07h00 08/04/2009

'Jesus da Gávea' expõe o lado 'festeiro' das torcidas cariocas

Após marcar alguns gols, Josiel recebeu o apelido, e fez RJ relembrar outros ídolos folclóricos

Bruno Rousso, Especial para o Pele.Net
Do que são feitos os ídolos? As teorias são muitas. Vão desde a necessidade de se criar um herói, sobretudo em tempos difíceis, até a simples paixão, ou simpatia, por alguém. O futebol, assim como diversos nichos da sociedade, também desfruta de ídolos. Aliás, vive deles.
Contudo, o Rio de Janeiro vem demonstrado há tempos uma maneira diferente e até exagerada de lidar com seus pontos de referência no mundo da bola. Provas concretas disso são Super Ézio e Túlio Maravilha, que brilharam por Fluminense e Botafogo, respectivamente, na década de 90.
Recentemente, um exemplo irrefutável foi dado pela torcida do Flamengo. E o personagem da vez é Josiel. Antes execrado pelas péssimas partidas no Campeonato Brasileiro do ano passado, ele desandou a fazer gols em 2009, já são 11 [é artilheiro do Estadual do Rio, ao lado de Victor Simões e Bruno Meneghel]. Por isso, aproveitando a barba por fazer e os longos cabelos do camisa 9, os rubronegros não perderam tempo e logo o apelidaram de Jesus da Gávea.
"Fico muito feliz com todo esse carinho que venho recebendo, mas isso é um exagero. Não posso ser comparado a Jesus, pois não fiz nada parecido. A única coisa que poderiam dizer é que, assim como ele fez, eu consegui renascer aqui no Flamengo, após viver uma temporada difícil em 2008", analisou o messias rubronegro, na ocasião.
O alerta feito, porém, não afetou os torcedores. Querendo ou não, Josiel segue com o apelido. Isso, é claro, até quando ele fizer por merecer. Afinal, como diz a velha máxima, atacantes vivem de gols. E os ídolos efêmeros, ou seja, que ainda não marcaram de vez sua histórica no clube, duram até quando a boa fase lhes acompanhar. Depois disso, correm risco de serem jogados às traças.
Ézio e Túlio: fenômenos da década passada O passado do futebol carioca revela outros heróis folclóricos. Que o diga o capixaba Ézio Leal Moraes Filho, ou simplesmente o Super Ézio. Entre 1991 e 1995, ele marcou época no Fluminense. Nunca se destacou pelo futebol refinado, mas sabia bem como balançar a rede adversária. Com 118 gols, entrou para o hall dos grandes artilheiros tricolores: é oitavo maior na história do clube.
Hoje aos 42 anos (15/05/1966), o super-herói tricolor vive no Rio de Janeiro e se prepara para ser agente de jogadores. Por isso, tem conhecimento de causa sobre o 'fenômeno' Josiel.
"O torcedor está carente de ídolos. Quando não tem um craque, um jogador que puxa a fila, o torcedor acaba procurando um que esteja se destacando, assim como o Josiel. A torcida resolveu apadrinhá-lo", avaliou Ézio, complementando.
"Com certeza, todos os jogadores que se destacam ou se destacaram nos clube, como o Túlio Maravilha, o Ronaldo Fenômeno, entre outros, merecem isso. Vejo como uma homenagem, marca a carreira do atleta e também o clube", emendou.
Mais folclórico que Ézio, porém, foi e é o por ele citado Túlio Maravilha. Goleador de língua afiada, logo agarrou a camisa 7 alvinegro e fez história. Peça-chave do título brasileiro de 1995, ele deixou seu nome para sempre gravado em General Severiano. Hoje, o atacante, que ainda sonha chegar aos mil gols, atua pelo Itumbiara-GO e acumula o cargo de vereador na cidade de Goiânia. UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)
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