O São Paulo sempre foi um clube associado à elite paulistana. Mas já virou time de massa há muito tempo. Isso porque, dentro de campo, conquistou a admiração e o amor de milhares de torcedores com suas memoráveis conquistas.
Renascido em 1935, o São Paulo Futebol Clube teve a honra de contar em seu elenco com alguns dos maiores craques do futebol brasileiro, de Leônidas da Silva a Raí, passando por Gérson e Careca.
O auge do Tricolor ocorreu na década de 90, quando uma geração de ouro, comandada pelo técnico Telê Santana, conquistou um Brasileiro, duas Libertadores, dois Mundiais. Além dos títulos, o são-paulino tem um orgulho de uma outra conquista: a construção do Morumbi, que por quase três décadas foi conhecido como "o maior estádio particular do mundo".
"Time da década nos anos 80" e "Campeão paulista da década de 90", o São Paulo sabe como forjar talentos e colecionar títulos. Sorte da torcida tricolor.
O São Paulo Futebol Clube que se conhece hoje foi fundado, oficialmente, em 1935. Mas suas glórias "vêm do passado", como diz a letra do hino. Mais precisamente de 1900, ano da fundação do Clube Atlético Paulistano.
O Paulistano foi o grande time paulista e brasileiro do começo do século. Era lá que jogava Arthur Friedenreich, considerado o Pelé dos anos 10 e 20. Onze vezes campeão paulista, primeiro time do Brasil a excursionar à Europa, em 1925, o Paulistano, porém, negava-se a aceitar o profissionalismo. Por isso, preferiu parar com suas atividades no futebol, embora, como clube social, exista até hoje. O mesmo aconteceu naquela época (1929) com a Associação Atlética Palmeiras, um clube alvinegro que nada tem a ver com o Palmeiras de hoje.
Só que torcedores, dirigentes e ex-jogadores de Paulistano e Palmeiras não
se conformaram com o fim de suas equipes, assim, sem mais nem menos. Então
se uniram para fundar um novo time, cujas cores eram o vermelho do Paulistano,
o preto da A. A. Palmeiras e o branco dos dois. Nascia assim, já tricolor,
o primeiro São
Paulo Futebol Clube, no dia 26 de janeiro de 1930. Do Paulistano, o
novo time herdou a maioria de seus primeiros craques (Friedenreich, Araken
Patusca, Waldemar de Brito, Luizinho). Da A. A. Palmeiras, ficou com o campo,
chamado de Floresta - daí o apelido pelo qual o clube era chamado: São
Paulo da Floresta.
Dentro do campo, as coisas iam bem - já em 1931, o São Paulo da Floresta
conquistava seu
primeiro título de campeão paulista. Fora dele, nem tanto. Empolgados
além da conta, alguns dirigentes resolveram comprar uma luxuosa sede na
Rua Conselheiro Crispiniano (no centro de São Paulo), um palácio chamado
Trocadero. A conseqüência era óbvia: o clube se atolou numa dívida de 190
contos de réis. A única saída foi se fundir com o Clube de Regatas Tietê,
dando em troca o campo da Floresta e extinguindo o departamento de futebol.
Não sem antes entrar para a história, ao lado do Santos, como uma das equipes
que disputaram a primeira
partida profissional de futebol do Brasil.
1935 - 1941 O Clube da Fé
Mas seus fundadores e refundadores jamais aceitaram a idéia de se despedir
definitivamente do clube amado. Tanto que, logo depois da fusão com o Tietê,
que sepultou o São Paulo da Floresta, aqueles obstinados deram à luz o Grêmio
Tricolor. O objetivo, segundo eles, era manter vivo o futebol da velha "família
paulistana". O Grêmio daria origem ao Clube Atlético São Paulo, no dia 4
de junho de 1935, e, finalmente, ao São Paulo Futebol Clube atual, fundado
em 16 de dezembro daquele mesmo ano. Depois de tantas ressurreições, o clube
passou a ser conhecido como o "Clube
da Fé".
O Tricolor renasceu
pobre dessa vez. Os primeiros jogadores foram trazidos do Paraná pelo
presidente Manoel do Carmo Mecca e pelo primeiro técnico, Armando Del Debbio.
