12h21 31/10/2006
Santos vira o rei do jogo aéreo no BR
Luxa segue filosofia de atuar pelas 'bandas', que tentou implantar em Madri, e Peixe se destaca nas jogadas de linha de fundo. Bruno Thadeu, especial para o Pelé.Net
SANTOS - Em sua passagem pelo Real Madrid, o técnico Vanderlei Luxemburgo sofreu intensas críticas ao insistir em explorar as jogadas pelas 'bandas' (lados). De volta ao Santos após passagem rápida pela Espanha, o treinador reedita a estratégia madridista e conseguiu um feito: o Peixe é o time do Brasileirão que mais explora os cruzamentos pelas beiradas do campo.
De acordo com o Datafolha, o time da Vila Belmiro tem média de 28,9 cruzamentos por partida. O Vasco da Gama, por exemplo, é a equipe do Nacional que menos utiliza esse recurso: 16 vezes por jogo.
Apesar do elevado índice de jogadas pelo alto, o Peixe não possui um centroavante fixo na área para aproveitar o excesso de "chuveirinhos", assim como ocorria em Madrid; Ronaldo de cabeça é praticamente nulo. No entanto, a média santista é puxada pelo lateral-esquerdo Kléber, especialista em jogadas de linha de fundo.
Visto com desconfiança no ano passado, principalmente após a goleada santista para o Corinthians, por 7 x 1, Kléber driblou as críticas e se tornou o principal assistente do time no Paulistão-06 e novamente figura no topo dos que mais servem os companheiros neste Brasileiro, ao lado de Tabata.
"A marcação por dentro no futebol atual está muito cerrada. A saída é usar os lados, que se tornou uma situação muito importante nos dias de hoje", explica Vanderlei Luxemburgo.
O gol que deu a vitória ao Santos no duelo diante do São Caetano, no sábado, surgiu de uma jogada de linha de fundo, tendo Rodrigo Tabata, de 1,71 m, escorado o cruzamento do atacante Reinaldo.
Embora reconheça não ser um exímio cabeceador, o meia-direita aponta os alas alvinegros como os principais responsáveis pela descentralização das jogadas. Kléber é cogitado a assumir futuramente uma função no meio-campo, enquanto o ala Denis segue afastado do elenco por mais seis meses.
"O Santos trabalha todos os tipos de jogadas, mas esses números comprovam a qualidade dos nossos laterais. E veja que não temos um atacante de área. Eu mesmo pude fazer um gol de cabeça em uma jogada desse tipo. Minha estatura não ajuda, cabeçada não é meu forte, e devo ter feito meu quarto ou quinto gol de cabeça na carreira", analisa Tabata.
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