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Brasileiro

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EFE
Danilo iniciou vitória
23h40 29/06/2005

Depois de 11 anos, Tricolor alcança final

Vitória sobre o River Plate na Argentina garantiu São Paulo na final da Libertadores pela 5ª vez na história, recorde no BR.

Marcius Azevedo, enviado especial do Pelé.Net, com MBPress

BUENOS AIRES - O São Paulo calou o estádio Monumental de Nuñez, em Buenos Aires. Com uma vitória por 3 a 2 sobre o River Plate, pela partida de volta das semifinais da Copa Libertadores da América, o time do Morumbi garantiu presença na final do certame. Fato que acaba com um jejum de 11 anos. De quebra, o tricolor se tornou o clube brasileiro que mais vezes decidiu o torneio e confirmou a supremacia verde-amarela nos duelos desta semana com a Argentina.

FINAIS DO SÃO PAULO NA LIBERTADORES
1974 - SP 2 x 1 Independiente
1974 - Independiente 2 x 0 SP
1974 - Independiente 1 x 0 SP
1992 - Newell's 1 x 0 SP
1992 - SP 1 x 0 Newell's*
1993 - SP 5 x 1 Univ. Católica
1993 - Univ. Católica 2 x 0 SP*
1994 - Vélez 1 x 0 SP
1994 - SP 1 x 0 Vélez
*Títulos do SP
A vitória do São Paulo encerra um sofrimento de mais de uma década. A torcida da equipe paulista não vivia uma disputa de decisão de Libertadores desde 1994, quando o Vélez Sarsfield venceu nas penalidades e se sagrou campeão em pleno Morumbi.

"Fico muito feliz porque sei o quanto este momento era aguardado por todos os são-paulinos. Tivemos raça e planejamento, tudo que um time grande precisa ter", analisou o goleiro e capitão Rogério Ceni.

Decidir a Libertadores de 2005, aliás, coloca o São Paulo na história. O time do Morumbi é o brasileiro que mais vezes participou da final do torneio, em cinco edições (foi vice-campeão em 1974 e em 1994 e campeão em 1992 e 1993). Anteriormente, esta condição era compartilhada com o Palmeiras, finalista em quatro oportunidades (1961, 1968, 1999 e 2000).

Com a derrota desta quarta-feira, o River Plate consolida uma incômoda marca. Esta foi a 11ª eliminação da equipe em uma semifinal de Libertadores (as outras aconteceram em 1967, 1970, 1978, 1982, 1987, 1990, 1995, 1998, 1999 e 2004).

E o São Paulo alcançou a decisão depois de uma semifinal com clima de guerra. No jogo disputado em São Paulo, na semana passada, os ônibus argentinos (torcedores e jogadores) foram apedrejados. Nesta quarta-feira, em Buenos Aires, os brasileiros tiveram o troco da mesma forma.

GUERRA EM BUENOS AIRES
Como já era previsto, o São Paulo sofreu com a hostilidade dos torcedores do River Plate na noite desta quarta-feira, no estádio Monumental de Nuñez, em Buenos Aires. Na chegada, dois ônibus (o da delegação e um da torcida) foram apedrejados. Na arquibancada, os torcedores do time do Morumbi sofreram com os objetos arremessados pelos rivais. Para completar, na saída os torcedores argentinos se confrontaram com a polícia local, assim como aconteceu em São Paulo na semana passada. Leia mais
Mesmo com esta pressão, o São Paulo conseguiu avançar. Assim, o time brasileiro se consolida como "cascudo", termo utilizado pelo ex-treinador Emerson Leão para caracterizar a postura aguerrida da equipe, e fica perto de afastar definitivamente a imagem de "amarelão".

O adversário do São Paulo na decisão da Libertadores será conhecido na próxima quinta-feira, quando o Chivas recebe o Atlético-PR em Guadalajara. O time brasileiro venceu o primeiro confronto por 3 a 0 em Curitiba e se classifica mesmo perdendo por até dois gols de diferença (também pode perder por três gols se marcar ao menos um).

As finais da Libertadores acontecerão nos dias 6 e 13 de julho. Por ter feito melhor campanha na primeira fase, o São Paulo fará o primeiro confronto longe de casa e a decisão acontecerá no Morumbi.

Se o Atlético-PR se classificar para a decisão, este será o primeiro confronto entre duas equipes do mesmo país em uma final de Libertadores. Se o Chivas avançar, porém, o São Paulo entrará em campo classificado para o Mundial deste ano (o time mexicano, por não fazer parte da Conmebol, não pode representar a América do Sul).

"Agora vamos acompanhar os possíveis adversários, estudar bastante e passar todas as informações para a comissão técnica. Precisamos estar preparados para não sermos surpreendidos em nenhuma situação", contou o auxiliar-técnico Milton Cruz.