De Curitiba, vieram o goleiro King e os médios José e Segoa. O primeiro
jogo, contra a Portuguesa Santista, quase não aconteceu. Era aniversário
da cidade e a Secretaria de Educação tinha baixado uma portaria proibindo
a realização de manifestações que pudessem concorrer com uma parada realizada
na Avenida Paulista naquele mesmo dia e horário. Porphyrio da Paz, diretor
de futebol e autor do hino do clube, foi para a Paulista, subiu no palanque
das autoridades e só voltou de lá com uma autorização assinada pelo secretário
Cantídio Campos, permitindo ao Tricolor jogar
pela primeira vez.
Como herdara as torcidas do Paulistano e da A. A. Palmeiras, o clube era
bastante popular. No entanto, fraco que dava dó: ficou só em oitavo no Campeonato
Paulista de 1936 e em sétimo no de 1937. Nem sequer se classificou para
a fase decisiva, que contou com seis times. A solução foi fortalecer o elenco
fundindo-se de novo, dessa vez com o Estudante Paulista, do bairro paulistano
da Moóca e criado também por ex-simpatizantes do Paulistano. Na nova fusão,
o São Paulo ganhou nove jogadores: Pedroza (goleiro e futuro presidente
do clube), Agostinho, Inocêncio, Ponzoníbio, Lisandro, Mendes, Armandinho,
Araken e Paulo. Com eles, o Tricolor, até então um time tecnicamente inexpressivo,
chegou ao vice-campeonato paulista de 1938.
E teria ficado com a taça não fosse uma decisão polêmica do juiz. Juram
os são-paulinos que o gol de empate que deu o título ao Corinthians foi
marcado com a mão pelo atacante Carlito.
Em 1940 e
1941, os dirigentes criaram os departamentos feminino, de esportes aquáticos,
de publicidade e de futebol amador, infantil, juvenil e universitário. Mais
organizado internamente, um novo São Paulo estava pronto para estourar.
1942 - 1950 O Rolo Compressor
Com a inauguração do Pacaembu, em 1940, o futebol paulista ganhou outro
ânimo. E o clube que mais se beneficiou dos novos tempos foi o São Paulo.
Em 1941, mais um vice-campeonato. No ano seguinte, uma ousadia: o clube
gastou 200 contos de réis (o equivalente a R$ 162 mil) para trazer Leônidas
da Silva, o maior craque brasileiro da época, que jogava no Flamengo.
O São Paulo do Diamante Negro era um time diferente, que finalmente se firmava
entre os grandes. Nos anos seguintes, chegariam outras feras, como o argentino
António Sastre, Noronha, Bauer, Zezé Procópio, Luizinho, Rui e Teixeirinha.
Com eles, o Tricolor formou o famoso time conhecido como "Rolo Compressor",
campeão cinco vezes nos anos
40, incluindo dois bicampeonatos (1945 e 1946; 1948 e 1949).
A conquista de 1943 foi a mais saborosa, porque interrompeu
a seqüência de taças de Palmeiras (então Palestra Itália) e Corinthians,
que se revezavam como campeões desde 1936. Em 1945, o título veio com uma
única derrota, e, em 1946, o São Paulo foi bicampeão
invicto. A essa altura, o clube já havia se instalado no Canindé, terreno
posteriormente vendido à Portuguesa para viabilizar a construção do estádio
do Morumbi. Com o bicampeonato de 1948
e 1949, o Tricolor fecha com glória os anos dourados de Leônidas da Silva.
Tempos em que, segundo os torcedores mais fanáticos, "ninguém perguntava
se o São Paulo ia ganhar, mas de quanto o São Paulo ia ganhar". Tanto que
poucos se importam com o tremendo escorregão
de 1950 que tirou o tri paulista do Tricolor.
1951 - 1957 Um título aqui, outro acolá
No início da década de 50, o sonho do novo
estádio já começava a povoar as mentes são-paulinas. Talvez por isso,
esses tempos não tenham sido marcados por grandes conquistas. Mesmo assim,
em 1953, o clube ganhou mais um Campeonato Paulista, barrando o sonho do
Corinthinas de chegar ao tri. Quase totalmente remodelado em relação ao
esquadrão da década anterior, o clube conquistou 24 vitórias, dois empates
e sofreu apenas duas derrotas nos 28 jogos disputados. Na maioria dos jogos,
o time entrou em campo com: Poy, De Sordi e Mauro; Pé-de-Valsa, Bauer e
Alfredo; Maurinho, Albella, Gino, Negri e Teixeirinha.
