10h17 18/12/2005
Título fortalece caixa e já 'define' a eleição
Conquista vai significar 10% do orçamento do clube para 2006, que deverá consagrar Juvenal Juvêncio como presidente. Danilo Valentini, enviado especial do Pelé.Net
YOKOHAMA - O tricampeonato mundial garante ao São Paulo não só o orgulho de se tornar o clube mais bem-sucedido internacionalmente do futebol brasileiro como assegura a possibilidade de amadurecer sua estabilidade financeira em um ano que será determinante para seu futuro político.
Premiado com US$ 4,5 milhões -mais de R$ 10 mi- pelo título no Mundial de Clubes da Fifa, o São Paulo assegura 10% de seu orçamento previsto para 2006, estipulado em R$ 100 mi. É o maior do Brasil se não for levado em conta a parceira do Corinthians com a MSI, fundo de investimento que apenas em 2005 injetou no arqui-rival do clube do Morumbi mais de US$ 50 milhões em reforços.
O dinheiro, no entanto, não deve ter na contratação de reforços caros o seu principal destino, já que a atual diretoria, comandada por Marcelo Portugal Gouvêa, se orgulha de gastar em reforços estritamente necessários para o fortalecimento preciso de determinadas posições da equipe.
A prioridade do clube, além de manter em ordem as contas do departamento de futebol -que pode ser reforçada caso a Vivo feche acordo com a LG para estampar as mangas da camisa da equipe-, é continuar investindo no seu centro de formação de atletas, localizado em Cotia, na Grande São Paulo. A intenção é construir novos campos e levantar uma arquibancada na área de 220 mil metros quadrados, que abriga cem jogadores das categorias de base.
A estabilidade política do São Paulo no próximo ano, porém, ainda não é uma certeza absoluta, apesar que o desempenho do clube em 2005 faz do atual diretor de futebol, Juvenal Juvêncio, um candidato quase imbatível para as eleições de abril.
Mesmo que não assuma politicamente a candidatura, Juvenal, que já foi presidente entre 1988 e 1990, tem respaldo absoluto do atual mandatário, Marcelo Portugal Gouvêa, principalmente por ser apontado no clube como o principal responsável por ter montado o time campeão paulista, sul-americano e mundial.
O clima político, aliás, pulsava durante a preparação da equipe no Japão. O hotel que abrigou a delegação do São Paulo em Tóquio foi tomado por conselheiros a partir da segunda semana da equipe no país. E dois ex-presidentes integravam a comitiva.
Carlos Miguel Aidar, que ganhou um título paulista e um brasileiro entre 1984 e 1987, e José Eduardo Mesquita Pimenta, que se consagrou como o presidente do bicampeonato mundial de 1992-93, integraram a delegação, mas com objetivos distintos.
Enquanto Aidar veio ao Japão por ser ainda influente nos bastidores do clube e grande colaborador do atual presidente nos assuntos jurídicos, Pimenta foi convidado mais como um homenageado, já que suas tendências políticas são de oposição, que ainda não se definiu quem será seu representante no pleito.
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