplice Coroa, sendo campeão brasileiro, da Copa do Brasil e do Mineiro. Este ano, o terceiro título seria o da Libertadores.
Atacante blindado
Os dirigentes do Cruzeiro demonstram a preocupação de preservar Kléber, que fraturou o nariz, no empate com o Tupi, em 0 a 0, pelo Campeonato Estadual, no Mineirão, no último domingo. Se dentro de campo o jogador não enfrentará o América, no próximo compromisso pelo Mineiro, para evitar o agravamento da lesão, fora dele a diretoria quer evitar novas polêmicas, depois que o atacante e Eduardo Maluf se reuniram e, como ambos disseram, se entenderam.
O diretor de futebol revelou acreditar que o desempenho do atacante em campo superará os atos de indisciplina e que o jogador ainda dará retorno financeiro ao clube. "Não tem nenhum tipo de problema, ele não nos causa nenhum tipo de preocupação, que possamos ter feito um mau negócio, perdido dinheiro, até porque achamos que o Kléber vai virar um grande jogador, vai mostrar toda a sua qualidade e vai ser vendido por muito mais dinheiro, por um grande valor, que ele realmente vale", salientou.
Para contornar as expulsões de Kléber, o técnico Adilson Batista tem recorrido ao diálogo com o jogador. "Existe sim o diálogo, o respeito entre as duas partes. Às vezes da forma que se é colocado fica parecendo que não existe o comando, que não cobramos dele, que não estamos tendo preocupação. Deveria ser diferente, temos toda esta preocupação, conversamos com ele, tem comando sim do treinador e quando isso acontece a preocupação é sempre menor", comentou.
Para o atacante, ele não faz o perfil exigente e sua adaptação ao clube belo-horizontino ocorreu de forma positiva. "Não cobro nada, principalmente por estar no Cruzeiro, que tem a estrutura que tem, que dá todas as condições ao jogador de render tudo o que pode. Então, eu respeito o clube, os profissionais. Envolvo-me muito fácil com a instituição, com os colegas, com o treinador, estou adaptado e feliz aqui no Cruzeiro, onde tenho o que preciso", disse.
Antes mesmo de ter sua contratação anunciada pela diretoria do Cruzeiro, o nome de Kléber esteve envolvido em controvérsias e polêmicas. Por conta da dificuldade financeira e da política que o clube adota de vender jogadores para equilibrar as finanças, a diretoria cruzeirense afirmou que preferia receber um valor dinheiro pela negociação de Guilherme a ter o atacante envolvido em uma troca.
Eduardo Maluf alegou, agora, que Kléber não estava envolvido na negociação quando a diretoria deu essa informação. "No início falamos que o Cruzeiro precisava de dinheiro. Quando falei isso, o Guilherme estava fechado com o Zaragoza (Espanha). Mas quando a negociação não aconteceu e surgiu a proposta do Dynamo, eu falei para o Zezé para trazer o Kléber, que é um grande jogador, que mostrou no Palmeiras ser um jogador de decisão", justificou. UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)
|
 |
|

|