19h52 29/08/2004
Peixe deixa Raposa empatar no final
Time de Luxemburgo permite reação do Cruzeiro, mas reassume liderança pelo número de vitórias. Do Pelé.Net
BELO HORIZONTE - Quando o Santos achava que a vitória estava garantida, depois de fazer 4 x 1, jogando com um homem a mais, o time de Luxemburgo recebeu o castigo: permitiu o empate do Cruzeiro, em 4 x 4, neste domingo, no Mineirão. A partida parecia definida em favor do Peixe, quando Jussiê, aos 38min e Wendell, aos 42min da etapa final, empataram para o time mineiro.
O Santos demorou pouco mais de 10 minutos do primeiro tempo, para assumir o controle do jogo. Logo que a bola rolou, no Mineirão, foi o Cruzeiro, de Marco Aurélio, que tomou a iniciativa da partida e teve boa chance de gol aos 3min. Fred tabelou com Leandro, que dividiu com o goleiro Tapia e a bola só não entrou porque o lateral-esquerdo Léo conseguiu tirar.
Aos poucos, o Santos, que começara mais recuado, foi se soltando, com a qualidade do seu meio-campo e ataque, especialmente Ricardinho e Robinho, fazendo a diferença. Aos 12min, aconteceu a primeira chegada da equipe paulista, por intermédio do ex-cruzeirense Deivid, que avançou às costas do ex-santista Marco Aurélio, bateu cruzado. A bola saiu por pouco.
A torcida cruzeirense não teve tempo de respirar aliviada, pois no minuto seguinte a estrela de Robinho começou a brilhar. O camisa 7 do Peixe recebeu um passe de calcanhar de Ricardinho, que o deixou livre, na cara do goleiro Artur. Com tranqüilidade, ele avançou e bateu firma para marcar o seu 16º gol e o 61º do time de ataque mais positivo do Brasileiro.
O gol de número 62 saiu pouco depois. Mais uma vez foi marcado por Robinho, que fez grande jogada individual, aos 20min, passando por três adversários. Ao ficar completamente livre, apenas tocou, de forma sutil, para vencer novamente Artur e colocar a bola nas redes.
O domínio santista ficou ainda mais acentuado nos minutos seguintes, quando a defesa cruzeirense batia cabeça e a torcida do time local ensaiava algumas vaias. O time celeste, ao contrário do adversário, se ressentia de jogadores mais criativos no meio-campo e a conseqüência disso é que a bola custava a chegar ao ataque.
Numa das poucas vezes que isso aconteceu, o Cruzeiro chegou ao seu gol. Fred, em jogada pelo lado esquerdo do seu ataque, passou pelo veterano Antônio Carlos e bateu cruzado, a bola desviou em Ávalos, enganando completamente o chileno Tapia.
O gol mudou o comportamento do torcedor celeste, que passou a incentivar sua equipe. Enquanto Robinho se destacava ofensivamente pelo Santos, Fred era o que mais aparecia pelo lado cruzeirense. Aos 39min, em bela batida de primeira, após cruzamento de Marco Aurélio, o jovem artilheiro ameaçou o gol de Tapia. No minuto seguinte, Fred cabeceou para fora, com perigo, após cobrança de escanteio.
Os minutos finais do primeiro tempo foram quentes. Aos 45min, o Santos fez o seu terceiro gol, que foi anulado, por impedimento de Deivid. Robinho fez boa jogada pela esquerda e cruzou para o camisa 9 do Peixe, que, segundo a arbitragem, estava em posição irregular. Quarenta segundos depois desse lance, o volante celeste Martinez levou o segundo amarelo e acabou expulso por Carlos Eugênio Simon, deixando a Raposa com 10 jogadores em campo.
Para o meia Ricardinho, o Santos deverá adiantar a marcação, no segundo tempo, para ter a posse de bola e procurar fazer mais gols, aproveitando a vantagem de um jogador a mais. Já o lateral-esquerdo Léo considera que o mais importante é manter a atenção. "O Cruzeiro é perigoso", ressaltou. O zagueiro Edu Dracena, sempre batido por Robinho, admitiu a dificuldade em marcá-lo. "É um grande jogador, principalmente quando ele vem de frente com a bola", disse.
O experiente volante Zé Elias, que preferiu o Santos ao Cruzeiro, clube com o qual estava "apalavrado" não voltou para o segundo turno, sendo substituído por Luiz Augusto. O jogo recomeçou movimentado, com os dois times atuando em ritmo veloz e em busca do ataque. Os donos da casa buscando pelo menos o empate e os visitantes tentando ampliar o marcador.
E o Peixe conseguiu seu objetivo. Aos 13min, como aconteceu na primeira etapa, Deivid recebeu bom lançamento e livre, na área cruzeirense, dominou para bater, superando o goleiro Artur. Foi a chamada ducha de água fria no ânimo do torcedor celeste, que reagiu inicialmente com o silêncio e depois com vaias.
O quarto gol santista saiu pouco tempo depois, aos 20min, marcado por Elano, fazendo prevalecer sua superioridade númerica em campo. Quando muitos torcedores cruzeirenses começavam a deixar o Mineirão, o atacante Fred fez seu segundo jogo, diminuindo o placar e renovando as esperanças dos mineiros.
Ao tentar a reação, o Cruzeiro se abria aos contra-ataques santistas, que utilizava a habilidade de Robinho e a objetividade de Deivid, para ameaçar constantemente o gol defendido por Artur. Mas o Santos não fez e acabou sofrendo o terceiro gol cruzeirense, aos 38min, quando Fred tocou para Jussiê, que penetrou na área adversária e bateu no cantinho do goleiro Tapia, devolvendo o ânimo ao time celeste. E aos 42min, Wendel acertou chute de longe para empatar o jogo, de forma heróica e inesperada.
CRUZEIRO 4 X 4 SANTOS
Cruzeiro Artur, Marco Aurélio Alessandro), Edu Dracena, Bruno Quadros e Leandro; Maldonado, Recife, Martinez e Márcio (Wendel); Jussiê (Irineu) e Fred Técnico: Ney Franco
Santos Tapia, Paulo César, Ávalos, Antônio Carlos e Léo; Ricardo Bóvio (Flávio), Zé Elias (Luiz Augusto), Ricardinho e Elano; Robinho e Deivid (Basílio) Técnico: Wanderley Luxemburgo
Data: 29/8/04 - domingo Local: Mineirão Público: 11.154 pagantes Renda: R$ 127.879 Árbitro: Carlos Eugênio Simon (RS) Cartões amarelos: Ricardinho, Ricardo Bóvio, Flávio, Tapia (Santos); Recife, Martinez, Maldonado, Bruno Quadros (Cruzeiro) Cartões vermelhos:Martinez (Cruzeiro) Gols: Robinho, aos 13min e aos 20min, Fred, aos 30min do primeiro tempo; Deivid, aos 13min, Elano, aos 18min e Fred, aos 20min, Jussiê, aos 38min e Wendel, aos 42min do segundo tempo