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Rogério Ceni: 700 jogos.
10h05 25/10/2006

Perto dos 700 jogos, Rogério quer mais

Goleiro alcança marca sábado, quer acrescentar o Brasileirão ao currículo e, até, disputar 1.000 partidas pelo São Paulo.

Marcius Azevedo, especial para o Pelé.Net

SÃO PAULO - A partida contra o Figueirense neste sábado, em Florianópolis, pelo Campeonato Brasileiro, será especial para o goleiro Rogério Ceni. O jogador vai atingir uma marca expressiva de 700 jogos pelo São Paulo.

ROGÉRIO CENI: FOTOS E FATOS
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Rogério durante treino de 1999, ano que completou 200 jogos pelo clube
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Ao lado do técnico Levir Culpi em 2000, quando alcançou 300 jogos
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Rogério com Leonardo em 2001; o goleiro não desfalcava o time nunca
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Kaká (esq.) vê Ceni comemorar gol em 2002: ano do jogo número 400
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Goleiro comemora gol em 2003, na temporada que alcançou 500 jogos
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Atinge 618 jogos em 2005 e é maior jogador em partidas pelo São Paulo
VEJA O PERFIL DO GOLEIRO
Em entrevista ao Pelé.Net, o capitão tricolor, que no ano passado superou Valdir Peres e se tornou o jogador com mais partidas pelo clube do Morumbi, afirmou que nunca imaginou alcançar tal marca quando deixou o Sinop-MT em 1990.

A primeira chance no time profissional só aconteceu três anos depois, no dia 25 de junho de 1993, quando defendeu o gol são-paulino contra o Tenerife, da Espanha, pelo Torneio de Compostela, na vitória por 4 x 1.

A estréia definitiva, no entanto, aconteceu apenas em 3 de dezembro de 1996, quando ele assumiu o lugar de Zetti. A partida foi contra o Colo Colo, em Santiago, e o São Paulo venceu por 4 x 2. Depois disso, o goleiro não saiu mais e, dificilmente, desfalcou o time.

O Figueirense, aliás, é um adversário que já faz parte da história do jogador. Em 2002, foi justamente contra os catarinenses que ele completou 400 jogos pelo clube. O resultado, no entanto, não foi positivo: derrota por 3 x 1, pela Copa do Brasil.

Com contrato com o São Paulo até 31 de julho de 2008 e com disposição para jogar até 2010, o goleiro pensa, se renovar com o clube, até em atingir 1.000 jogos, embora considere muito difícil. "Teria que jogar 60 jogos por ano e, mesmo assim, precisaria de uns cinco anos. É uma coisa muito difícil", afirmou.

Pelé.Net - Quando você chegou ao Morumbi em 7 de setembro de 1990 acreditava que, um dia, poderia alcançar 700 jogos pelo São Paulo?
Rogério Ceni -
Nunca. Às vezes, as pessoas entendem como um objetivo, mas, para mim, é uma coisa até natural. Jogo após jogo, eu fui aumentando o número de partidas. Claro que fico contente por atingir uma marca tão expressiva por um clube como o São Paulo e ainda mais pelo futebol atual, onde os jogadores não ficam muito tempo no mesmo time.

Pelé.Net - Até por isso, você acha impossível um outro jogador atingir esta marca?
Rogério Ceni -
Acho que tem alguns jogadores que estão começando, gente jovem, que se estiver em um clube bem estruturado, render bem e, principalmente, se o futebol brasileiro evoluir na estrutura de uma maneira geral, podem jogar, senão tanto, perto disso.

Pelé.Net - O que representa este número?
Rogério Ceni -
É minha história de vida. É mais que minha profissão. Significa quase 50% da minha vida aqui dentro do São Paulo. Não é apenas o lado profissional. O São Paulo faz parte do meu cotidiano, do meu dia-a-dia, da minha vida como um todo.

Pelé.Net - Você tem contrato com o São Paulo até 2008 e já falou que quer jogar, pelo menos, até 2010. Se ficar aqui, acredita que pode atingir 1.000 jogos e 100 gols?
Rogério Ceni -
É difícil projetar qualquer coisa. Os 1.000 jogos é uma coisa muito difícil. São mais 300, uma média de 60 por ano. Você levaria no mínimo, sem contusões, sem nada, cinco anos. Então me parece uma marca inviável. Agora os 100 gols é conseqüência do número de oportunidades, do pé calibrado... Mas são marcas que, pra mim, se acontecerem, muito legal, se não acontecer, tudo que já foi feito e que vai ser feito, dia após dia, gradativamente, é o que vale também.

[Atualmente, Rogério Ceni tem 66 gols em 699 jogos pelo clube]

Pelé.Net - Qual o jogo mais marcante dos 699 que já disputou pelo São Paulo?
Rogério Ceni -
A decisão do Mundial, por se tratar do título mais importante, mais recente e que colocou o São Paulo novamente no cenário mundial. Acho que se tornou um marco para esta equipe, para esta década.

Pelé.Net - A final contra o Liverpool foi também sua melhor partida?
Rogério Ceni -
Você precisa sempre analisar o desempenho do atleta pela importância do jogo. Mesmo que você não faça tantas defesas, mas faça defesas importantes, acaba tendo uma valorização maior. Às vezes, você participa muito mais de um jogo, mas, por ele não ser tão importante, ser mais um jogo, não fica marcado. Aquele não era mais um jogo, aquele era o jogo, mas não posso falar que foi minha melhor atuação.

Pelé.Net - E o jogo mais triste, que fica difícil esquecer até hoje?
Rogério Ceni -
Sem dúvida o da Libertadores, contra o Internacional. Foi um jogo que não deu para conquistar um título, um lance isolado, uma falha isolada... É sempre um jogo que não é bom de lembrar.

Pelé.Net - Você foi campeão paulista, da Libertadores e Mundial... Só falta o Brasileiro?
Rogério Ceni -
Falta muita coisa. Falta o dia-a-dia, tentar vencer o maior número de jogos possíveis. Logicamente que o título brasileiro se torna importante, claro, sem dúvida nenhuma. Mas depois que o título brasileiro acontecer, e tomara que ele aconteça, nós vamos continuar buscando novos objetivos, até para não estacionar no tempo.

Pelé.Net - E quanto este título brasileiro está próximo?
Rogério Ceni -
O São Paulo está sete pontos na frente de um outro time com 24 para jogar. Se fizermos 18 pontos ninguém mais alcança a gente. O objetivo é vencer seis dos últimos oito jogos. Assim tenho certeza que nenhum concorrente vai chegar. Não dá para dizer se estamos próximos, acho que tem muito chão pela frente. Se tivéssemos jogos mais fáceis, até diria alguma coisa, mas temos jogos complicados, especialmente fora de casa. Vamos jogar contra Figueirense, Goiás, Santos e Paraná. Não tem nenhuma moleza. Por isso, o título ainda está longe.

Pelé.Net - Você já recebeu diversas homenagens pelo número de jogos, gols e anos dedicados ao São Paulo. Espera que, assim como foi feito com o número 11 no Vasco, o clube possa aposentar a camisa 1?
Rogério Ceni -
Não espero e acho que não tem que fazer. A gente é passageiro no clube. Você escreve sua história e ela fica para as pessoas que vão vir, os filhos, dos filhos, dos filhos e vão aprender minha história. Mas ninguém é insubstituível, ninguém é imortal. Eu acho que vai valer é o tempo que você trabalhou, se dedicou, a realização pessoal, a realização pro clube, e as memórias das pessoas. Mas não vejo necessidade de imortalizar a camisa de ninguém.


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