A alegria pela taça foi grande, mas só voltaria em 1957. Comandado do banco
pelo técnico húngaro Bela Gutman e no gramado pelo veterano craque carioca
Zizinho, de 35 anos, o Tricolor faturou o Paulistão vencendo o Corinthians
por 3 x 1 em uma partida tumultuada.
A partir dali, no entanto, o aparecimento do Santos de Pelé e os esforços
concentrados na construção do Morumbi provocariam uma interrupção nas façanhas
dentro de campo.
1958 - 1969 Prioridade: Morumbi
Nos doze anos seguintes ao título de 1957, o São Paulo não conquistou nenhum
torneio importante. A ordem era clara: nada de contratações, dinheiro só
para a construção estádio do Morumbi.
Ele foi inaugurado parcialmente em 1960 já com o nome de Cícero Pompeu de
Toledo (uma homenagem ao ex-presidente que morreu antes de a obra terminar).
A falta de verba obrigou a torcida tricolor a se acostumar com nomes desconhecidos,
como o goleiro Suli, o lateral Deleu, o zagueiro Gildásio e o atacante Nondas.
Alguns valores como os beques Roberto
Dias e Jurandir até que tentavam dar um pouco de dignidade à defesa.
Mas assim como os craques, os momentos de alegria também eram escassos.
Um deles é a goleada de 4 x 1 que fez o Santos
de Pelé fugir de campo, no Campeonato Paulista de 1963. Quatro anos
depois, em 1967, uma chance e tanto foi desperdiçada: bastava ganhar do
já desclassificado Corinthians, na última rodada do campeonato, para o Tricolor
recolocar as faixas de campeão paulista no peito, dez anos depois. O time
vencia por 1 x 0, gol do volante Lourival, até os 44 minutos e 30 segundos
do segundo tempo. Ao empatar aquele jogo com um gol de canela, o centroavante
corintiano Benê acabou empurrando o São Paulo para um perigoso jogo extra
contra o terrível Santos de Pelé. Que dessa vez ficou no gramado e acabou
com o sonho dos são-paulinos.
1970 - 1975 As vitórias estão de volta
Concluído o Morumbi em 1970, era hora de pensar no time novamente. Para
a disputa do Campeonato Paulista daquela ano, vieram Gérson, do Botafogo,
por 900 mil cruzeiros; Pedro Rocha, meia uruguaio do Penãrol; e Toninho
Guerreiro, goleador do Santos. Com tanta gente de qualidade, foi fácil enterrar
o incômodo jejum de títulos, que já entrava em seu décimo-terceiro ano.
Uma conquista bem tranqüila, em que o principal rival foi a surpreendente
Ponte Preta, recém-promovida à Primeira Divisão. Dirigido por Zezé Moreira,
técnico da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1954, o São Paulo alcançou
a consagração com uma rodada de antecedência, vencendo o Guarani por 2 x
1 em Campinas.
Em 1971, ano do bi, a base era a mesma. Na decisão bastava o empate, mas
o Tricolor não deixou por menos e bateu o Palmeiras por 1 x 0, gol de Toninho
Guerreiro. Os são-paulinos se divertem até hoje com o choro dos palmeirenses,
que reclamam de um gol de cabeça de Leivinha, invalidado porque, segundo
o árbitro Armando Marques, foi marcado com a mão. Na verdade, o gol foi
de cabeça mesmo. Naquela mesma temporada, no primeiro Campeonato Brasileiro
da história, o São Paulo ficou em segundo, atrás apenas do Atlético Mineiro
comandado pelo técnico Telê Santana.
Nos anos seguintes, com a decadência progressiva do Santos de Pelé e o agravamento
da crise do Corinthians (entrando em sua segunda década sem conquistas),
São Paulo e Palmeiras repetiriam várias vezes um duelo
particular. Em 1972, ambos terminaram o Campeonato Paulista invictos,
mas o Palmeiras ficou com o título por ter um ponto a mais, conquistado
justamente diante do Tricolor, com um 0 x 0 na última rodada. Em 1973, a
briga foi em uma final de Campeonato Brasileiro. Novamente Palmeiras campeão,
outra vez São Paulo vice. No ano seguinte, 1974, foi a vez de priorizar
a Libertadores da América. O Tricolor chegou na final contra o Independiente,
da Argentina. Mas o sonho parou nas mãos de um goleiro argentino chamado
Gay.
