20h35 21/09/2006
Fábio Costa pede desculpas à torcida
Goleiro admite erro e prega amor ao Santos. Incidente com torcida não tem qualquer ligação com 'caso' Tevez, diz. Bruno Thadeu, especial para o Pelé.Net
SANTOS - O goleiro Fábio Costa recorreu aos microfones da imprensa para pedir perdão à torcida do Santos pelos incidentes ocorridos após o duelo frente ao Fluminense, 1 x 1, quarta na Vila, quando se envolveu em uma briga generalizada com pelo menos 15 torcedores na porta do estádio santista.
Atingido por um pedaço de vidro no tumulto generalizado na Vila Belmiro, Evaldo Renato registrou boletim de ocorrência contra o goleiro santista nesta quinta-feira. O objeto cortante rasgou a camisa de Renato na altura do ombro direito.
Na queixa registrada no 7º DP de Santos, Renato alega ter levado também um soco de Fábio Costa. A informação, entretanto, é contestada por várias pessoas que presenciaram o entrevero entre o atleta e cerca de pelo menos 15 torcedores.
Evaldo Renato prestou serviços ao clube na partida diante do Fluminense, embora não seja funcionário do Santos. Conforme relatou, ele não participou da briga, apesar de ter sido atingido na confusão.
Indagado sobre a queixa formulada pelo prestador de serviços, Fábio Costa informou que não tinha intenção em agredir ninguém, mas que precisou se defender. O goleiro assegurou que acatará qualquer chamado da polícia sobre o caso.
"Eram 20, 30 pessoas. Não dava para identificar quem estava lá. Se eu atingi alguém que não tinha nada a ver com a história, gostaria até de aproveitar para pedir desculpas a essas pessoas. Minha intenção não era agredir, foi uma atitude de defesa. Se alguém registrou um B.O contra mim, irei responder sem problemas", disse o goleiro.
TORCEDOR ACIONA POLÍCIA
Ao lado do técnico Vanderlei Luxemburgo na sala de imprensa do clube, o camisa 1 assumiu o erro pelo gol do Fluminense e também pela confusão, declarou que o atrito não pode abalar a empatia existente entre time e público, e criticou a conduta de "cinco ou seis" torcedores, que não teriam respeitado a presença da mulher e do filho do jogador.
Fábio Costa foi atingido por socos e pontapés, além de ter sofrido um corte no dedo da mão ao atirar um pedaço de vidro em direção aos torcedores. Porém, o maior ferido no incidente, segundo o jogador, foi a equipe do Santos.
"Não podemos generalizar, afinal o problema não foi com a torcida do Santos, mas sim com cinco ou seis caras que sempre vão à Vila para encher o saco, seja o Santos ganhando ou perdendo. Peço desculpas e entendo que as duas partes erraram. No final das contas, o maior prejudicado é o Santos. Por isso venho aqui para pedir desculpas ao Vanderlei [Luxemburgo], ao presidente, à imprensa e aos torcedores".
"Atitudes intempestivas existem, o importante é saber passar por elas. Poderia ter me escondido e não falar sobre o assunto, mas fiz questão em conversar com vocês, pois o erro faz parte do ser humano. Ninguém é infalível", acrescentou.
O goleiro santista refutou qualquer tipo de analogia com o episódio envolvendo o atacante Carlitos Tevez e a torcida do Corinthians. No reinício do Brasileirão, o argentino manifestou publicamente o interesse em deixar o Timão após os incidentes ocorridos na porta do Morumbi, quando torcedores chutaram o carro do atleta, na presença da filha e da mãe da criança.
Fábio admitiu que os agressores acusaram o atleta de ser corintiano e negou que o contato acintoso com os torcedores seria um argumento para forçar sua saída do clube. Ao contrário de Tevez, o atleta conta que não passa em sua cabeça largar o seu atual clube.
"Conversei com o Tevez, mas não sei exatamente o que se passou na sua saída do Corinthians. Mas todos sabem que ele tinha o projeto de sair muito antes do clube. Meu projeto é totalmente diferente. Se eu fosse corintiano eu não teria fixado residência e matriculado meu filho em Santos, não compraria um camarote na Vila e não seria sócio do Santos. Não briguei com a torcida, mas sim com alguns pseudo-torcedores, por isso estou super tranqüilo em voltar a defender o clube", respondeu.
Acompanhando detalhadamente cada comentário do atleta, Luxemburgo informou que o encontro forçado entre imprensa e o goleiro serviu para evitar que possíveis factóides sobre o entrevero se alastrassem, prejudicando o clube na definição do Brasileirão e Copa Sul-Americana.
"Eu, como comandante do Santos, achei necessário trazer o Fábio Costa para responder todas as questões sobre a confusão e encerrarmos o problema aqui. O Fábio cometeu um equívoco e ele sabe muito bem disso. O que não pode é existir um conflito entre a torcida e o time. Nada disso. Todos no Santos precisam se unir em busca da classificação à Libertadores e, se os rivais bobearem, tentar o título", disse Luxa.
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