00h57 14/04/2005
Direção do DEIC promete atitude exemplar
Jogador será acusado de injúria com agravante de racismo e deve passar a noite no 34º Distrito Policial MBPress
SÃO PAULO - A polícia de São Paulo pretende levar até as últimas conseqüências as denúncias de que o zagueiro Desábato praticou ato racista contra o atacante Grafite, do São Paulo. Aos 45min do primeiro tempo, o jogador do Quilmes teria chamado o jogador do Tricolor de negro, de maneira pejorativa.
Em entrevista exclusiva ao Pelé.Net, o diretor do DEIC, Dr. Godofedro Bittencourt, que ordenou a prisão de Desábato, disse que a polícia agirá de forma exemplar neste caso. "Vamos fazer o nosso papel. Não dá para dizer o que irá acontecer com o jogador que praticou racismo, mas os vamos mostrar que ninguém pode vir aqui para o Brasil, fazer este tipo de coisa e sair daqui impune", afirmou.
Ao término da partida, o delegado Osvaldo Gonçalves, o Dr. Nico, deu voz de prisão a Desábato. O atleta deve deixar o estádio do Morumbi em uma viatura do Garra e seguir direto para o 34º Distrito Policial da Vila Sônia.
Na delegacia para onde o argentino será conduzido, será lavrado um boletim de ocorrência com a representação do atacante Grafite, vítima das ofensas. "É importante ressaltar que só poderemos tomar qualquer providência caso o jogador agredido verbalmente vá até a delegacia, preste depoimento e formalize a acusação. Caso contrário, estamos de mãos atadas", finalizou o Dr. Bittencourt.
O crime de racismo é inafiançável e prevê pena de um a três anos de detenção. Apesar disso, Desábato não deve ficar preso. Após o registro do boletim de ocorrência, o jogador deve ser liberado e responder a processo em liberdade.
O advogado do São Paulo, Dr. José Carlos Ferreira Alves, apresentará acusação de injúria com agravante de racismo. O jogador deve passar a noite na delegacia acompanhado de um policial. Neste caso, perderá o vôo de volta para a Argentina. O embarque do Quilmes está marcado para às 8h.