A equipe de 1975,
sob o comando do ex-goleiro José Poy, já tinha uma cara diferente daquela
que era treinada até então por Zezé Moreira. Dos jogadores antigos, só restou
Pedro Rocha, uruguaio comprado do Peñarol por US$ 150 mil. Mesmo assim o
time manteve a trajetória vitoriosa dos primeiros anos da Era Morumbi. O
maior ídolo era é o uruguaio Pedro Rocha, comprado do Peñarol por US$ 150
mil. Ao lado do goleiro Waldir
Peres, do volante Chicão e do centroavante Serginho, ele ajudou o São
Paulo a ficar com mais uma taça de Campeão Paulista, derrotando a Portuguesa
nos pênaltis.
1976 - 1979 Tempos de afirmação
Waldir Peres, Chicão e Serginho foram também os donos da festa na campanha
do Campeonato Brasileiro de 1977, conquistado no Mineirão, contra o Atlético
Mineiro. Foi nos pênaltis,
depois do empate em 0 x 0 no tempo normal e na prorrogação. Era a primeira
conquista nacional do São Paulo Futebol Clube, um clube cuja torcida começava
a crescer também fora do Estado de São Paulo.
Nos anos seguintes, a presença tricolor nas fases decisivas dos campeonatos
se torna mais constante, embora nenhum outro título relevante vá parar no
Morumbi até 1980. O clube disputou a Libertadores em 1978 e chegou à final
do Campeonato Paulista contra o Santos naquele mesmo ano. Apesar de ganhar
a terceira partida decisiva por 2 x 0, perdeu o título para o adversário,
dono de melhor campanha ao longo da competição. Tudo porque não conseguiu
marcar mais um golzinho na prorrogação. Foram tempos marcados pelas diabruras
do habilidoso ponta-esquerda Zé Sérgio e pelos gols do centroavante Serginho
Chulapa, que desbancou o antigo ídolo Gino Orlando da condição de maior
artilheiro da história do clube. A década termina com uma equipe cansada,
que não participa do Campeonato Brasileiro de 1979. E que no Paulista é
eliminada pelo Corinthians antes mesmo das semifinais. Sinal de que era
hora de mudar
tudo novamente.
1980 - 1983 Ascensão e queda da Máquina
Atendendo aos apelos da torcida, a nova diretoria providenciou a compra
de craques para disputar o Campeonato Paulista de 1980.
O principal reforço foi o zagueiro Oscar, da Seleção Brasileira, que disputou
as Copas de 1978, 1982 e 1986 e estava no Cosmos, de Nova York (EUA). Ao
lado do uruguaio Dario Pereyra, Oscar faria uma das maiores duplas de zaga
da história do futebol brasileiro. Outros que chegaram: o meia Renato "Pé
Murcho", campeão brasileiro em 1978 pelo Guarani; e o ponta-direita Paulo
César, do Botafogo-SP. Com eles, o São Paulo conquistou o segundo turno
e foi à decisão contra o Santos, campeão do primeiro. E só deu Tricolor,
que venceu duas vezes por 1 x 0, com gols do centroavante Serginho Chulapa.
Na campanha do bicampeonato, em 1981, a Máquina
Tricolor (como aquela bela equipe era chamada) contava com mais peças,
e ainda mais caras. Casos do lateral-esquerdo Marinho Chagas, do meio-campo
Éverton (trazido do Londrina, do Paraná) e do meia e ponta-esquerda Mário
Sérgio. Essa mesma equipe, no primeiro semestre, havia chegado à final do
Campeonato Brasileiro, perdendo para o Grêmio, no Morumbi, por 1 x 0. A
base da Máquina foi mantida por mais dois anos, mas não resistiu a duas
derrotas seguidas para o Corinthians de Sócrates e Casagrande, nas decisões
dos Paulistas de 1982
e 1983.
1984 - 1987 Os Menudos do Morumbi
Em 1984, o técnico Cilinho iniciou um trabalho de renovação do elenco promovendo diversos garotos das divisões de base do clube. Ao mesmo tempo, recuperou o estupendo centroavante Careca, contratado em 1983, mas que ainda não mostrara todo o seu potencial por causa de seguidas contusões.
No Campeonato Paulista de 1984, a equipe ficou só em terceiro. Mas ao serem
eliminados do Campeonato Brasileiro de 1985, com um empate em 2 x 2 contra
o Grêmio depois de estar perdendo por 2 x 0, os jovens Silas,
Müller, Sidney e Cia. deixaram o gramado do Pacaembu aplaudidos de pé
pela torcida.
