12h51 21/04/2006
Quadro de Telê havia se agravado nos últimos 2 dias
Ex-treinador da Seleção Brasileira permaneceu 28 dias internado no CTI do Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte. Do Pelé.Net
BELO HORIZONTE - Após 28 dias internado no Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital Felício Rocho, o ex-treinador da Seleção Brasileira Telê Santana da Silva, morreu no final da manhã desta sexta-feira, aos 74 anos. O estado de saúde do ex-técnico de futebol, bicampeão mundial interclubes pelo São Paulo, vinha piorando gradativamente, nos últimos dias, de acordo com os boletins médicos.
De acordo com o comunicado oficial do Hospital Felício Rocho, Telê Santana faleceu às 11:50 horas, no CTI do Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte. O ex-treinador "foi vitimado por um quadro inicial de colite isquêmica, que evoluiu para sepsis e falência de múltiplos órgãos", revelou o informe.
Ainda segundo este último boletim, houve uma melhora inicial do quadro abdominal. "Porém, infecções sucessivas em outros órgãos, principalmente pulmões, levaram-no à complicações progressivamente mais refratárias aos tratamentos", revelou.
Telê Santana foi internado por causa de uma infecção no intestino grosso, no dia 25 de março e, desde então, não mais saiu do CTI do Hospital Felício Rocho, onde foi mantido sedado, todo o tempo, respirando com a ajuda de aparelhos. O quadro se agravou com o surgimento, uma semana depois de uma infecção pulmonar.
Tratada com antibióticos, o quadro foi estabilizado, mas nunca deixou de ser grave. Outras infecções foram registradas e nos últimos dias, já debilitado, o organismo de Telê Santana não respondia como desejavam os médicos.
O coordenador do serviço de medicina interna do Hospital Felício Rocho, José Olinto Pimenta Figueiredo, que foi médico particular do ex-treinador há 10 anos, disse que o risco maior eram os surgimentos de infecções, além do fato de o organismo já debilitado dificultar uma recuperação.
"As co-morbidades - seqüelas de AVCS isquêmicos, insuficiência vascular periférica e diabetes mellitos - contribuíram para agravar e perpetuar o quadro", acrescentou o boletim, em que confirmou o óbito.
No último boletim médico antes do falecimento de Telê, divulgado no início da tarde de quinta-feira, o estado clínico do ex-técnico da Seleção Brasileira Telê Santana, continuava se "agravando progressivamente".
O quadro de Telê Santana, que já era grave, piorou na quarta-feira. O novo boletim médico, assinado pelo médico José Olinto Pimenta Figueiredo, voltava a informar uma piora nas "funções hepática, renal e respiratória" do paciente. Segundo aquele informe, continuavam "as evidências de má resposta aos antibióticos".
O ex-treinador precisou encerrar a carreira em 1996, quando descobriu que estava com uma isquemia cerebral. Em 2003, Telê Santana, que comandou a Seleção Brasileira nas Copas do Mundo de 1982 e 1986, sofreu uma amputação de parte da perna esquerda, em função de uma suspensão ou má circulação sangüínea.
Naquela ocasão, além da revascularização, os médicos aproveitaram o ato anestésico para fazer uma intervenção de uretra em Telê, pois ele estava sentindo problemas de infecção urinária, decorrentes do estreitamento do canal.
Desde então, as aparições públicas de Telê foram se escasseando. O ex-treinador tinha dificuldades de memória e se expresava com dificuldade. O mestre, como era chamado, recebeu várias homenagens, em vida, batizando, por exemplo, com o seu nome, um troféu concendido pela TV Alterosa, emissora afiliada do SBT aos melhores do futebol em MInas.
Durante a final da Libertadores, do ano passado, diante do Atlético-PR, o ex-técnico recebeu comovente homenagem da torcida do São Paulo, no Morumbi. Da torcida de outro clube a que foi muito ligado, o Atlético, Telê Santana foi homenageado no primeiro jogo contra o Fortaleza, pela Copa do Brasil, há dez dias, com faixas de estímulo à sua recuperação.
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