18h17 19/12/2004
'Extra-campo' foi o maior rival do Santos
Perda de mandos de campo, gols anulados, lesões e problemas particulares foram os obstáculos da equipe em 2004. Gabriel Fortes e Bruno Freitas, especial para o Pelé.Net
SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - Os acontecimentos "extra-campo" foram apontados pelos jogadores e pela comissão técnica do Santos como os maiores problemas da equipe durante a campanha do Campeonato Brasileiro.
A perda de nove mandos de campo no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) - três deles foram recuperados mediante apreciação de recurso - os oito gols de Deivid anulados e os problemas particulares de Robinho foram mais prejudiciais do que a montagem de um novo time ao longo da competição.
"É um título que vem coroar um trabalho de persistência, de insistência e de fé no nosso potencial. Encontramos dificuldades que desconhecíamos e isso chegou a ser um fator de motivação para todos dentro do grupo", argumentou o volante Fabinho.
Irritado com os problemas que prejudicaram a equipe, Deivid chegou a falar em perseguição. Para o atacante, "iniciaram um complô contra o clube".
"Tive uma série de gols anulados no Brasileiro e, se não fosse isso, estaria na briga com o Washington pela artilharia. Alguém não queria ver o Santos campeão, porque se tivéssemos mantido o ritmo, ou se deixassem, seríamos campeões com muita antecedência", disparou.
Os acontecimentos na vida pessoal de Robinho, que o afastaram do Nacional a partir do dia 6 de novembro, na partida contra o Criciúma, foi outro fator negativo que perturbou o elenco.
"O mais importante é que nós soubemos administrar essa situação muito bem. Deixamos o Robinho à vontade e o Luxemburgo falou que era para nos preocuparmos com o campeonato. Lamentamos ficar sem ele, porque é o melhor do Brasil, mas tínhamos que continuar lutando", contou Léo.
Na visão de Wanderley Luxemburgo, a disputa da Copa Sul-Americana em um momento decisivo dentro do Brasileiro representou um ataque à preparação física do elenco.
"Nós perdemos muito no aspecto físico e o Atlético-Pr, que não estava na Sul-Americana, aproveitou essa situação para assumir a liderança no Brasileiro. Nós respeitamos a competição internacional, mas deveríamos ter o direito de escalar que acharmos melhor", reclamou o técnico.
O intuito do clube era utilizar uma equipe de segunda linha, formada praticamente por jogadores das categorias de base. Mas, na véspera da estréia, foi obrigado a inscrever os seus principais atletas, que foram utilizados mais no decorrer dos jogos.
"A arbitragem do Brasileiro também nos prejudicou muito neste ano. Foi muito difícil encarar esta situação porque, se reclamamos, pode vir mais porrada. A agente fica sempre como vítima".