No Campeonato Paulista daquele mesmo ano, os Menudos do Morumbi (nome inspirado
em um grupo musical de adolescentes porto-riquenhos que fazia muito sucesso
na época) sagraram-se campeões com um show de bola nas finais contra a Portuguesa.
Além da molecada, dois craques de respeito: Careca, artilheiro do campeonato
com 23 gols, e o meio-campo Falcão,
repatriado da Roma, da Itália.
As bases lançadas por Cilinho deram frutos também em 1986, nas mãos do técnico
Pepe, ex-craque do Santos na década de 60. Depois de um difícil empate em
3 x 3 em Campinas, contra o Guarani, o Tricolor conquistou seu segundo Campeonato
Brasileiro, outra vez nos pênaltis. Uma partida
sensacional que entrou para a galeria dos maiores jogos da história
do torneio.
Mas o Projeto Tóquio (se tornar campeão mundial interclubes), pela primeira
vez cogitado pela diretoria, foi engavetado devido à má campanha na Libertadores.
Em 1987, Cilinho voltou para ganhar mais um Campeonato Paulista, com uma
vitória (2 x 1) e um empate (0 x 0) diante do Corinthians. As estrelas,
dessa vez, eram o goleiro Gilmar, o ainda remanescente Darío Pereyra e o
meia Pita. Foi o último
título dos "menudos" Müller e Silas em sua primeira passagem pelo Tricolor,
pois os dois foram negociados no ano seguinte.
1989 - 1993 A conquista do mundo
Com o título paulista de 1989 (conquistado com uma vitória de 1 x 0 e um
empate sem abertura de contagem diante do São José), o São Paulo fechou
os anos 80 como o melhor time da década no Estado. Mesmo tendo perdido mais
uma final do Brasileiro naquele ano, para o Vasco, no Morumbi. A humilhante
campanha no campeonato estadual do ano seguinte, 1990,
condenou a equipe comandada pelo uruguaio Pablo Forlán a disputar a primeira
fase de 1991 na segunda divisão. O rebaixamento disfarçado se revelou, depois,
uma grande vantagem. Primeiro porque, numa manobra da cartolagem, o São
Paulo voltou à primeira divisão no mesmo campeonato - e não no ano seguinte,
como costumava ser. Segundo porque o Tricolor não precisou enfrentar Palmeiras,
Santos e Corinthians antes da fase semifinal. Só pegou baba, foi à decisão
com a vantagem do empate por ter feito melhor campanha e faturou o caneco.
Foi o primeiro título sob o comando do grande Telê
Santana, que depois acabou se tornando o maior treinador da história
do clube.
Ex- craque do Fluminense na década de 50 e técnico da Seleção Brasileira nas Copas de 1982 e 1986, Mestre Telê começou mal no São Paulo. Perdeu o título brasileiro de 1990 para o Corinthians, mas, aos poucos, foi arrumando a casa. No primeiro semestre de 1991, em sua terceira final de Campeonato Brasileiro seguida, o São Paulo finalmente conseguiu o título, derrotando o Bragantino. Em dezembro, vingou-se do Corinthians, ganhando o Campeonato Paulista em que começara humilhado, jogando no grupo dos pequenos.
O futebol apresentado pelo meia Raí era cada vez melhor. E explodiu de vez
durante a Libertadores de 1992, título inédito que o São Paulo de Telê também
foi buscar numa dramática
decisão por pênaltis contra o Newell's Old Boys, da Argentina. No fim
do ano, em Tóquio, a consagração definitiva: campeão mundial interclubes.
Venceu, de virada, com dois golaços do meia Raí, o grande Barcelona (Espanha),
campeão europeu, que contava com estrelas do quilate do líbero holandês
Ronald Koeman, do meia dinamarquês Michael Laudrup e do atacante búlgaro
Hristo Stoichkov. Sem falar do técnico Johan Cruyff no banco. De quebra,
uma semana depois, mais um Campeonato
Paulista, derrotando o Palmeiras na decisão e empurrando o rival para
seu 16º ano sem conquistas.
