19h23 10/03/2006
Luxemburgo detona onda anti-racista
Técnico alega que termos racistas são acontecimentos tradicionais do futebol e trata seus atletas de 'picolés de asfalto'. Bruno Thadeu, especial para o Pelé.Net
SANTOS - As intensas manifestações contra o racismo no esporte despertaram a fúria do técnico do Santos Vanderlei Luxemburgo. Porém, o treinador não é mais um dos que condenam as atitudes preconceituosas promovidas recentemente dentro de campo. Luxa considera "uma grande bobagem" a série de represálias em conseqüência aos atos racistas.
Para ilustrar seu pensamento, o técnico recorreu ao Atleta do Século, Pelé, que foi um dos principais alvos de provocações no futebol. "Acho isso tudo uma grande bobagem. Antigamente, os adversários intimidavam o Pelé dizendo que dariam porrada no negão e nada acontecia. Era negão filho disso, negão filho daquilo. É a linguagem normal do futebol", opinou Luxemburgo.
O crescente debate sobre o racismo no futebol foi motivado principalmente após os incidentes ocorridos no duelo gaúcho entre Juventude x Grêmio, quando o beque Antônio Carlos fez gestos com as mãos desqualificando o meia Jeovânio, e no confronto recente entre Barcelona x Zaragoza, quando o camaronês Samuel Eto´o ameaçou deixar o campo após insultos racistas dos torcedores.
Para reiterar sua posição oposta ante os críticos do racismo no esporte, Luxemburgo declarou ser um adepto dos termos "depreciativos" para se comunicar com os seus comandados. Segundo o técnico do Peixe, não existe qualquer preconceito de sua parte diante da cor negra, pois ele próprio se julga "um pouco" negro.
"O pessoal precisa entender que isso faz parte do futebol. Não pode levar para o outro lado. Eu mesmo chamo alguns atletas de 'Picolé de Asfalto', até porque tenho um pé na senzala", ironizou Luxa.
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