Quarta - 01/11

Brasileiro

21h45 - Fortaleza x Corinthians


11h09 11/10/2006

"Volta por cima" é marca do Brasil de Dunga

Técnico e quase todo o elenco da atual seleção já passaram por experiências negativas na equipe brasileira.

Daniel Tozzi, especial para o Pelé.Net

ESTOCOLMO (Suécia) - Reconquistar espaço após um tropeço inesperado virou síntese da nova era Dunga na seleção brasileira. Tanto novatos como veteranos do pentacampeonato e do fiasco de 2006, além do próprio treinador, já sentiram na pele o quanto "queima" uma campanha decepcionante com a camisa amarela e o valor da consagração que traz a reabilitação.

Quem mais parece disposto a correr atrás da aura perdida é Kaká. Titular absoluto com Carlos Alberto Parreira, o meia-atacante do Milan, que até o Mundial da Alemanha viveu ascensão fulminante na seleção, diz ser melhor começar de baixo com o novo treinador.

"Um ciclo de vitórias terminou, agora tem mesmo que recomeçar do zero", afirmou Kaká. Ronaldinho Gaúcho, que fora execrado no fracasso olímpico em Sydney-00 e já havia dado sua volta por cima, cumpre agora sua segunda missão nesse sentido. "Teremos bastante tempo para trabalhar isso", completou o astro do Barcelona, um dos mais criticados no Brasil por torcida e imprensa.

A derrota em Sydney-00 também marcou a carreira de outros dois atletas do grupo de Dunga. Número 1 de Vanderlei Luxemburgo à época, o ex-vascaíno Helton foi chamado para a seleção principal apenas agora, aos 28 anos. "O importante é você ter consciência da sua capacidade. Eu tenho, e por isso nunca perdi a esperança", afirmou o atual goleiro do Porto (POR).

Candidatíssimo a ser fixado como capitão - tem usado a tarja sempre que inicia os jogos - o zagueiro Lúcio também superou a marca de Sydney-00. Foi titular nas duas últimas Copas do Mundo, sendo que na Alemanha foi um dos poucos a ser poupado das críticas após a eliminação.

O próprio Dunga, que emprestou seu apelido ao grupo que protagonizou na Copa do Mundo de 1990 uma das piores campanhas da história da seleção - o time foi eliminado pela Argentina nas oitavas-de-final -, é símbolo de recuperação. Após virar piada no país, voltou para ser capitão do tetracampeonato.

O volta por cima após o tropeço olímpico também marca outra geração. Seis atletas chamados para os amistosos dos últimos dias naufragaram no Pré-Olímpico de 2004, quando o Brasil perdeu a vaga em Atenas para o Paraguai.

Um deles, o meia Elano, chegou a ser convocado algumas vezes por Carlos Alberto Parreira. Ficou fora da Copa de 2006, mas dá sinais de já ter conquistado o atual treinador. "O Elano conquistou seu espaço dentro de campo", disse Dunga antes da partida contra o Equador.

Robinho, Dudu Cearense, Daniel Carvalho e o goleiro Gomes, outro sobreviventes do fracasso no Chile, estão entre os atletas que mais são aproveitados nesta fase. "Não sei se sou titular, isso tem que falar com o Dunga", comentou o jogador do Real Madrid. O zagueiro Alex, do PSV Eindhoven (HOL), completa a lista.

Os outros dois defensores que tem atuado até aqui também tem suas baixas no currículo. Luisão e Juan participaram da campanha do Brasil na Copa América de 2001, quando o time de Luiz Felipe Scolari conseguiu ser eliminado por Honduras. Ficaram fora do penta e só emplacaram na era Parreira.

A determinação de Luisão nos treinos chegou a ser elogiada por Dunga. "É o estilo dele, treina muito forte porque quer jogar. Vocês viram que na Copa foi assim também", disse o técnico ao comentar a discussão entre o zagueiro e o atacante Fred, que reclamou de faltas ríspidas do jogador do Benfica (POR).

Mesmo ainda quem não possui praticamente nenhum histórico com a camisa amarela já precisou sair do fundo do poço na carreira. Vagner Love, autor de gol na vitória contra o País de Gales, pôs seus planos em risco ao ser flagrado com uma mulher na concentração quando ainda estava no juvenil do Palmeiras.

Foi afastado e readmitido poucas semanas depois. Antes de ir para o CSKA Moscou (RUS), foi artilheiro da equipe por todas as competições adultas que disputou pelo time paulista, além de ter participado da conquista da Copa América de 2004.


Veja também

  Leia o que já foi publicado sobre a Seleção




Dunga é o nome ideal para dirigir a seleção?
Sim, o gaúcho irá arrumar a equipe
Não, falta experiência ao ex-volante
Apenas os resultados irão dizer
Coitado do Dunga; ele não passa de um tampão.
© Copyright Zipsports Ltda. Todos os direitos reservados

Shopping UOL