O jogo
Por ter vencido a primeira partida por 2 a 0, na quarta-feira passada, no Morumbi, o São Paulo podia perder por um gol de diferença em Buenos Aires (dois se conseguisse marcar um ou mais) e ainda assim ficaria com a classificação para a decisão.

Apesar da vantagem, porém, o time brasileiro resolveu atacar. Com grande participação dos alas entrando em diagonal, sobretudo o meia Souza (que atuou improvisado na direita), o São Paulo conseguiu dominar as ações no início do confronto.

Este domínio foi premiado aos 11min. Souza entrou com a bola em diagonal, ganhou de dois marcadores e concluiu de bico, de pé direito. Constanzo desviou e mandou para a linha de fundo. O próprio Souza se encarregou de cobrar o escanteio da esquerda e encontrou Danilo dentro da pequena área, na primeira trave. O camisa 10 desviou de cabeça e inaugurou o placar.

Atordoado pela postura do São Paulo, o River não conseguia atacar. E por isso, quase foi castigado aos 16min. Luizão recebeu entre os defensores argentinos, adiantou a bola e sofreu a falta. Rogério Ceni ainda escorregou antes de chutar, mas bateu com categoria e acertou a trave esquerda de Constanzo.

Diante da superioridade do São Paulo, o técnico Leonardo Astrada mudou o River ainda no primeiro tempo. O comandante tirou o zagueiro Domínguez e colocou em campo o meia-atacante Montenegro. Assim, o time argentino cresceu e passou a dominar os visitantes.

ARGENTINOS COM PRESSA
O River Plate precisava vencer o São Paulo por três gols de diferença para alcançar a decisão da Libertadores. Por conta disso, a equipe argentina utilizou todos os meios possíveis para ganhar tempo nesta quarta-feira.

Uma das medidas dos donos da casa foi o aumento do número de gandulas. O River Plate contratou 14 garotos para fazerem a reposição de bola nesta quarta-feira e acelerarem a devolução dela ao gramado.
No momento em que era melhor, aos 35min, o River empatou. Farías recebeu lançamento longo dentro da área, dominou a bola no peito e chutou de pé direito, de virada, no canto esquerdo de Rogério Ceni.

Daí em diante, Gallardo resolveu desequilibrar. O camisa 10 do River mostrou muita qualidade técnica e se tornou o responsável por todos os lances ofensivos dos donos da casa. Aos 39min, por exemplo, ele carregou a bola da esquerda para o meio e bateu de fora da área. O chute explodiu no travessão de Rogério Ceni.

A reação do River Plate na fase final do primeiro tempo deixou o técnico são-paulino Paulo Autuori preocupado. "Recuamos demais e precisamos ter cuidado. Não podemos relaxar porque a equipe deles tem muita qualidade", avisou o comandante.

As palavras do treinador surtiram efeito no período complementar. Pressionado pelo River Plate, o São Paulo encaixou um contra-golpe aos 14min e marcou o segundo. Júnior arrancou pela esquerda e cruzou rasteiro para Amoroso, que bateu de primeira, de pé direito, e venceu o goleiro Constanzo. Foi o primeiro gol do atacante com a camisa tricolor.

Aos 35min, o contra-ataque do São Paulo voltou a funcionar. Funcionar e confirmar a classificação. Souza recebeu na direita e rolou para trás. Fabão, de primeira, chutou de fora da área e acertou o canto direito de Constanzo.

O River Plate, contudo, ainda conseguiu descontar. Aos 39min, Salas recebeu passe na ponta esquerda e chutou de primeira, no canto esquerdo rasteiro de Rogério Ceni. Era o segundo gol do River Plate. Nada que atrapalhasse, porém, a festa brasileira.

RIVER PLATE 2 X 3 SÃO PAULO

River Plate
Costanzo; Diogo, Ameli, Tuzzio e Dominguez (Montenegro); Lucho González (Fernández), Mascherano, Zapata (Sambueza) e Gallardo; Marcelo Salas e Farías
Técnico: Leonardo Astrada

São Paulo
Rogério Ceni; Fabão, Alex e Diego Lugano; Souza, Mineiro, Josué (Renan), Danilo e Júnior; Luizão (Alê) e Amoroso
Técnico: Paulo Autuori

Local: estádio Monumental de Nuñez, em Buenos Aires (Argentina)
Árbitro:Rubén Selman (Chile)
Auxiliares: Rodrigo González e Lorenzo Acuña (Chile)
Cartões amarelos: Mascherano (R), Lucho González (R), Fabão (S), Luizão (S), Fabão (S), Rogério Ceni (S), Júnior (S)
Público: 58.956
Renda: R$ 1.007.708,80
Gols: Danilo, aos 11min, Farías, aos 35min do primeiro tempo; Amoroso, aos 14min, Fabão, aos 35min e Salas, aos 39min do segundo tempo

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