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07h03 18/03/2009

Rebaixado duas vezes, Heverton tenta afastar fama de azarado na carreira

Após quedas seguidas com Corinthians e Portuguesa e de perder boas chances de integrar times campeões, meia persiste no Canindé com a meta de, como protagonista, se livrar da sina de jogador de 'times de rabeira'

Bruno Chazan, especial para o Pelé.Net
SÃO PAULO - Considerado habilidoso, técnico e promissor por alguns dos técnicos com quem trabalhou, o meia Heverton, da Portuguesa, reúne qualidades suficientes para deslanchar na carreira, como muitos de sua geração. Aos 23 anos, já acumula experiência digna de um veterano. Atuou em quatro clubes brasileiros e passou um ano no futebol turco. Mas, devido a escolhas infelizes, andou apanhando do destino nos últimos tempos. Hoje o jovem carrega dois rebaixamentos consecutivos no Campeonato Brasileiro: 2007, pelo Corinthians, e 2008, pela Portuguesa. E o curioso é que ambos os fardos poderiam ter sido evitados.
Em setembro de 2007, Heverton era artilheiro da Ponte na Série B quando foi procurado por três clubes da elite: São Paulo, Santos e Corinthians. Poderia ter sido campeão brasileiro se tivesse escolhido a equipe do Morumbi. Decidiu pelo time de Parque São Jorge, em que foi apresentado à imprensa como "salvador da pátria" pelo então vice-presidente de futebol, Antoine Gebran. "Chegou a fera que vai nos tirar dessa situação", arriscou o dirigente, em profecia que acabou não se concretizando. O sonho de evitar o rebaixamento virou pesadelo, e o garoto, então com 21 anos, sentiu na pele os traumas do maior vexame da história do popular clube.
No começo de 2008, era reserva do time Mano Menezes no Campeonato Paulista quando recebeu uma ligação do amigo Nelsinho Baptista, seu ex-técnico na Ponte e no próprio Corinthians. Recusou a oferta do Sport e perdeu a possibilidade de entrar na história do clube pernambucano com o título inédito da Copa do Brasil. Sem espaço na Fazendinha, acabou emprestado para o Vitória e depois para a Portuguesa, onde também jogou pouco e amargou o segundo descenso consecutivo.
| AS SAGAS DE HEVERTON |
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 Optou pelo Corinthians, preteriu o São Paulo ao longo de 2007 Contratado em setembro de 2007, Héverton começou como titular, mas não resistiu aos maus resultados e perdeu a posição para o prata da casa Lulinha nas últimas rodadas. Ainda foi expulso no jogo que decretou o rebaixamento, contra o Grêmio, em Porto Alegre. Ao todo, disputou nove partidas no Brasileiro de 2007 e não marcou gols. |  Meia optou pela Portuguesa e preteriu o Sport ao longo de 2008 Chegou ao Canindé no final de agosto de 2008, indicado por Valdir Espinosa. Foi titular logo no primeiro jogo, contra o Palmeiras, mas a derrota por 4 a 2 custou o cargo do treinador. Com Estevam Soares, Heverton perdeu espaço e disputou 11 jogos, apenas os três últimos como titular. | MAIS NOTÍCIAS DA PORTUGUESA | CLASSIFICAÇÃO DO PAULISTÃO |
Poucas semanas após cair com o time luso, Heverton foi novamente procurado pelo insistente Nelsinho. O convite desta vez era ainda mais atraente: disputar a Copa Libertadores da América. A resposta foi a mesma: "não". Teimosia? Segundo o jogador, persistência. "Não acredito em sorte ou azar, só no trabalho. Estou buscando cada dia mais meus objetivos. O que tiver que acontecer, sei que foi Deus quem colocou na minha frente", diz, sem perder o bom humor.
Mesmo sabendo o que inconscientemente deixou de conquistar, o jogador apega-se ao orgulho de ter ganho experiência com tantos percalços. "Não fico frustrado. Isso tudo me gera uma confiança de que as coisas vão voltar ao normal. Sou novo, estou num time legal e fiz contrato de quatro anos. Nada mais justo que eu ficar aqui e subir no final do ano. Não quero Libertadores, quero ajudar a Portuguesa a subir."
A verdade é que Heverton participou pouco dos rebaixamentos consecutivos, que o deixam apenas atrás do recordista Fábio Baiano - caiu pelo Atlético-MG, em 2005, Ponte Preta, em 2006, e Juventude, em 2007. Tanto no Corinthians como na Portuguesa, o meia foi contratado na metade do segundo turno e disputou poucos jogos. Ainda assim, não se esquiva da responsabilidade das quedas com os companheiros.
O discurso solidário, porém, dá lugar à vaidade quando o assunto é a possibilidade de ter jogado na equipe de Muricy Ramalho, no papel de coadjuvante. "Se eu tivesse ido para o São Paulo, poderia nem jogar. Quero ser campeão jogando. Não digo que quem fique no banco ou não seja convocado para os jogos não seja campeão, mas eu pensei assim naquela hora. Se foi certo ou não a gente nunca sabe. Só Deus sabe o caminho que a gente tem que seguir", explica.
Dos últimos anos, Heverton diz ter aprendido uma lição: não aceitará nenhuma outra proposta de times à beira da degola. Abriu mão do papel de salvador. "Aprendi a não aceitar qualquer situação, a pensar mais em mim, na família. Rebaixamento, nunca mais."
A terceira escolha, por enquanto, vem se mostrando certa. Heverton foi titular do meio-campo da Portuguesa nos três primeiros jogos comandados pelo técnico Paulo Bonamigo e vê sua equipe brigar por uma das quatro vagas para as semifinais do Campeonato Paulista. O meia, no entanto, ainda não selou seu novo momento com um gol, pois ainda não conseguiu marcar no Estadual. UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)
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