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Leão: referencial.
18h53 03/04/2005

Leão, agora, quer virar o "referencial"

Com prazo estipulado para encerrar carreira como treinador, comandante do título quer prorrogar legado deste São Paulo.

Danilo Valentini, especial para o Pelé.Net

SÃO PAULO - A conquista do primeiro título paulista como treinador não tem tanta importância quanto os planos que Emerson Leão reserva ao São Paulo. Ainda tendo como seu maior triunfo na carreira de técnico de futebol o Campeonato Brasileiro de 2002, vencido com o Santos, o responsável pelo comando do clube em seu 20º título estadual aposta que em um futuro breve a equipe campeã de 2005 vai virar referência no futebol nacional.

Orgulhoso do trabalho desenvolvido com velocidade invejável para os maiores concorrentes -Corinthians, Palmeiras e Santos-, Leão acredita que a forma como o elenco foi formado e reforçado desde sua chegada, em setembro de 2004, poderá se tornar um exemplo viável para ser seguido no pelos clubes brasileiros.

"Fico satisfeito que nossa estratégia se tornou realidade. Tudo o que foi falado e planejado no começo do ano não foi conversa mole", disse Emerson Leão, se referindo a forma como montou a equipe mesmo sem o tempo ideal para uma pré-temporada de preparação física para os atletas e com poucas contratações -os volantes Mineiro e Josué foram os únicos que chegaram como titulares.

"Enxugamos o grupo e aumentamos a confiança dos jogadores. Quanto menor o número de atletas, maior a alegria para se trabalhar", acredita Leão, que mesmo tendo o mesmo período para trabalhar disponível pelos rivais, conseguiu até a 15ª rodada do Campeonato Paulista um aproveitamento invejável, com 90,47% dos pontos conquistados.

Leão não esconde que sua maior ambição no momento é dar ao São Paulo o status adquirido pelo Santos, em 2002, e um pouco antes, a França campeã do mundo.

Do Santos, Leão se refere ao modelo resgatado pelos clubes depois do sucesso que a categoria de base da equipe da Vila Belmiro possibilitou com a promoção de jovens como Alex, Diego e Robinho. E da seleção francesa, o técnico são-paulino relembra do 'boom' de contratações de técnicos franceses ocorrido no futebol europeu logo após a conquista inédita do país-sede do Mundial de 1998.

"Quero fazer o São Paulo virar referência, trazer tudo para nós. Repetir o que aconteceu com o Grafite, por exemplo, que antes era criticado e hoje é um referencial de atacante, com nome citado para defender a seleção brasileira", planeja Leão, que tem como aposta inicial para devolver o clube às glórias vividas no início da década de 1990 a mesma Libertadores que consagrou a geração comandada por Telê Santana.

Mas, apesar de seu currículo começar a ser incrementado justamente agora, em 18 anos de carreira como treinador, Leão reiterou o que já havia declarado há um ano e meia. "A idéia já está estabelecida. Faltam quatro anos e meio para eu sair de campo. E se puder antecipar o fim, antecipo".

Cansado da rotina vivida no meio do futebol profissional há quase 40 anos -o técnico começou como goleiro do Palmeiras em 1969, vindo do Comercial de Ribeirão Preto-, Leão afirma que pretende continuar trabalhando, mas não como treinador, profissão que, segundo ele, não tem o devido respeito dos clubes, da imprensa e até dos jogadores.

"Ser chamado de burro é desagradável. É uma política negativa feita contra o treinador de futebol. Você trabalha a semana toda para o atleta, e no fim-de-semana o atleta tem de trabalhar um pouco por você também", desabafa Leão, campeão brasileiro pelo Sport em 1987 -o Flamengo requisita o título por ter vencido a Copa União, mas a CBF não reconhece o time carioca como cinco vezes campeão nacional-, vencedor da Copa Conmebol e de um Brasileirão pelo Santos (1998 e 2002) e um Paulistão pelo São Paulo.


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