Quem achava que 1992 foi o melhor ano do São Paulo em toda a sua história deveria ter esperado 1993 terminar. O Tricolor de Telê, Palhinha e Müller, tinha também no meio-campo um Toninho Cerezo em excelente fase. Nem a falta de Raí, vendido ao Paris Saint-Germain, da França, chegou a atrapalhar. A equipe simplesmente repetiu a façanha do ano anterior. Na Libertadores, venceu o Universidad Católica, do Chile, por 5 x 1 no primeiro jogo, no Morumbi, e pôde se dar ao luxo de perder por 0 x 2 na partida de volta, em Santiago. Trinta anos depois do feito do Santos de Pelé, o São Paulo também se tornava, pela segunda vez consecutiva, o rei da América.
No Mundial Interclubes, em Tóquio, no Japão, o Tricolor fez ainda mais bonito.
E diante do temido
e poderoso Milan, da Itália. Foi um jogaço, bem como a torcida são-paulina
já estava acostumada. O Tricolor saiu na frente com Palhinha. Massaro empatou
para os italianos. Cerezo pôs de novo o São Paulo na frente e Papin igualou.
Mas Müller (sempre ele) fez um gol espírita, de
calcanhar, e trouxe a taça para o Morumbi. Era alegria que não acabava
mais. Os são-paulinos ficaram extasiados. Isso sem contar as conquistas
adicionais de diversos torneios internacionais, como a Supercopa da Libertadores,
a Recopa Sul-Americana, os Torneios Ramón de Carranza e Tereza Herrera.
Era o ponto mais alto que um time brasileiro já havia atingido.
1994
- 2000 Em busca da glória perdida
O sonho de ser tricampeão da Libertadores se desfez na noite de 31 de agosto
de 1994. Mais precisamente nas mãos do goleiro paraguaio José Luis Chilavert,
do Vélez Sarsfield, da Argentina, que defendeu a cobrança do meia Palhinha
na disputa de pênaltis e também marcou o seu. O São Paulo, que perdera o
primeiro jogo e ganhara o segundo, ambos por 1 x 0, dessa vez foi apenas
vice-campeão. Mas naquele mesmo ano, o Expressinho (apelido que caracterizou
um São Paulo formado basicamente por juniores) ainda deu um alento à torcida
ganhando a Taça Conmebol. Foi nessa competição que surgiu para o mundo um
moleque abusado, driblador, de apenas 17 anos. Seu nome: Denílson. Por um
bom tempo, até se transferir para o Real Betis, da Espanha, em 1998, ele
seria o maior motivo de diversão para a torcida são-paulina. Era um prazer
ir ao Morumbi e se deliciar com a habilidade fora do comum daquele garoto.
Ninguém resistia. Nem mesmo Mário Zagallo, então técnico da Seleção Brasileira,
que o convocou para a Copa do Mundo da França, em 1998.
Também em 1994, o Tricolor faturou a Recopa, derrotando o Botafogo do Rio
de Janeiro, campeão da Conmebol de 1993, num jogo disputado no Japão. Mas
depois que Telê abandonou o time por motivos de saúde, em 1995, o São Paulo
se tornou um time instável. Para alguns, nunca mais foi o mesmo sem o Mestre.
Vice-campeão paulista em 1996 e em 1997, o clube só se reencontrou em 1998.
Foi campeão paulista novamente com o ídolo Raí
em campo. De volta do Paris Saint-Germain, ele jogou apenas a segunda partida
da final contra o Corinthians. Fez um gol de cabeça e comandou a bela vitória
por 3 x 1 que deu ao São Paulo o seu 18º título estadual. A torcida, agradecida,
entoa o seu nome até hoje. Naquele ano, também despontaram mais dois ídolos
do Tricolor, os atacantes Dodô e França. O primeiro foi do céu ao inferno.
Verdadeira máquina de fazer gols, Dodô chegou a ser cogitado para disputar
a Copa do Mundo da França pela Seleção Brasileira. Mas de uma hora para
outra a fonte secou. Dodô não balançava mais as redes com a freqüência que
a torcida queria. Junte-se a isso o seu jeitão meio apático, desligado e
pronto: a torcida pegou tanto no pé que ele acabou indo para o Santos. Já
com França a história foi outra. Rápido, habilidoso e grande goleador, o
maranhense caiu rapidamente nas graças da torcida.
Em 2000, o Tricolor ganhou e perdeu. Ganhou mais um Paulista (em cima do
Santos) e perdeu Raí, que decidiu pendurar as chuteiras.