07h03 27/03/2009

Santos lucra com jogos fora da Vila e estuda vender mandos

Público na capital supera expectativas, gera lucro e atrai interesse de investidor, disposto a levar jogos para longe da Baixada. Excesso de apresentações no Pacaembu é manobra eleitoreira, acusa oposição

Bruno Thadeu, especial para o Pelé.Net

SANTOS - A diretoria do Santos pretende fechar no início de abril a venda de pelo menos cinco mandos de campo do clube (seja pela Copa do Brasil ou Paulistão) para uma empresa.

A presença do público alvinegro nos jogos no Pacaembu surpreendeu os dirigentes, que vislumbram lucrar com a comercialização para outros locais.

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Moacyr Lopes Júnior/Folha Imagem
Moacyr Lopes Júnior/Folha Imagem
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A antecipação do duelo entre Santos x Portuguesa para as 15h45 da próxima quinta-feira (estava inicialmente marcado para as 20h30) desagradou a diretoria alvinegra, que cogita a possibilidade de enviar para o interior a penúltima partida da 1ª fase do Estadual.

Dirigentes do Santos acreditam que o público na Vila para o duelo diante da Lusa será reduzido em decorrência da mudança de horário, conforme determinação da Rede Globo, detentora dos direitos de transmissão do Paulista.

Para minimizar possível prejuízo na realização de um clássico numa quinta à tarde, o Santos estuda pedir compensação financeira à emissora de TV para confirmar o jogo contra a Lusa na Vila.

A rodada final da fase classificatória pode não ser mais em Campinas para o Santos. Sem chance de vaga às semifinais, a Ponte Preta quer levar a partida contra o Santos para o Pacaembu. No estádio paulistano a renda provavelmente será melhor, avalia os dirigentes da Ponte.

No Campeonato Paulista, o clube mandante fica com 100% da renda.
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O investidor, cujo nome é mantido em sigilo pelo clube, dará uma quantia a ser definida pelo Santos e também custeará as despesas da viagem do elenco. Em contrapartida, a empresa fica com a renda desses jogos inseridos no pacote. A capital e interior serão os locais escolhidos para abrigar os jogos.

"As partidas realizadas pelo Santos no Pacaembu neste ano serviram para provar a força da torcida alvinegra, principalmente na capital e região do ABC. A quantidade de torcedor na arquibancada atrai investidores, que querem comprar jogos nossos. Estamos conversando com uma empresa. Será lucrativo para todos", disse o diretor de futebol do clube, Adílson Durante.

A compra de mandos pode ser mesmo vantajosa. O Oeste levou o duelo contra o Santos para o Pacaembu, ficando com mais de R$ 400 mil reais - 100% da renda do jogo. O Oeste nega ter vendido o mando para a empresa BWA.

Os números evidenciam a força da torcida alvinegra longe do litoral. O Santos teve média de 15.486 pagantes em três jogos como mandante no Pacaembu. Já na Vila, a média cai para 6.853 pagantes. Foram oito jogos (incluindo promoção de ingressos contra o Santo André).

De olho na possibilidade de lucrar tirando alguns jogos da Vila, o Santos também evita prejuízos dentro de casa. O Balanço Orçamentário do clube de 2008, aprovado pelo Conselho Deliberativo, registrou prejuízo no ano passado de R$ 1,28 milhão nos jogos como mandante: arrecadou R$ 4,365 milhões e gastou R$ 5,645 milhões.

No Brasileirão de 2008, o Santos obteve a menor média de público entre os times fundadores do clubes dos 13. Em 2007 foi ainda pior: o Santos ficou à frente apenas do Juventude em quantidade de torcedor.

Só nos três primeiros meses de 2009 já foram três partidas tendo o Pacaembu como casa alvinegra, recorde na gestão Marcelo Teixeira. De 2004 a 2008, o Santos mandou quatro partidas para fora da Vila (descontando jogos em que foi obrigado a atuar longe da Baixada).

Oposição vê manobra eleitoreira

O excesso de partidas no Pacaembu é contestado pela Associação Resgate Santista, grupo oposicionista à atual administração do clube. O grupo entende que os jogos realizados na capital são manobras eleitoreiras da diretoria do Santos para captar votos de associados moradores da Grande São Paulo.

No final do ano haverá eleição para a escolha do presidente do clube.

"O Marcelo Teixeira mudou o estatuto, alterando o tempo para o associado votar. Antes, ele votava após um ano como sócio. Agora vota após três anos como sócio. Detalhe: muita gente que se associou até 2006 vai poder votar este ano pela primeira vez. E a grande parte desses novos sócios é de São Paulo. Portanto, estes votos serão fundamentais para a manutenção do atual presidente no poder. Por isso os jogos na capital", acusa Arnaldo Hase, assessor de imprensa da Resgate.

A diretoria santista rebate as acusações da oposição.

"Não tem nada de questão eleitoreira por trás. O Santos tem mandado jogos para fora porque a torcida de outras regiões tem correspondido. Já presenciei jogo do time juniores do Santos em Araraquara com 8 mil torcedores para ver o Santos", diz Adílson Durante.



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