07h03 25/03/2009

Bahia polemiza ao cobrar ingressos de crianças

Cobrança de entradas para garotos entre 5 e 12 anos gera polêmica, mas não diminui público nem arrecadação do Bahia em Pituaçu. Pelo menos por enquanto

Aurelio Nunes e Marcos Valença, especial para o Pelé.Net

SALVADOR -
Desde a partida contra o Potiguar, dia 19, o Bahia passou a cobrar ingresso de meia entrada para torcedores de 5 a 12 anos de idade. Na prática, as crianças estão pagando o mesmo preço cobrado para os adultos - R$ 20 e R$ 30, a depender da importância do jogo -, já que o clube não exige a identificação estudantil.

BAHIA: PEQUENOS CONSUMIDORES
Edson Ruiz/Footpress
Tania Barbosa, 38, na fila para comprar o ingresso para ela e o filho Gustavo, 9 anos
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Paulo Roberto dos Santos, 27, e sua filha Laila, em busca de entradas para o classico
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Adriano Povoas, 43, junto com a filha Beatriz, 9, em fila para compra de ingresso
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"Eu achei que a cobrança veio em momento inoportuno. Essa é a hora de a direção do Bahia pensar em atrair mais jovens para o estádio e não em afastá-los", disse o representante comercial Adriano Póvoas, 43, enquanto aguardava na fila para comprar a entrada do Ba-Vi disputado no último domingo, acompanhado da filha Beatriz, 9. "Ela não vai poder ver o jogo por causa do preço", reclamou.

A verdade é que não poderia haver momento mais oportuno. A medida foi implantada em uma semana com dois jogos decisivos - um valendo vaga para a segunda fase da Copa do Brasil, o outro o clássico contra o arquirrival. Uma semana em que o Bahia levou mais de 42 mil pessoas ao estádio de Pituaçu.

A autônoma Tânia Barbosa, 38 anos, classificou de absurda a cobrança. "Imagina se for o pai, mãe e o filho para um jogo? Vai acabar gastando R$ 90 por uma diversão que antes custaria R$ 30" diz a torcedora, que mesmo desembolsou R$ 60 para levar o filho Gustavo, 9, para ver o empate sem gols entre Bahia e Vitória.

Situação idêntica à do engenheiro Paulo Roberto, 27 anos. "Acho abusivo cobrar ingresso de menores de 12 anos para aumentar a renda do clube" comenta o engenheiro, que mesmo indignado pagou ingresso para a filha Laila Gabrielle.

A direção do Bahia usou as mais variadas explicações para justificar a medida. Em entrevistas recentes a rádios, emissoras de TV e jornais, o presidente do clube, Marcelo Guimarães Filho, e o gestor de futebol, Paulo Carneiro, alegaram questões de segurança e até a exigência legal de cobrança de ingresso para todo mundo que entra no estádio.

Mas segundo o vice-presidente da Federação Bahiana de Futebol, Mafredo Lessa, "o Estatuto do Torcedor não entra no aspecto de cobrança de ingresso, deixando isso a cargo do clube mandante da partida". Ele informa que a FBF ou qualquer outra entidade congênere não tem como interferir.

De fato, cada clube estipula sua própria regra, mas é fato que a medida aplicada pelo Bahia é um caso único em todo o País (veja a matéria ao lado). "Eu reagi com indignação à cobrança de ingresso para menores de 12 anos. Vamos manter a política de não cobrar, mesmo nos jogos que mandamos no estádio Roberto Santos", declarou o vice-presidente do Vitória, Jorge Sampaio, que não pronuncia o nome Pituaçu.

Elitização
Desde que foi reinaugurada, a nova praça esportiva de Salvador passou a ser considerada uma tábua de salvação para o Bahia. O caminho para quebrar um jejum de sete anos sem título e voltar a disputar o Brasileirão passa pela reestruturação financeira.

Em oito jogos em Pituaçu, o Bahia venceu sete vezes e empatou uma. E conseguiu, graças à fidelidade de seu torcedor, uma arrecadação líquida superior a R$ 2,2 milhões, o que permitiu, segundo a diretoria, reduzir de cinco para dois meses o atraso de salários dos funcionários.

Para muitos torcedores, mesmo o preço do ingresso para os adultos já é um abuso. Até o ano passado, o Bahia cobrava R$ 10 a inteira. A majoração, que chega a ser de 200%, pode ser explicada, de um lado, pela demanda reprimida da fanática torcida do Bahia, que passou o ano de 2008 inteiro sem ver o time mandar um jogo sequer em Salvador, e de outro, pelas diferenças de tamanho e de estrutura entre Pituaçu e Fonte Nova.

Interditada desde a tragédia quer matou sete torcedores, em novembro de 2007, a Fonte Nova comportava 60 mil espectadores, contra 32.157 contados em Pituaçu, que, ao contrário de seu 'antecessor', não possui arquibancada de cimento, ou seja, não permite espremer mais torcedores em um espaço menor. "Em uma partida como o Ba-Vi, com todos os ingressos de arquibancada vendidos, as crianças acabariam ocupando os assentos, prejudicando as pessoas que compraram os ingressos para assistir a partida sentada, além de gerar maior prejuízo ao clube", justificou Paulo Carneiro.

A diretoria do Bahia continua contando com o apoio de seu torcedor - de qualquer idade - para sair do vermelho. Até quando, só o tempo dirá.



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