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07h00 22/04/2009

"Cigano", Rodrigo Teixeira curte brilho tardio na Libertadores

Atacante de 30 anos briga pela artilharia da competição com Keirrison e Borges, e sonha com retorno ao Brasil

Fernando Narazaki, especial para o Pelé.Net
SÃO PAULO - Keirrison, Borges e Rodrigo Teixeira são os três brasileiros que disputam a artilharia da Copa Libertadores 2009. Os dois primeiros são conhecidos pela maioria dos torcedores, enfrentam badalação e o primeiro, inclusive, já sonha com seleção brasileira e propostas europeias. Rodrigo Teixeira, porém, transita tranquilamente na cidade de Barra Mansa, no Rio de Janeiro, quando está de férias do Deportivo Cuenca.
Teixeira é mais um dos exemplos de "ciganos da bola", que deixam o Brasil ainda jovens, viajam por muitos países e tornam-se apenas mais um na estatística de jogadores transferidos para o exterior. Segundo a CBF, 1.176 atletas deixaram o futebol nacional no ano passado, sendo a maioria de desconhecidos como o camisa 9 do Deportivo Cuenca, que só ganhou "fama" agora aos 30 anos, com os cinco gols marcados pelo time equatoriano na atual edição do principal torneio interclubes da América.
No Brasil, Rodrigo Teixeira atuou pouco tempo como profissional. Integrante do Vasco vice-campeão na Copa São Paulo Júnior de 1999, que perdeu do Corinthians na final, o atacante ficou encostado no time principal e praticamente não teve chances, já que a equipe vinha do título na Libertadores de 1998 e tinha no grupo nomes como Edmundo, Viola e Donizete apenas para a posição de Rodrigo Teixeira.
Sem oportunidades, ele se transferiu para o São Cristóvão, mas logo optou por aceitar uma proposta do Ceahlaul Piatra Neamt, então na primeira divisão da Romênia, na metade de 2001. Mas a passagem foi breve. "Lá era muito, muito difícil. A gente concentrava de segunda a sábado. E quando você saía, sempre vinha alguém do clube junto, seja no cinema, no restaurante ou qualquer lugar. Liberdade você só tinha no domingo e quando o time não jogava", lembrou em entrevista por telefone ao UOL Esporte, misturando português e espanhol em muitas oportunidades.
O time terminou o Campeonato Romeno em oitavo lugar, mas Teixeira não via a hora de sair e iniciou a sua vida de cigano, passando por Esmeraldas Petrolero (do Equador), Barcelona de Guayaquil (Equador), Júnior Barranquila (Colômbia), Caracas (Venezuela), Cúcuta (Colômbia), Wehen Wiesbaden (Alemanha) e Aboomoslen (Irã), esta sua última parada antes de chegar ao Deportivo Cuenca na metade de 2008.
"Achei que ia conseguir a minha independência no Irã, mas não foi nada disso. Foi duro lá, a comida era ruim, pois eles não comem muita carne e tem também a questão da religião, que lá é algo muito diferente. Fui sozinho e sofri demais. Tinha contrato de dois anos e meio, mas não aguentei nem seis meses", recordou o jogador, que, entretanto, teve resistência para deixar o país asiático. "Só saí depois que abri mão de um monte de coisa. Tinha um mês e meio de salário para receber, mais benefícios. Como resolvi deixar tudo e não cobrar, eles me liberaram", explicou.
| Além de Romênia e Irã, outro país que marcou bastante Rodrigo Teixeira foi a Venezuela. Mas apenas pelo lado esportivo. "Lá eles nem ligam muito para o futebol. Os estádios vivem vazios. O que eles querem saber mesmo é do beisebol. Era engraçado ver o futebol em segundo plano", recordou o atacante, que ficou menos de um ano no país. |
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| COADJUVANTE NA VENEZUELA |
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Na chegada ao Equador, ele era visto com dúvidas, mas logo ganhou a torcida e o respeito, principalmente após 3 de fevereiro de 2009. Neste dia, Rodrigo Teixeira marcou os dois primeiros gols que ajudaram o Deportivo Cuenca a reverter uma desvantagem de 2 a 0 no jogo de ida contra o Anzoategui. A equipe equatoriana ganhou por 3 a 0, garantiu o lugar na segunda fase - em que ocupa o terceiro lugar do grupo 2 -, e tem um duelo decisivo contra o Boca Juniors, nesta quinta-feira, para sonhar com a classificação para as oitavas-de-final.
Além dos dois gols na fase preliminar, ele ainda marcou o primeiro na goleada sobre o Guarani, do Paraguai, por 4 a 0, em 24 de fevereiro, e fez os dois últimos no triunfo sobre o Deportivo Táchira por 3 a 1, em 17 de março. Teixeira chegou neste momento a ser o artilheiro isolado da Libertadores com os cinco gols anotados, mas acabou sendo alcançado e superado por Keirrison, hoje com seis gols, e está empatado com Borges.
"É lógico que seria ótimo ser artilheiro da Libertadores, mas o meu primeiro objetivo é conseguir a classificação", disse Teixeira, que destacou a importância de seus cinco gols em relação aos concorrentes. "Eu conheço o Borges e o Keirrison pelo noticiário, sei que são bons jogadores, mas estão em grandes equipes e que facilitam o trabalho deles. Aqui eu tenho um monte de jogadores jovens ao meu lado, e o time também não tem a mesma qualidade, mas estamos fazendo um bom trabalho", destacou.
Com 30 anos, Teixeira também espera fazer da participação na Libertadores uma chance de retornar ao futebol brasileiro. "Tenho este sonho, mas entrego nas mãos de Deus. Tenho uma vida legal aqui e só queria voltar se fosse para jogar em um time competitivo. Tenho contrato até o fim de dezembro e, depois, quem sabe não posso realizar este sonho", afirmou. Antes disso, porém, ele admite que precisará melhorar um ponto. "Realmente preciso treinar meu português", sorriu. UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)
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